31 agosto 2016

O caricaturista Jim Hopkins, Barack e Michelle, Democracia, EUA, Brasil.

Fui buscar entre os trabalhos do grande Jim Hopkins, de New York, essa bela caricatura do casal Obama, Michelle e seu esposo-Presidente, Barack. Um presidente norte-americano negro era algo impensável há bem pouco tempo atrás. Como era algo improvável uma mulher ser presidente do Brasil. Bom, malgrado todo tipo de racismo entranhado no american way of life, os americanos se portaram de forma altamente respeitosa à Democracia, valorizando-a, Barack Obama foi guindado ao poder e nele se manteve mesmo desagradando muitos setores, certamente. No Brasil, lamentavelmente, faltou sentimento democrático e sobraram misoginia e interesses inconfessáveis. Quer dizer, não tão inconfessáveis assim, mas por uma questão de pudor e de boa educação é um assunto que não deve ser mencionado se houver inocentes criancinhas na sala. O fato é que  assim sendo, a Presidenta Dilma está sendo arrancada de seu cargo de uma forma cujas consequências não são nada promissoras e animadoras para grande parte da população brasileira. Deixando de lado tão cavernoso assunto e voltando ao talentoso Jim Hopkins e suas criativas caricaturas, publico também uma do sempre versátil Jack Black e da blond Meryl Streep, ambos atores com vasta filmografia e grande número de admiradores planeta afora.
*****O link para visitar a página da Pinterest com as caricaturas de Jim Hopkins é este: https://br.pinterest.com/pin/15129348726615466/

23 agosto 2016

Aproximações entre Psicanálise e Cinema, no livro de Vítor Souza

Entre as coisas que muito amo nesse mundo, mundo, vasto mundo, estão as Artes. Entre essas Artes, mágico, retumbante e altaneiro, está o Cinema, bem na primeira fila das minhas preferências. Desde Celia Cruz, quando eu era un niño de Jesus, que a incrível magia do cinema me pegou e ver um bom filme sempre me fez rir, chorar, vibrar, viajar, me apaixonar, indagar, refletir. Filmes que assistimos podem ser tão apaixonantes que muitos deles findam por se abancarem em nossas memórias de forma perene. Da criação inicial até o produto finalizado, tornar um filme uma obra de Arte é como tornar real um sonho. Isso só é possível de se realizar graças à qualidade dos competentes e criativos profissionais selecionados e reunidos em bom número em torno de uma paixão comum, algo que vai além de uma mera profissão. Essa paixão vira combustível que se alia à técnica, ao preparo profissional adequado, à experiência nesse campo artístico e ainda a outros elementos, estando entre esses a Psicanálise, utilizada na criação, do argumento aos personagens. Através do livro escrito por Vitor Souza, intitulado “Sonhos que vimos juntos – A aproximação entre Psicanálise e Cinema”, me foi possível aprender mais sobre a influência das consagradas teorias psicanalíticas desenvolvidas por ninguém menos que Sigmund Freud, que em 1895 publicou seu hoje cultuado livro “A interpretação dos sonhos”. Tais interpretações relatadas no livro do dito Pai da Psicanálise foram de enorme importância para a compreensão da mente humana. No mesmo ano de 1895 mais dois fatos significativos marcaram positivamente a História, sendo um deles carregado de total ineditismo, a primeira exibição pública de um filme, “A chegada do trem na Estação Ciotat”, façanha possível graças ao Cinematógrafo, pioneira invenção dos irmãos Auguste e Louis Lumière. Apesar da sua maravilhosíssima invenção, a dupla de irmãos franceses não era ungida por maiores pendores artísticos, nem pela criatividade e a fantasia, sendo que ambos queriam apenas usar o Cinematógrafo para fazer prosaicos registros formais de cenas do cotidiano. Aí entra o segundo e altamente importante fato do memorável ano de 1895: na pequena  plateia que teve o privilégio de assistir ao filme projetado pelos Lumière, estava uma figura a quem todos os cinéfilos e cinemaníacos em geral devem incansavelmente reverenciar de forma fervorosa, o ilusionista Georges Méliès. Diferentemente dos pioneiros irmãos franceses, Méliès felizmente era dotado de uma visão além do alcance e percebeu de cara as infinitas possibilidades que existiriam ao se mesclar as imagens em movimento com o mundo dos sonhos e da fantasia unidos a altas doses de criatividade. Georges Méliès, inventivo e até mesmo um visionário, foi o grande diferencial que possibilitou o desenvolvimento dessa rica forma de expressão que é o Cinema como conhecemos nesse mundo hodierno.Tal é sua força comunicativa, tão imenso sempre foi seu poder de penetração entre as pessoas que logo transformou-se em uma formidável indústria de entretenimento. Vale repetir a importância da Psicanálise no Cinema, enfoque do bem escrito livro de Vitor Souza, que evidencia como personagens e argumentos são arquitetados com mais propriedade por quem sabe dispor dos elementos contidos nas teorias psicanalíticas. Curioso lembrar que nem Freud nem os irmãos Lumière cogitaram tal funcionalidade para suas criações, o que mostra a grande bobagem que é essa fábula discriminadora em que a laboriosa formiga é mostrada como sendo superior à cantadora formiguinha multimídia. Também é formidável ver que após servir de apoio ao Cinema, a própria Psicanálise aprendeu a se valer dele como importante auxiliar no tratamento terapêutico. O livro de Vitor Souza nos fala de todas essas peculiaridades que unem Cinema e Psicanálise e cita, entre outras, películas como “Um corpo que cai” e “Psicose”, de Alfred Hitchcock, e “Um estranho no ninho”, de Milos Forman, que ajudaram a difundir de forma significativa conceitos freudianos. Sobre a criação artística, Freud dizia que ela representa a expressão dos primeiros prazeres da infância que os adultos acabam por perder de vista ou mesmo inibir, mas que o artista permanece conectado a essa essência, por isso a desenvolve e a compartilha através de sua obra. Entre essa obras, é fácil perceber o papel mais que importante da hoje chamada Sétima Arte, também nascida naquele mesmo benfazejo ano de 1895 em que veio ao mundo o famoso livro de Freud, o que praticamente torna Cinema e Psicanálise dois irmãos gêmeos cheios de formidáveis identificações.

