31 maio 2016

Farofeiros unidos jamais serão vencidos

 Quem pensa que farinha e farofa são privilégios das baianas gentes, engana-se em muito. A farofa é uma instituição nacional sempre presente na vida dos brasileiros mais brasileiros. Com tantos entreguistas fazendo de tudo para dar de bandeja nosso ouro negro aos gringos, tem ficado difícil bradar que o petróleo é nosso, mas ainda nos resta gritar bem alto que a farofa é nossa. Em suas diversas variedades, ela nos acompanha, constante e fiel, nos eventos mais importantes de nossa auriverde existência. Essa ilustração aí de cima é uma reprodução de parte de um grande painel que pintei com tinta acrílica e que me divertiu muitíssimo ter pintado, pois a farofa, fiel leitor, é tudo aquilo que já disse e muito mais. A farofa, em verdade, é universal, inúmeros filmes do neorrealismo mostram famílias italianas farofando na maior felicidade do mundo, uma felicidade que só os farofeiros podem experimentar em toda sua plenitude. Vivam esses grandes felizardos, os farofeiros, sejam italianos, argentinos, brazucas! Viva a farofa! E antes que as malignas gentes queiram também entregar nossa farofa a quem não a merece, farofeiros do Brasil e de todo o mundo, uni-vos!
(Publicado originalmente em 10/05/10)

Caetano Veloso, bandas de pífanos e pipocas modernas

Quem é do sul talvez desconheça, mas esses aí são músicos que compõem bandas do interior baiano e de várias regiões do nordeste brasileiro, sempre cheio de apaixonantes alternativas culturais. São as bandas de pífanos. Ou pífaros como chamam outros. Há tempos, Caetano Veloso os descobriu e fez com que este Brasil que não conhece o Brasil, passasse a identificar e  admirar tais grupos. Com seu talento, Caetano colocou letra em uma melodia de uma deles, a Banda de Pífanos de Caruaru, em uma canção batizada de "Pipoca moderna". Aí desanoiteceu a manhã e tudo mudou. Em homenagem a algo tão vivo e forte em nossa cultura popular, pintei essa tela com tinta acrílica. Depois usei uma lasquinha de photoshop. Viva o sempre inspirado e atento e criativo Caê. E vivam as maravilhosas bandas de pífanos que nos brindam com seu som tão limpo, tão puro, tão genuinamente brasileiro.
(Publicado originalmente em 13/04/2010)

