06 março 2017

Fernando Trueba, Bebo Valdés, Carlinhos Brown e o Milagre do Candeal.

Carlinhos Brown, Bebo Valdés e Fernando Trueba, em 2004.
Belle Époque (Sedução, no Brasil) foi o primeiro filme dirigido por Fernando Trueba que assisti. Gostei muito e não era para menos. O argumento é envolvente, a fotografia bela, a direção primorosa. O elenco, maravilhoso, traz Ariadna Gil, Penélope Cruz, Jorge Sanz, Maribel Verdú, Fernando Fernán Gómez, Chus Lampreave. Por essas virtudes, em 1993 o filme recebeu prêmios importantes no mundo do cinema, como o Goya de melhor diretor e melhor argumento e o Oscar de melhor filme de língua não Inglesa e outros mais. Por haver gostado desse diretor, volta e meia assisto algo que ele dirige ou produz. Assim, assisti O milagre do Candeal (El milagro de Candeal), documentário de Trueba, rodado em 2004. Numa narrativa gostosa e cheia de nuanças, o documentário mostra, entre outras coisas, o trabalho social desenvolvido por Carlinhos Brown no hoje famoso bairro de Salvador, Bahia. Enriquece o documentário a participação do maravilhoso pianista cubano Bebo Valdés, que visita o Candeal, bem como a do cantor e músico Mateus Aleluia. Ao lado de Brown, Mateus faz as vezes de anfitrião a Bebo Valdés, diálogos em Espanhol e Português, em que o tema é o projeto social do Candeal, a música, as influências e intercâmbios musicais, as religiões de matriz afro, a ancestralidade comum, e também a chamada enorme influência africana presente no cotidiano da Bahia e em Cuba. Cenas de moradores do Candeal e voluntáiros trabalhando em álacre mutirão para erguer praça e construção são entremeadas de depoimentos desses populares, parte importante do projeto, erguendo com as próprias mãos a parte física e material do Milagre. Enriquece o documentário a presença de Marisa Monte, cantando ao lado de Brown. Mateus Aleluia também canta e toca, da mesma forma que Gilberto Gil e Caetano Veloso. Esses dois últimos, aparecem em entrevistas descontraídas. Caetano mostra um Espanhol escorreito, ao conversar com Bebo Valdés. Isso faz lembrar que, no documentário, quando as pessoas falam em Português, aparecem legendas em Espanhol. Tais legendas são dispensadas nas falas de Gil e Caetano, pelo Espanhol escorreito que falam. O burlesco, ainda que involuntário, fica por conta de Carlinhos Brown que, para se comunicar com Bebo, ataca de um Portunhol divertido e muito enrolado, por vezes uma verdadeira algaravia. O hilariante nisso é que em tal caso, as legendas aparecem e são providenciais até para os espectadores brasileiros. Grande Brown!    
****Coloco aqui um link para o documentário, mas como há coisas de internet que são o tempo todo mutáveis, quem quiser ver o documentário, que o faça logo.