20 agosto 2016

No momento da atração sexual o perigo abunda / Sexo de graça 3


Roberto Corinthians Rivelino, o magnífico.

O imenso bigode nietschiniano indica que esse cara aí foi um grande e respeitado pensador. Não há como contestar isto, gentis leitores. Embora seus melhores trabalhos legados à humanidade não constem em nenhum dos compêndios da literatura universal, esse rapaz era um grande, um formidável pensador. Ostentando o número 10 nas costas de sua camisa do S.C. Corinthians Brasileiro, sagrado manto, ele pensava, pensava, racionalizava, arquitetava, construía, tecia o jogo do meu glorioso, salve, salve, Coringão do Parque São Jorge. Lá ele chegara ainda imberbe e ali seu bigodinho foi crescendo, crescendo até virar um frondoso e imponente moustache. E seu futebol também cresceu, cresceu, cresceu ainda muito mais, virou craque diferenciado aqui e no vasto universo do esporte bretão. Nós, torcedores mais atilados, já víamos isso nas partidas preliminares, ele arrasando no time corintiano de aspirantes, passagem de muitos para a consagração junto à Fiel. E a galera antenada chegava cedo aos estádios para ver o espetáculo dos aspirantes do Corinthians. Ah, meu Deus!, tantas e tantas alegrias nos deu Riva com sua técnica apurada, sua garra, sua vibração contagiante, tudo tão corintiano demais em sua essência. Sua canhotinha abençoada nos inebriava os olhos, com seus dribles desconcertantes, como o elástico que ele aprendera com Sérgio - o amigo nissei, ponta dos mesmos aspirantes - que Riva lançou ao mundo dando o devido crédito ao amigo. Sou eternamente grato a Riva como corintiano e como brasileiro já que ele, ao lado de Pelé, Tostão, Jairzinho e Cia, deu-nos a todos nós, o título mais incontestável que temos de Campeões Mundiais de Futebol que foi o de 1970. E ainda assim, pasmem, foi injustiçado por culpa de um decisão carregada de burrice do presidente Mateus, talvez pela ainda mais burra indução de obtusos cronistas de futebol da época que. em sórdida e difamatória campanha, tiraram de Riva a camisa 10 do Corinthians e quem saiu perdendo com isso foi a Nação Alvinegra, para alegria do Fluminense do Rio que soube dar a Rivelino o devido valor e carinho e ele soube retribuir dentro dos gramados. Negaram-lhe no Corinthians a glória do título de campeão paulista que já estava maduro após 20 anos de espera e aconteceria três anos depois da saída forçada de Rivelino. Quem ficou no prejuízo, nunca é demais repetir, fomos nós, apaixonados torcedores corintianos, que pagamos pela sordidez e a burrice alheias que permeiam o mundo do futebol com insistência. Mediocridades assim deviam ensinar coisas melhores a dirigentes, torcedores, a certos jornalistas e cronistas de futebol, mas sei lá porque não ensinam e seguem sendo o que são, sendo que alguns ganham fortunas para dizerem com convicção suas asneiras e suas "verdades" distorcidas, contribuindo com cartolas espertalhões e suas políticas nefastas, contribuindo assim para afundar o futebol brasileiro. Apesar dos pesares, ainda bem para nós que há o lado bom e nobre do chamado esporte mais popular do mundo: os autênticos craques do futebol. Nesse mais que seleto panteão passeia uma formidável legião de maravilhosos e inolvidáveis cracaços de bola, entre eles, com seu moustache niestzchiniano,o inigualável pensador Roberto Rivelino a quem os deuses do futebol legaram seus dribles mágicos, suas fintas desconcertantes, seus lançamentos precisos, seus chutes potentes e indefensáveis, sua genialidade enchendo de alegria meu coração torcedor corintiano da adolescência aos dias atuais. A Riva, eterno Garoto do Parque São Jorge - Ogun-yê, meu pai! - a minha eterna, inefável e imensurável gratidão.
(Public. orig). 30/05/10)