Minha cara, minha nobre família baiana

Sou brasileiro, de estatura mediana, nascido em Candeias, terra onde farto é o petróleo, e onde vivi, meu caro Mario Prata, até aquela idade em que alentejanos e lisboetas nos explicam que os meninos deixam de serem miúdos para serem putos. E assim eu, quase puto, porém numa boa, deixei estas terras no recôncavo baiano para ir habitar a hinterlândia paulista, mais exatamente a cidade de Pindorama, que calha de ser a terra natal do escritor Raduan Nassar. Tudo porque Seu Setúbal, meu pai, era paulista - igualzinho ao Buarque, pai do Chico - e voltou para o pindoramense torrão que também a ele viu nascer, levando-me na bagagem. E em sendo assim e assim sendo, tenho eu um pé na coccina tantos eram os italianos do lado macarroni e pepperoni da família. Indeléveis lembranças me evocam sempre o estilo mais que agregador dos meus familiares ítalo-paulistas, as álacres reuniões em torno de longas mesas com pastos, antepastos e repastos, suãs, paneladas de sugo, a polenta fumegante, o falar alto e livre, os risos, as gargalhadas chicoteando o ar, a vida sendo celebrada como bem sabem fazer os de sangue latino. Por tudo isso meu lado paulista ainda pulsa forte e eu, trago no coração Pindorama City e minha maravilhosa professora de Português, Sylvia Jorge, que tanto me ajudou a amar os livros e a escrita. E mesmo nunca falando "ôrra, meu", jamais consegui gostar de outro time senão do meu amado, idolatrado, salve, salve S.C.Corinthians Paulista. E este preâmbulo todo uso para falar de uma típica família baiana, também enorme, igualmente festeira, uma família em que me descubro como parte integrante. Depois da minha experiência paulista voltei para a Bahia, arrumei companheira. E sabe como é: banho de mar, cônjuge voa, engole água, se iodifica, depois que boa, que morenaço que ela fica. Resultado: filho. Tornei-me pai de um soteropolitaníssimo galeguim do zóio azu que hoje, homem feito, se apaixona por uma das morenas mais frajolas da Bahia e me contempla com essa nora cheia de morenice. E achando pouco me regala com uma neta sem aviso prévio, logo eu, um quase teen viro de repente um grandpa. Antes que eu consiga dizer alguma coisa, igualmente à socapa me mimoseia com mais um neto e uma netinha igualmente galeguinha de zói azu, essa aí da foto no colo do galego que é seu genitor. E de quebra me presenteia com uma família muitíssimo baiana com matriarcal primazia, cheia de avós, tias, primas, gentes de matizes diversos, de peles que vão do moreno-claro ao negro. E eu, com meu sangue ítalo-hispânico-luso-paulista-baiânico, me vejo feliz compartilhando dos laços desta autêntica família brasileira, genuína família baiana, uma aula de congraçamento étnico-cultural. Família que tem muito mais em comum com o lado italiano que deixei do que podem supor os habituais cultivadores de estereótipos que nos colocam a nós, da parte de cima do mapa, como um povinho exótico deflagrador de risos de motejo. É traço comum a autêntica alegria de viver, a celebração cotidiana da existência, o espírito gregário, o calor humano, o amor entre os integrantes do clã, a solidariedade, o companheirismo, o compartilhar das felicidades e alegrias. Isto tudo seja em festas populares como a de Yemanjá, do Dois de Julho, do Bonfim, de Santa Luzia, onde o sagrado e o profano se entrelaçam, o catolicismo e as afro-religiões se mesclam em uma democracia autêntica que é uma constante do povo baiano e onde o mundo se devia espelhar para bem conviver. E seja ainda nas festas familiares que sabe-se apenas quando começa - e começa pelo menos uns vinte dias antes da efeméride propriamente dita - e que nunca se sabe quando se vai acabar. Talvez quando acabe a comida, que sendo tanta nunca acaba. Agora mesmo na comemoração do batizado e aniversário de Malu, minha dita neta caçula, que para animar ainda mais a coisa coincide com o dia de São Cosme e São Damião - os Ibeji e Erês, santos-meninos na afro-baiana religião - havia panelões cheios de saborosos vatapá, caruru, farofa de dendê, feijão-fradinho, galinha de xinxim e sabe-se lá mais o quê. Antes todo mundo na igreja católica para o devido batizado. Depois todos à casa para mastigar, deglutir, engolir, comer o caruru da forma que sempre o fazem em meio a conversas diversas, risos, gargalhadas, abraços de admirável confraternização, onde a fé e o amor são uma constante, onde não há espaço para tristezas e a vida é reverenciada como uma dádiva que se comemora com júbilo, afeto e uma exuberante e renovável alegria. Que Deus e os orixás sempre nos iluminem a todos e que bisa Elza, encomende logo sua vistosa elegante roupa vermelha já que a Festa de Iansãnta Bárbara não tarda nadinha a chegar.
(Publicado originalmente em 30/09/2016)

