07 fevereiro 2016

Diana Panton cantando Manhã de Carnaval em Francês. De arrepiar.

Diana Panton é uma cantora canadense que sabe cantar jazz como pouca gente. Para nossa fortuna ela adora Bossa Nova, é grande fã desse ritmo brasileiro que conquistou legiões de fãs planeta afora e vai daí, a moça já gravou diversas canções bossanovísticas. Diana tem uma daquelas vozes afinadas e doces, primordiais para cantoras que incluam em seu repertório a Bossa Nova, vozes que se encaixam suavemente na melodia, no ritmo, nas letras das canções como bem se pode ver nesse disco, aqui vertidas para o Francês e o Inglês. O resultado é belo. Entre outras preciosidades, ela canta Manhã de Carnaval, de Luiz Bonfá e Antônio Maria, canção que encantou o mundo integrando
a trilha do filme Orfeu do Carnaval, de Marcel Camus, premiado com a Palma de Ouro, em Cannes, e com o Oscar de melhor filme estrangeiro, nos EUA, o que redundou em enorme visibilidade na Europa e em grande número de países ao talento de uma geração fantástica de músicos brasileiros, entre eles Jobim e Vinicius, e consagrou Manhã de Carnaval, que foi gravada por muita gente no mundo, inclusive por Frank Sinatra. Esta interpretação de Diana emociona pela sua docilidade. É ouvir, se comover e diante de tamanha emoção, só resta dizer como diz o povão aqui na Bahia: "Vai matar o diabo!!"
(Publicado originalmente em 11/12/14)

06 fevereiro 2016

Samba e turismo sexual no País do Carnaval

 Carmen Miranda, vocês já devem ter notado, é figura recorrente em minhas pinturas pela admiração que ela exerce sobre mim e miríades de gentes deste planeta. Aí está uma versão da Pequena Notável executada com acrílica sobre tela para integrar uma série de pinturas que fiz buscando falar sobre um amontoado de erros com os quais convivemos, por vezes indiferentes, nesta Terra Brasilis, pátria amada nem sempre tão gentil, que ainda assim tanto amor nos inspira, apesar dos tantos e tantos pesares. Por aqui, hedonistas que somos, amamos o samba, que é nosso e que é tão bom, entre tantos ritmos brasileiros que celebram nossa admirável alegria interior. Mas não podemos perder de vista o fato de que neste país amado perdura um forte turismo sexual e a pedofilia, frutos da desigualdade, praticados por gentes inescrupulosas, que trazem suas moedas fortes com as quais logram corromper nosso caráter por vezes tão macunaímico.  E há a terrível e abominável situação da infância que foi abandonada - e não é de hoje - pelos governantes, sim, mas pela sociedade também. Estamos em pleno carnaval. Dancemos e celebremos nas ruas e praças a vida movidos por nossa inesgotável, elogiável, invejável alegria interior. Mas nada de guardar nossa consciência num pano de guardar confetes. Evoé!
(Publicado originalmente em 15/02Q13)