17 agosto 2016

Passeio de casal nordestino na megalópolis com acrílica e muito amor

Em plena megolópole paulistana um casal, tendo à cabeça signos nordestinos, em momento que sugere ser de merecido relaxamento depois de uma longa e estafante semana de trabalho duro, passeiam amorosos em grande praça com seus jubilosos trajos domingueiros, esfuziantes qual uma alegoria carnavalesca. Esta pintura fiz eu lá pelo ano 2000, em que fica a tal estação final do percurso vida na terra-mãe concebida. Trata-se de um painel de 1.80 x 1.50m e para fazê-la, além de meu proverbial talento pictórico, lancei mão do velho e sempre prazeiroso método de usar tinta acrílica sobre tela. De quebra, usei cola e pedaços de tecido para fazer umas colagens com ares dadaístas e assim posar de erudito.  Depois que fotografei com minha Rolleiflax e revelou-se minha enorme aptidão para as coisas pictóricas, escaneei e dei uma tecladas no photoshop pra animar ainda mais esse motivo festivo assaz criativo e mui inventivo.
(Publicado originalmente em 10/02/10)

Jim go bell in New York.

When I'm sailing across the mysterious and dangerous websea my chest is full of courage. Poseidon is at my side all the moments and makes me so strong and so brave like a viking. I'm a impavid navigator like Columbus. Or better, like Popeye, the sailor. Without fear I dive in the dangerous webocean and from the deep waters I always emerge with treasures in my hands and in my indefatigable eyes. Recently I got a chest with fantastic paintings and drawings signed from a guy from the Big Apple called Jim Hopkins. Wow! Jim is really a great artist, friends! If you want to see his marvelous works, don't miss your precious time and go to these blogs to see more of the Jim's productions: http://mugitup.blogspot.com/ and http://icecreamnobones.blogspot.com/ . Jim, here from Bahia I send to you my embrace and my huge admiration.
(Publicado originalmente em 22/12/09)