Partindo para a ignorância com o Paulo Paiva / Pintando o Set 9


Justiça se faça, o cidadão Paulo Paiva - famoso no universo das HQs com o codinome Pepê - é um cara retado. E retado, aqui onde me encontro, neste afrobaiano torrão, entre outras coisas boas, significa que o assim chamado é um sujeito competente, que sabe das coisas, cheio de denodo e de muita fibra. Aliás, Pepê tem mais fibra que a embalagem de uma tonelada da Aveia Quaker vendida nos supermercados por aí. Tanto é verdade que nem um AVC conseguiu deter este meu amigo. Passado o susto inicial, Pepê - com o auxílio fundamental de sua cara-metade Suely Furukawa - lutou com determinação e foi reassumindo aos poucos seus afazeres que o fizeram tão conhecido e amado. Pois este amigo um mês atrás me pega de surpresa ao me enviar via Net uma mensagem gravada em vídeo onde aparece dirigindo-se a mim e falando entusiasmado sobre alguns trabalhos meus que ele viria a publicar em uma das revistas de HQs, textos e cartuns que co-edita com Suely. No referido vídeo, mostra-se mais que satisfeito com a qualidade do material que lhes enviei para publicação e me tece elogios que um cara machão-porém-emotivo como eu não pode receber sem se debulhar em lágrimas. E se esta história parasse por aqui, seria um final feliz digno de Hollywood. Mas o caso é que ao retomar suas atividades, além de editar, Pepê também vem voltando a escrever, criar e ainda desenhar. É bem aí é que reside indesejável cizânia. Tudo solamente porque dentre os confrades que fiz neste mulato inzoneiro country, Pepê é daqueles que perdem o amigo mas não perdem a oportunidade de sacanear. Passado um recesso, eis que ele me envia, de sua atual lavra, outra caricatura da minha magnânima e régia pessoa apesar de eu já haver alertado ao indigitado amigo que não aprecio gestos que tais. Em postagem anterior, cordatamente já o alertara, muito já blasfemei e vituperei, já dei indiretas diretíssimas, já fiz ameaças veladas e outras escancaradas mas nada do Pepê se mancar. Então mister se faz subir o tom. Que Seu Pepê não reclame quando estiver no conforto de seu lar e sem aviso prévio receber a contraporra. E se ele não sabe o que é isso, esclareço didaticamente que aqui na Bahia isto é o mesmo que receber a galinha pulando, o que equivale a ser alvo de uns catiripapos aplicados de sopetão naquela cara de sacana que ele tem assentada em cima do pescoço. Sou ainda capaz de fazer coisas mais deletérias. Isto é claro se Suely, mais exatamente Suely Hiromi Furukawa, se distrair por algum momento, pois de besta só tenho a cara. Plenamente cônscio de ser ela uma nissei versada em tradicionais nipônicas artes marciais não sou em quem vai dar moleza e passar de agressor a candidato à vaga em leito de UTI. Para lá quem vai mesmo é o Pepê se continuar a me enviar tantas e tão depreciativas caricaturas de minha augusta pessoa. E tenho dito.
(Publicado originalmente em 25/11/2009)

27 maio 2016

O cartunista Glauco, Paulo Paiva e Deus

No calor da forte emoção da perda de um amigo de longa data e longos papos, Paulo Paiva fez esta caricatura em homenagem ao cartunista Glauco que se foi desse mundo. Fiquei emocionado com o belo gesto do Pepê e neste 12 de março, tão triste para nós, cartunistas, faço de sua tocante e tão fraterna homenagem, a minha homenagem ao irreverente e sempre inspirado criador de Geraldão e de tantos personagens que ganharam vida através de seu traço hilário e do seu humor marcante.
(Publicado originalmente em 12/03/10)

Qualquer música. E um mundo de cores.

A música, uma paixão na vida de todo ser humano. E um tema pictórico dos melhores, dele usam e abusam artistas de todo esse imenso orbe. Essa pintura aí em cima foi feita em tela de 1,50m por 1,00m. Usei, como de hábito, tinta acrílica. Para mostrar que sou um cara versátil, de múltiplos talentos, nela empreguei um pouco de humor de caricaturista na construção das figuras. Te cuida, Pablo Picasso!
(Public. orig. 27/01/19)

22 maio 2016

Os Vips / Quem é quem na Velha Jovem Guarda 7

Apesar do nome assaz pomposo desta dupla musical, Os Vips não conheceram mordomia no início da carreira e tinham - qual Sua Majestade RC - de trabalhar em longa e exaustiva jornada dupla. Depois de passar as noites nos bailes da vida cantando em troca de pão, os dois irmãos enchiam um cesto enorme e levavam tudo para uma pequena lanchonete que abriram a duras penas no bairro de Santana, em Sampa. Sempre ralando muito, enfrentavam o cansaço e recheavam no maior capricho os tais pães e vendiam seus deliciosos sanduíches a uma fiel clientela que aumentava mais a cada dia. A dupla, que era afinada tanto nos palcos quanto na economia, guardava o lucro auferido numa poupança comum que ia ficando polpuda a cada dia enquanto felizes os manos cantantes entoavam "estou guardando o que há de bom em mim."
(Public. origin. 19/09/13)

