20 março 2016

Sting, índio cara-pálida, e Raoni, seu pai aborígine

  Índios são sempre uma temática muito legal para se ilustrar. Usei lápis, nanquim e tinta ecoline para fazer esta mãe índia a partir de uma boa foto de autor que desconheço. Por aqui não há como falar de índio sem falar no célebre Sting, que tem forte ligação com os autóctones brasileiros, em especial o cacique Raoni, a quem o roqueiro considera um genitor. Os nativos mais gaiatos adaptaram uma velha piadinha para falar sobre o dia em que Sting visitou a tribo de Raoni pela primeira vez no anos oitentas. Mal chegara, o popstar retirou de uma canastra alguns colares e o ofertou ao cacique como prova de consideração e respeito. Ao hoje ex-The Police, o chefe nativo sem pestanejar respondeu: "Índio não quer colar. Índio quer que você crie entidade para ajudar tribos do Xingu a sobreviver na luta contra a especulação imobiliária e a voracidade do homem branco que derruba floresta e extermina silvícolas." Sting guardou seus balangandãs de volta na canastra, foi para Nova York e lá criou a Rainforest Foundation.
(Publicado originalmente em 13/10/12)
 
 

João Gilberto, orgulho da música brasileira.

João Gilberto, um ícone mundial, um fora de série. Desperta tanto admiração incontida das várias gentes quanto dor de cotovelo crônica em pessoas que demonstram não alcançar a qualidade maravilhosa de sua musicalidade rara.. Um contingente de amantes da música o adora nos EUA, México, Oropa, França e Bahia. Esta carica que ilustra esta postagem foi feita para um dos Cadernos Bês da vida. O original foi mostrado no FHUBÁ, que rolou recentemente no Teatro Castro Alves. Viva João Gilberto e sua Arte tão imitada, tão seguida por gente talentosa mundo afora.
(Publicado originalmente em 29/05/12)

15 março 2016

Paulo Paiva, Corinthians campeão e Tostão prenunciando o atual declínio do futebol brasileiro.

Acreditem, além daquela arenga inócua e do velho lengalenga habituais dos que são chamados de cronistas esportivos, há vida inteligente na cobertura do chamado esporte bretão. São poucos, são raros os que compõem esse grupo, mas existem para nos livrar da mediocridade geral que contempla essa nação de tantos amantes do dito esporte das multidões. O principal entre esses raros bem-pensantes, no melhor dos sentidos, chama-se Tostão e suas opiniões podem ser lidas no jornal Folha de São Paulo. Poucos são os cronistas mais contidos e discretos, os outros em grande quantidade infestam rádios e TVs e ali destilam uma multidão de lugares-comuns, frases de efeito, opiniões emitidas por conveniência, pretenso entendimento de táticas e do que acontece em campo, visão rasteira do universo pebolístico e uma sórdida conivência com a cartolagem nefasta. Alguns adotam a linha humorística, imaginam-se criativos e engraçadíssimos. Emitem suas opiniões com ares de professores, mestres, próceres, grandes luminares do assunto. Não são luminares coisa alguma, em sua maioria assassinam nosso léxico e quase nunca acertam o alvo embora tenham suas opiniões em altíssima conta. Grande parte têm ligações nefárias com a cartolagem podre que tanto mal faz ao esporte, trabalham a serviço da escória. Pois Tostão é um dos raros casos de cronistas que podem ser lidos e ouvidos com respeito. Sou seu admirador incondicional e procuro ler tudo o que ele escreve. Acho-o pessoa idônea, equilibrada, imparcial que conhece tudo do assunto, conhece o país que vivemos, fala o que de fato pensa, mostrando conhecer profundamente o que se passa nas quatro linhas do campo. Não busca afirmação pessoal nem polêmicas baratas. Para traduzir o que penso sobre a conquista do Campeonato Mundial Interclubes pelo Corinthians nesse ano de 2012 vou fazer minhas as palavras do inigualável Tostão. Se os que se apossaram dos destinos do nosso futebol tivessem sua visão e consciência e não pensassem tão obsessivamente em acumular fortunas às custas desse esporte, certamente não teríamos passado o vexame mundial que passamos na Copa do Mundo que viria em 2014. Para ilustrar vou usar uma carica relativa à conquista do Bi do meu amado Timão, feita pelo cartunista Paulo Paiva, que é, assim como eu, mais um a compor este formidável bando de loucos que agora mostrou ao mundo e a quem sabe enxergar as coisas com clareza o que é amar verdadeiramente um time de futebol. Com vocês, o traço de PP e o texto irretocável do Tostão:

Aprendam com o Coringão  
Como escrevo aos domingos e quartas, não sou blogueiro, tuiteiro, não participo de rede social, não trabalho no rádio nem na televisão, gosto de palpitar, ainda não escrevi sobre o jogo do Corinthians e tenho a pretensão de achar que algum leitor queira saber minha opinião, continuo com o assunto, já comentado um milhão de vezes pela imprensa. Você já imaginou se, em uma das defesas de Cássio, a bola tivesse sido chutada um pouco para o lado? Seria gol, e o jogo poderia ter tido outra história. As opiniões seriam diferentes. Tite, certamente, seria criticado, o que seria injusto. Seu trabalho foi ótimo, independentemente do resultado.
Diferentemente das vitórias do São Paulo sobre o Liverpool e do Internacional sobre o Barcelona, quando os times brasileiros foram dominados durante toda a partida, o Corinthians fez um jogo equilibrado com o Chelsea.
Tite, mais uma vez, acertou ao colocar Jorge Henrique de um lado e Danilo de outro, deixando Emerson livre, como gosta e próximo de Guerrero. O time ficou mais forte, na defesa e no ataque. Parecia um clássico inglês. O Corinthians, no tradicional 4-4-2, com duas linhas de quatro e dois atacantes, enquanto o Chelsea atuava como as atuais equipes globalizadas, ditas modernas, com uma linha de três meias e um centroavante (4-2-3-1). O Corinthians não mostrou nenhuma novidade tática. Apenas executou muito bem o que foi planejado.
Ter um grande conhecimento teórico sobre futebol é essencial para ser um bom técnico. Mas o melhor treinador não é o que sabe mais a teoria. É o que percebe os detalhes subjetivos, nebulosos e faz com que os jogadores executem com eficiência o que foi planejado.
O Chelsea mostrou por que foi eliminado na primeira fase da Copa dos Campeões, pelo Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, está muito distante dos primeiros colocados no Campeonato Inglês e, recentemente, foi goleado pelo Atlético de Madri, por 4 a 1, pela Supercopa da Europa.
Em resumo, há hoje três maneiras de se jogar futebol. Uma, única, a do Barcelona, que ocupa o campo adversário, fica com a bola e espera o momento certo para tentar a jogada decisiva. Outra, a do Corinthians e de equipes da Europa, de times compactos, que alternam a marcação por pressão com a mais recuada e que conseguem sair da defesa para o ataque com troca de passes. E a terceira, a da maioria dos times brasileiros e sul-americanos, com muitos chutões, jogadas aéreas, excesso de faltas e correria. É uma maneira arcaica de se jogar.
Espero que outros clubes brasileiros aprendam com o Corinthians a ser organizados, dentro e fora de campo. Isso já se iniciou no Brasileirão deste ano. Alguns técnicos tiraram a máscara, aceitaram as críticas e, lentamente, começam a mudar. Tomara!
(Publicado originalmente em 21/12/12)

Paulo Paiva e eu no bando de loucos pelo Corinthians


Eu queria dizer, escrever aqui um monte de coisas que traduzissem os sentimentos que agora experimento com a conquista do título da Libertadores pelo meu tão amado Corinthians. Numa hora destas fico igual uma dessas misses de concurso que, indagadas sobre qual emoções estão experimentando naquele momento glorioso, limitam-se a proferir "não tenho palavras para dizer o que estou sentido." Então, já que as palavras me faltam vou me valer da imagem de um amigo meu que também torceu enormidade pelo sucesso do Timão, meu confrade Paulo Paiva, cartunista dos melhores que, mostrando plena recuperação de um AVC,  paramentou-se com a camisa do Coringão e, assim, com o manto sagrado, desfrutou da alegria de ser mais um no monte de loucos pelo Corinthians. Esta foto me foi enviada pela sua esposa, Suely, e ela, de quebra, enviou também este cartum feito pelo Pepê, que não perdeu tempo e em cima do momento mágico rabiscou este cartum que mostra um corintiano atrás das grades mas campeão da Libertadores. Grande Pepê! Grande Corinthians! Grande bando de loucos! É nóis, manôôô!
(Publicado originalmente em 05/97/12)

14 março 2016

Batman em luta titânica contra todos os fundamentalistas

 
Nos quadrinhos, na telona do cinema, na telinha da TV, Batman sempre agradou. Muitos são os fãs que preferem a versão que mostra o cara como um herói soturno, sombrio, misterioso e implacável em filmes e HQs. Já eu, geminiano da gema, sempre curti de montão aquele Batman dos seriados plenos de humor e onomatopeias com Adam West e Burt Ward, que deixam de cabelos em pé tais fãs mais ortodoxos e, de quebra ainda, magotes de fundamentalistas que se assumiam como inimigos de qualquer herói de HQs, além das próprias HQs, claro é. Sim, eles já existiram e hoje, se não extintos, conservam-se silentes devido à imensa paixão que atualmente a maioria das pessoas professa ter pelas histórias em quadrinhos. Hoje dizer que os quadrinhos são arte do diabo, que desencaminham criancinhas desavisadas pega muito mal e ninguém faz sucesso com um discurso arcaico e equivocado desses. Mas um dia, pasmem, isso já aconteceu e de com força. Os tais fundamentalistas num passado não muito distante mostravam suas caras assustadores e eram tão malucos quanto qualquer fundamentalista. Muito devido a estes caras e a maneira como viam o Bat-seriado e muitas HQs, foi que surgiu a tal teoria contida no livro "Seduction of the innocent", de Frederic Wertham - o Diabo o conserve - que redundariam no Comics Code Authorithy, de triste memória, e no Código de Ética, versão brasileira desta insanidade criada para salvar nossas almas do inferno e que só fez foi dar mais um golpe no movimento pela nacionalização dos quadrinhos neste patropi abençoá por Dê, prejudicando em muito os desenhistas dessas plagas tupinanquins, digo, tupiniquins. Usei neste desenho uma bat-caneta nanquim 0.5, um bat-pincel seco, um bat-reticulado e um precioso bat-graminha de Photoshop. Santa informática, Batman!
(Publicado originalmente em 29/03/14)