11 agosto 2016

Martíssima, maior camisa 10 do Brasil / Umas minas que eu amo 2

Da cuca criativa e atenta de Nelson Rodrigues, escritor, cronista esportivo e torcedor do Flu, nasceu a definição mais exata sobre o futebol brasileiro para nós, brazucas: "A seleção é a pátria de chuteiras." Uau! O cara sabia o que estava dizendo. O país parava em dias de jogos do chamado escrete canarinho para se inebriar com o show dos nossos craques, verdadeiros artistas que nos encantavam e de quebra encantavam todo este imenso planeta. Infelizmente a nefasta corrupção que assola nosso solo e não nos dá uma trégua, contaminou também o nosso dito esporte bretão e tornou a seleção brasileira este triste arremedo que aí está com direito a Dungadas, Zagalladas, Ricardoteixeiradas, Felipemeladas, Josémariamarinadas, Delneroadas, 
Redegloboadas, Galvaobuenadas, e derrotas humilhantes para Bolívia, México, Japão, times dos quais sempre ganhávamos de 15 ou 20. A zero! Com direito a baile, olés, gols de bicicleta, de letra, de chaleira, de glúteo, de bingolim, e o escambau. Sucedeu, por Elza e mais outras, como diria Mané Garrincha - um destes geniais artistas-jogadores - que fui perdendo, perdendo e perdi, como perdeu grande parte dos brasileiros, esse amor desmedido pela seleção, verdadeira veneração. Eis, no entanto, que nos dias atuais baixa em mim o espírito do engajado gajo Vaz de Camões e eu digo "Cessa tudo que a antiga musa canta que outro valor mais alto se alevanta!" Marta. Martinha. Martíssima. Uma camisa 10 autêntica, de futebol sublime, maravilhoso, empolgante, que joga como quem brinca, como quem cria uma arte, uma canção inebriante que nos vai ao âmago da alma. Jogadoras adversárias parecem parar em campo para vê-la desfilar seu futebol-arte. Marta nos trouxe de volta o tão cultuado futebol brasileiro que o mundo aprendeu a amar com Pelé, Mané, Didi, Vavá. Há uma abissal distância entre Marta e todas as outras jogadoras do futebol feminino em todo o planeta-bola. Uma pena para nós, que na nossa própria seleção, só a excepcional camisa 9, Cristiane, também premiada pela FIFA como uma das gigantes do futebol no mundo, chega bem pertinho do talento que Marta exibe nos gramados. Quanto às demais jogadoras, muito posso me enganar, mas ficam ainda bem distantes do talento da dupla Marta e Cristiane. Considerando-se que essas meninas não contam com o devido apoio e as necessárias condições básicas para desenvolver um futebol mais brilhante, sabemos o quanto são guerreiras e o quanto lutam para se manterem motivadas em um esporte que sofre com o preconceito e a falta de apoio oficial. Sim, temos que ser gratos a todas, reconhecer-lhes o empenho e o amor ao futebol feminino, uma grande paixão. Mas gênios não são produzidos em larga escala. Felizmente esse empenho das demais meninas ajuda em muito, é mesmo fundamental para que Marta possa nos brindar a todos com sua arte e comandar as memoráveis vitórias às quais estamos nos acostumando. Há muito tempo eu não sentia esta empolgação por ver alguém jogar futebol neste país. Pelos motivos supracitados e por culpa de quase todos os que integram o universo do futebol, sejam eles empresários do setor, cartolas ou os da crônica esportiva que criam ídolos de pés de barro com coroas de lata nas cabeças. Mancomunados e visando apenas o lucro pessoal levaram o futebol brasileiro a ser o arremedo que aí está. Mas felizmente há Marta, Martinha, Martíssima. Jogando muito e encantando o público do Brasil e do mundo, batendo recordes, somando premiações, ela conquistou com seu futebol o direito a figurar no glorioso panteão dos grandes craques de futebol do Brasil. Ao lado do maravilhoso Pelé, do estupendo Garrincha e outros, lá está, com todo o merecimento, a maravilhosa e igualmente estupenda Marta. Agora em que escrevo esta postagem, nas Olimpíadas do Rio o futebol brasileiro se faz presente com os times masculino e o feminino. Quem quiser que assista o futebol masculino,com suas estrelas sem brilho. Quanto a mim, já sei aonde estarão minha atenção, expectativa, torcida e alegria. A você, Marta querida, meus agradecimentos do fundo da minha alma por haver devolvido a mim e a tantos brasileiros o nosso verdadeiro futebol e a admiração incondicional do mundo inteiro, longe dos interesses financeiros e dos nefandos labirintos do arrivismo. Viva Marta, viva Martinha, viva Martíssima! 
P.S. Este post já está bem longo mas tenho que registrar que pouco depois da postagem a seleção do Brasil enfrentou a da Austrália em partida eliminatória dos Jogos Olímpicos e empatou no tempo normal, avançando para as seminais do torneio. Na disputa por pênaltis o Brasil venceu por 7x6 e a única jogadora a perder uma cobrança de pênalti por nossa seleção foi justamente a magnífica Marta. O Brasil só seguiu em frente na competição graças à sua goleira Bárbara que fez duas defesaças antológicas e às demais jogadoras designadas para as cobranças, e que fizeram isso com enorme competência. Em momento que a melhor jogadora de todos os tempos falhou, as demais atletas brasileiras brilharam quando mais necessário se fez, heroicas, firmes, precisas, personalíssimas.