20 maio 2016

Deus e o Diabo na tela do sol

 O cinema norte-americano sempre foi uma arma de aculturamento em nossas cabecinhas tupiniquins. Quando ainda um niño de Jesus eu ia ao cinema em Candeias e na telona, linda, panorâmica, vasta e apaixonante, a magia do cinema me pegou para todo o sempre. E vai daí eu, embevecido, via filmes de cowboys metendo merecidas balas em indígenas que eles mostravam como sórdidos, cruéis, insidiosos e nada hospitaleiros com o bom e sempre bem intencionado homem branco ianque. Um dia, nesse Brasil brasileiro, mulato inzoneiro, surgiu em cena Lima Barreto e eis que ele abocanhou a Palma de Ouro em Cannes mostrando um brasileiríssimo cangaceiro em suas andanças pelo inóspito sertão. Tempos depois veio Glauber e seu genial Antonio das Mortes que deixou siderados cinéfilos e grandes diretores do planeta, e de quebra nos mostrou Deus e o Diabo se arrostando na Terra do Sol. E eu ali sempre firme, apaixonado pela temática cangaceiro-e-sertão-do-nordeste. Sempre que faço uma HQ ou um cartum aproveito o tema. E quando pinto, olhaí o resultado: este painel de quase 1 metro e meio de largura por 2 metros de altura. Paixão pela temática de cangaceiros é issaí!
(Publ. orig. 19/10/14)

19 maio 2016

Biratan Porto, cartunista, um muso nada obtuso

Desenhar é profissão, fonte de recursos - parcos para muitos profissionais, suficiente para outros - mas é também fonte de prazer vez que, ponto comum, amamos o que fazemos. Para tornar mais divertidos os momentos em que faço um trabalho de quadrinhos, costumo colocar nome de amigos em personagens, falar de fatos sucedidos comigo mesmo ou com conhecidos. Ou até mesmo colocar como personagem algum amigo pelo qual tenho grande consideração que é maneira de homenagear a quem gosto. E ninguém mais digno de todas as homenagens cabíveis que o grande Biratan, cartunista paraense, supimpa e piramidal, amplamente premiado, mente fecunda que é, calhando ainda de Bira ser um ser humano dos melhores, amigão de todos, amado por um batalhão de gentes em todo este Brasil varonil do Gugu e do Clodovil. Bira é o tipo de cara que todo baiano como eu adora ter como amigo por ser uma figura muitíssimo do bem, uma companhia das melhores, papo inteligente e, sobretudo, pleno de humor da melhor qualidade. Sendo um vivente simples, franco, criativo, bem-humorado, talentoso, sem alarde nem rompantes, Bira gosta de sorver uma cervejinha na maciota enquanto tira acordes sonantes e dissonantes de seu instrumento de cordas, apreciando também trocar umas ideias com amigos numa roda à mesa de um bar ou barraca. Ainda bem que sou um desses amigos e falo isso ab imo pectore, ab imo corde, seja lá que zorra queiram dizer tais latinidades, vez que sou um tipo sórdido que cita coisas das quais não entende lhufas, só por achá-las bonitas e sonoras e para parecer um cara culto aos olhos e ouvidos alheios. Ilustrando esta matéria, uma página da HQ inspirada em um cartum birataniano, sendo que tal HQ foi publicada há algum tempo pela Editora Escala, e nela coloquei meu chapinha Biratan como personagem central. Daqui da Bahia mando para você um benfazejo axé, Bira, cabra bom de cartuns e de bandolim!
(Public. orig. 14/02/10)

13 maio 2016

Laerte, este banheiro é pequeno demais para nós todas.

"O hábito não faz o monge", diz o velho provérbio. Não é o que pensa o assaz aclamado cartunista Laerte, aquele mesmo que causou espécie quando há algum tempo resolveu escancarar seu closet, assumindo de público que adorava se vestir com femininas vestes e que, gostassem ou não as pessoas, era assim que ele passaria a transitar por ruas e ágoras a partir daquele seu dia D, de Dior. Machões indignos se indignaram, maledicentes murmuraram, maliciosos maliciaram, ponderados ponderaram e houve até quem resolvesse aderir, como meu amigo, o cartunista baiano Valtério, que entanto ressalvou que assim só se trajaria no recesso de seu sagrado lar, pois seus conservadores amigos lá de sua terra natal, Ruy Barbosa, não iriam entender tal crossdessing adesão. Agora volta à baila o nome de Laerte nas manchetes vez que o moço anda dizendo que o fato de se vestir com roupas femininas lhe franqueia o direito a usar o toilette em cuja porta sói ser pendurada a plaquinha "Elas", seja em bares, shoppings, cinemas ou quaisquer outros espaços públicos. Os mesmos espaços, amável leitor, em que sua imaculada mãezinha frequenta quando premida por inadiáveis necessidades miccionais. Muitos dos que concordam que Laerte tem todo o direito a usar as calçolas e anáguas que quiser discordam frontalmente desta nova reivindicação do travestido novel. Milhões de mulheres deste país se revoltaram com a pretensão do cartunista e afirmam que o W.C. feminino é um inviolável santuário onde a mulherada fica à vontade para retocar a maquiagem, fofocar à vontade e decidir quem é que vai ficar com o ruivo de bigode ou com o moreno de barba com o qual saíram. Abrimos espaço aqui neste assaz democrático blog para publicar uma epístola que nos foi enviada pela egrégia Presidenta do Grupo MIJAR (Mulheres Importunadas por Jebas de Afeminados Radicais), a honorável Sra. Eva Gina dos Prazeres, em que ela, falando em nome de todo sexo frágil, se diz indignada e enumera razões para o impedimento das pretensões do Senhor -ou Senhora- Laerte que, segundo ela, não podem prosperar em nome dos direitos inalienáveis de todas as mulheres. Entre outras coisas, diz a missiva: "1.Há que se levar em conta que mesmo vestindo-se de mulher o Sr./Sra. Laerte continua sendo um homem e que, assim sendo, traz em si todos os hábitos horrorosos inerentes aos machus latinus como o de não levantar a tampa da privada quando vai urinar. 2.Há também que se considerar que as fotos do Sr./Sra. Laerte mostram que ele atualmente está parecendo um mix da Senadora Marta Suplicy e do personagem Beiçola, da televisiva série A Grande Família, quando este recebe o espírito da sua mãe e passa a se trajar com as velhas roupas da falecida genitora. Ou seja, sua estética poderia assombrar mulheres que dessem de cara com tal criatura no interior do toilette levando-as a faniquitos de consequências imprevisíveis. 3.Mulheres só vão ao banheiro quando em dupla, é uma das verdades incontestáveis deste mundo de tantas inverdades, pois o W.C. feminino, como já foi dito, é o sacrossanto espaço onde a mulherada escapa para falar de coisas singulares, exclusivas do universo feminino. Ali soaria estranhíssimo ouvir alguém puxar assunto para falar do último espermatograma que fez ou do seu mais recente exame de próstata. 3.O Sr./Sra. Laerte, que se assume como bissexual, não vê nisso um impedimento para frequentar os banheiros femininos alegando que lésbicas tem livre acesso aos mencionados banheiros. Acontece que lésbicas anatomicamente são impossibilitadas de terem ereções repentinas e incontroláveis, o mesmo não se podendo se afirmar do Sr./Sra. Laerte. Numa situação constrangedora destas, pudicas velhinhas poderiam sofrer uma síncope fatal.". São estas as ponderações da digníssima Presidenta do grupo MIJAR que aqui reproduzo por ter tido ao longo de minha vida um elevado apreço pela Sra. Eva Gina, a quem muitíssimo devo. Quanto ao caso em si, caros leitores, eu lavo minhas mãos. No banheiro masculino, é claro.
(Publicado originalmente em 27/09/13)

11 maio 2016

Beatles, Stones, Marley, Steve Wonder e Ringo Starr no traço maravilhoso de Pablo Lobato

1. Cabeludos de Liverpool 2. Pedras rolantes 3. Majestade do Reggae 4. Cego Maravilha 4. Batera dos quatro cabeludos
Já postei aqui uns belíssimos trabalhos do caricaturista argentino Pablo Lobato. Fera. Um trabalho lindo, limpo, diversificado, pleno de originalidade e que, além de tudo, traz estampada a incontestável marca do talento que os exímios desenhistas argentinos costumam exibir em cartuns, caricaturas, quadrinhos, ilustrações, pinturas. Grandes magazines planeta afora trazem em suas páginas o traço elegante desse argentino que encanta a todos os amantes da boa arte.

09 maio 2016

Mulher de Gêmeos no Horóscopo de Vinicius de Moraes

A mulher de Gêmeos 
Não sabe o que quer 
Mas tirante isso 
É boa mulher 
A mulher de Gêmeos 
Não sabe o que diz
Mas tirante isso 
Faz o homem feliz 
A mulher de Gêmeos
Não sabe o que faz 
Mas por isso mesmo 
É boa demais...

Mulher de Touro no Horóscopo de Vinicius de Moraes


O que é que brilha sem ser ouro?
- A mulher de Touro!
É a companheira perfeita
Quando levanta ou quando deita.
Mas é mulher exclusivista
Se não tem tudo, faz a pista.
Depois, que dona-de-casa...
E à noite ainda manda brasa.
Sua virtude: a paciência
Seu dia bom: a sexta - feira
Sua cor propícia: o verde
As flores dos seus pendores:
Rosa, flor de macieira.

Vinicius de Moraes e seu Horóscopo para as mulheres que amam apaixonadamente

Em um sebo encontrei um opúsculo de Vinicius de Moraes, cuja poesia muito me agradou sempre, um homem que nasceu para cantar as mulheres. Quer dizer, cantar no sentido de louvar. Se bem que no caso do poetinha acho que o outro sentido, o de seduzir, rolava amalgamado e não consta que alguma de suas musas haja reclamado no Procon, no STJ nem na mídia televisiva e impressa. Também neste pequeno livro, as poesias versam sobre as mulheres - assunto recorrente do poetinha - observadas agora sob o ponto de vista do zodíaco, com um olhar todo especial que só o talento de Vinicius podia trazer bem longe das baboseiras de praxe que o assunto parece atrair. Achei que mostrar aqui seria uma forma singela mas sincera de homenagear o autor do Soneto da Fidelidade na passagem da data do seu centenário, sendo também um bom pretexto para eu fazer uns traços e rabiscos à guisa de ilustrações. Aqui neste bloguito postarei todo o Horóscopo escrito em belos versos em que Vinicius deslinda a alma de cada uma das mulheres dos signos do zodíaco. De forma original, bela e única que nenhum Horóscopo jamais mostrou pois somente o amado Poetinha teria a criatividade necessária para preparar para vocês, doces meninas.

07 maio 2016

Robério Cordeiro e sua arte de HQs, cartuns e ilustrações

Robério Cordeiro é um cara que transita no desenho há décadas. Primeiro conheci seu trabalho de quadrinhista e criador de personagens quando ele surgiu acompanhando Cedraz, este já um desenhista admirado, a quem Robério, jovem recém chegado do interior baiano, insistentemente chamava de Senhor. Era um tal de "Seu Cedraz" prá lá e "Seu Cedraz" prá cá, coisa de se admirar o respeitoso tratamento. O tempo passou, torcida brasileira, e
como por aqui na Bahia não há muito espaço onde se publicar, Robério colocou seu traço a serviço do IRDEB/BA fazendo toda sorte de trabalhos, desde ilustração para livros de teor didático, capas de CD, encartes e uma montanha de coisas onde cabia seu traço fino, sendo ele próprio um rapaz de finos traços que qual um Wilson Gray - aquele ator brasileiro ortodoxo no visual - atravessa a vida com a mesma cara de menino, o mesmo corpitio que tinha em adolescentes dias. Com o advento da informatização, Robério, hoje artisticamente maduro, ampliou seu universo e acrescentou ao seu cabedal o domínio do Photoshop e uma cacetada de programas outros que só fazem aumentar a qualidade do trabalho deste baiano que pode ser conferido nestes links aqui: http://www.roberiocordeiro.blogger.com.br e http://www.flickr.com/photos/roberiocordeiro . Ah, sim, há também o site do IRDEB/BA. Você clica aqui neste http://www.irdeb.ba.gov.br/ e vai em Galeria de Imagens ver algumas das criações do Robério.
(Publ. orig. 03/11/13)

Affonso Manta, Ruy Espinheira Filho, Versos, Poesias

 
E já que falei no poeta Affonso Manta e já que postei uma poesia de sua lavra, posto aqui outra que boa poesia nunca é demais. A morte levou Manta deste mundo mas antes disso a Indesejada das Gentes ouviu do vate - amante das coisas belas e boas da vida - que ele não ia desinteressado do seu destino mas muito a contragosto. .
Não desejo morrer
Não desejo morrer enquanto houver
No céu estrelas brancas cintilando,
Na manhã clara um pássaro cantando,
Na cama um corpo airoso de mulher.
Não desejo morrer hora nenhuma
E sobretudo no instante presente.
Eu desejo ficar para semente
Carpindo minhas dores uma a uma.

De quebra, perfulgentes leitores, vai aqui uma poesia que Affonso escreveu e dedicou ao amigo, o inspirado poeta Ruy Espinheira Filho, também baiano, que era admirador de Manta. Nela, Affonso define o que é poesia para ele, poeta em tempo integral
A Poesia

Para Ruy Espinheira Filho
A poesia tem os olhos inocentes.
Inocentes de saberem tudo.
A poesia nos envolve
Como o silêncio do tempo que passa.
A poesia é um pássaro branco
Voando na velocidade da luz.
A poesia embriaga como o vinho.
E nos mantém vivos como o ar.
A poesia é um rio imenso,
Um rio que deságua no infinito.
A poesia é um mar profundo.
Profundo como o mistério da vida.

(Publ. orig. 16/10/13)

Meio ambiente, a Ilha do Fogo, Ivete Sangalo, Juazeiro, Petrolina


A praça é do povo como o céu é do condor, diz Castro Alves. Pois a Ilha do Fogo é do povo de Juazeiro e Petrolina, afirmam com inteira razão os moradores destas duas urbes. Na região sanfranciscana, ao longo do Velho Chico, que é vastíssimo, há locais de sobra, suficientes  para o Exército dispor para fazer seus necessários treinamentos. Mas uma cúpula militar entendeu de se apossar justamente de um querido quinhão de terra que fica a uns poucos metros de Juazeiro e de Petrolina, de fácil acesso aos moradores que a utilizam há décadas e cujo vínculo afetivo é imensurável. Na Ilha do Fogo há um cruzeiro que mostra a fé dos habitantes, há lendas, há mistérios, há toda uma história de vida passada e presente neste pedaço do Rio São Francisco. Até Ivete Sangalo já contou histórias de sua pré-adolescência por ali, quando nadava nas águas do Velho Chico com amiga, uma puxando a outra por um lençol em heroicas braçadas adolescentes até achar um porto seguro na Ilha do Fogo. Ivete não faz o gênero artista engajada, costuma se envolver apenas com as questões musicais e nunca polemiza em outras áreas, mas oxalá que neste caso decidisse ajudar com sua popularidade aos da sua terra natal dando ao fato uma visibilidade em todo o Brasil e até no exterior. Tanta terra, tanto rio, e o Exército encasquetou de se apossar da História do povo de duas cidades irmãs. E o pior é que um juiz, mostrando que não tem compromisso algum com as legítimas pretensões populares, atendeu às questionáveis pretensões dos militares. E os moradores - coisa mais linda - mobilizaram-se e deixaram claro o que pensam disto, entoando um cântico que diz que " a Ilha do Fogo é do Povo". Não vivemos mais os tempos da ditadura militar quando eles decidiam o que queiram e nos enfiavam goela a baixo. Mas há gente que parece viver ainda nesta época de desmandos e querem tomar do povo de Juazeiro e Petrolina um bem precioso que reflete a História de vida de tantos moradores. Oxalá também  o desejo popular do povo sanfranciscano possa repercutir fazendo o Exercito repensar melhor nos ganhos e perdas, entender que os tempos são outros e que o povo precisa ver o Exército como uma instituição pacificadora que não abusa do seu poder e que está ao seu lado merecendo o respeito do povo de Juazeiro, de Petrolina e de toda a nação. http://www.youtube.com/watch?v=MollgnNbBT4
(Publicado originalmente em 01/11/13)

04 maio 2016

Laerte de calçola, João Ubaldo Ribeiro de fardão e calçolão

Sei muito bem cuidar de minha saúde. Por isso mesmo, como de habitude, vou à quitanda do japonês que fica ali na esquina comprar produtos sem nefandos agrotóxicos. Enquanto vou selecionando uma rúcula daqui, uma acelga de lá, um espinafre acolá, noto que há algo de estranho naquela senhora que também separa hortaliças ao meu lado com um chamativo tailleur vermelho. Não sou lá um cara muito perspicaz, sou até meio nefelibata, algo selenita, mas arrisco uma olhadela de soslaio e percebo que ela tem um buço muito, muito espesso. Reparando bem, ela tem mesmo é um vasto bigode e, na verdade, ela não é uma senhora, é um senhor. Trata-se do cartunista Laerte, conhecido crossdresser fazendo suas comprinhas como qualquer vivente. O bigode e a barba não são costumeiros, deve ter saído apressado e não teve tempo de se barbear. Não me apraz posar de reacionário e conservador, mas admito em rápido solilóquio que aquele visual é algo pouco hortodoxo para meus padrões comportamentais. Verdade seja dita, nunca me perguntei como os escritores, pintores e desenhistas que tanto admiro produzem os trabalhos pelos quais tenho confessada admiração. Se usando fraques, se nus em pelo, se só de bermudas e sem camisa como diversas revistas já mostraram o aclamado escritor e -para meu gáudio, meu ex-redator-chefe na Tribuna da Bahia- João Ubaldo Ribeiro. Isto em verdade nunca me importou porque na verdade não é importante, mesmo. O fundamental, óbvio está, é o trabalho em si. Se Laerte prefere criar seus desenhos usando saia, saiote, anáguas, calçolas ou quaisquer outros trajes femininos pouco importa, vale o belo trabalho que ele produz. A propósito,  já que falei do sempre lembrado João Ubaldo, convenhamos que ele, com sua acentuada calva, bigodão e óculos fundo-de-garrafa, está longe de ser um modelo de beleza, destarte não é lá muito estimulante imaginar-se o autor de Sargento Getúlio desfilando todo lânguido por Copacabana e adjacências exibindo seu indebastável plexo em pouco discreto decote, nem com suas pernas cabeludíssimas à mostra, ostentando saltitante um tomara-que-caia ou um vestido de bolero-lero-lero-lero. Ainda por cima deixando à mostra uma parte de sua calçola de babados como é hábito das moçoilas nestes tempos hodiernos. Também não é lá muito salutar imaginar meu nobre amigo Paulo Caruso, o grande cartunista - grande no talento bem como no tamanho - desfilando por aí com seus mais de 2 metros de altura cobertos por um pegnoir tomado emprestado de Dona Julia, sua consorte. Ou deparar-me com o ilustrador Gonzalo Cárcamo, com sua barba hirsuta, vestindo negra negligée em tudo destoando de sua touca Hecha en Chile. Muito menos o lendário cartunista parauara Biratan navegando por igarapés com uma insinuante meia-calça transparente. Sendo eu um livre-pensador, não me pejo de dizer que rezo fervorosamente para que tais amigos não resolvam aderir à nova moda poupando-me de tais visões na vida de minhas retinas tão fatigadas. Ah, também estou estudando um novo horário para continuar a fazer minhas salutares comprinhas na quitanda do japonês sem voltar a me deparar com aquela mui, mui estranha senhora.
(Publicado originalmente em 16/03/12)

Travecos made in Brazil

 
O traveco é uma instituição auriverde, um patrimônio nacional e um dos mais cobiçados produtos de exportação deste patropi abençoá por Dê. Os franceses, por exemplo, se curvam- e bote se curvam nisto- ante nossos les travequês delapatri que podem ser encontrados às centenas no Bois de Bologne caprichando no biquinho e falando no idioma de Mollière e de Zola lindas palavras como ménage à trois e voulez-vous le boquettê, missiê? Já na terra de Dante nossos estóicos traveconni agitam a massa, coisa que o Barrichello nunca conseguiu quando estava na Ferrari. Aqui nesta Soterópolis de Carla Peres e de loiras e morenas do Tchan, os travecos sofrem uma desleal concorrência e têm de rebolar para ganhar o pau, digo, o pão de cada dia. Por sorte, contam em sua defesa com o CATSO ( Centro de Amparo aos Travecos Soteropolitanos Oprimidos ), que é um órgão vibrante que está aí para provar que as bibas baianas não são de fugir do pau não, senhor. Ora, que despautério!
(Public. origin. 21/03/12)