19 janeiro 2016

Desenhos de Setúbal para trilogia de quadrinhos Em Terras Americanas

 
Antonio Cedraz, o aclamado Mestre baiano dos quadrinhos, emérito criador do personagem Xaxado, em uma dessas segundas-feiras de céu cinzento me telefonou e disse que o a Editora Cedraz tinha um projeto para fazer três histórias em quadrinhos aguardando o resultado de uma licitação da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. Falou que se o projeto fosse escolhido O Estúdio receberia recursos do Fundo de Cultura do Estado, que as chances de escolha eram grandes e, melhor ainda, que eu seria um dos participantes na feitura das HQs. Diante de tão alvissareira notícia o tom cinza do céu desvaneceu-se imediatamente para mim. Contou-me Cedraz que ele e Tom Figueiredo, seu braço direito no Estúdio, haviam me escolhido para desenhar a trilogia batizada de Em Terras Americanas que seria realizada em uma linha diferente daquela dirigida para o público infantil habitualmente adotada pelo Estúdio Cedraz e que o tornou um desenhista admirado em todo o Brasil. O estilo a ser empregado seria aquele que costumeiramente se vê nas revistas de super-heróis em que os desenhistas mostram conhecimentos de anatomia e domínio de sombras e iluminação, movimentos, indumentárias, expressões fisionômicas. Passou-se um tempo e o melhor acabou acontecendo: o projeto do Estúdio Cedraz foi realmente selecionado. Agora restava apenas aguardar a chegada da verba oficial para podermos tocar o trabalho. Enquanto isso não acontecia tratei de intensificar meus treinos de desenho de anatomia, mergulhando em livros que tenho sobre o assunto, rabiscando em toneladas de papéis e procurando ver o que estava se publicando de novidade nos quadrinhos na linha pretendida, os conceitos mais em voga, os novos grafismos utilizados. Todo esforço e treino para aprender a desenhar corretamente a anatomia é pouco. Há que se empenhar muito, copiar dos livros adequados mãos, pés, pernas, olhos, narizes, bocas, fazer, refazer, treinar compulsivamente dias e dias buscando aprender tudo sobre cada músculo do corpo humano, movimentos, expressões fisionômicas. E há ainda as sombras, ângulos, enquadramentos diversos, entre otras cositas, detalhes que exigem uma dedicação e uma perseverança que existem somente nos que gostam muito de desenhar e pretendem melhorar o próprio desempenho. Por fim, Tom Figueiredo anunciou que havia chegado a hora de iniciarmos o trabalho que foi feito em uma equipe composta pelo próprio Tom, na qualidade de autor do argumento, do roteiro e até mesmo dos providenciais rafes, aqueles desenhos rápidos feitos para orientar os desenhistas de quadrinhos. De posse do material passado por Tom tratei de iniciar o trabalho de desenhar as mais de sessenta páginas que continham as três histórias de Em Terras Americanas e de suas respectivas capas, todas feitas em pranchas de papel em formato A3, como manda o figurino tradicional. Desenhar histórias em quadrinhos pode ser algo divertido e compensador, mas como já disse antes e repito agora, é também um trabalho árduo que exige uma boa dose de rigor, disciplina e uma dedicação exclusiva ou quase isso. Umas bronquinhas do Tom, também contam muito para a celeridade do processo. Vale dizer que o sempre presente trabalho da coordenação de produção foi fundamental também para que eu pudesse trabalhar com a necessária segurança e tranquilidade. Não sei dizer aqui o quanto demorei desenhando e artefefinalizando com nanquim a primeira das revistas, mas tão logo terminei passei incontinente para Vitor Souza, o colorista encarregado de enriquecer com suas cores as HQs, para que ele desse início à sua própria maratona colorindo sozinho as mais de sessenta páginas, uma equipe de um homem só. Enquanto Vitor coloria a primeira das revistas passei a desenhar e artefinalizar a segunda. E assim a coisa caminhou até que finalmente concluímos as três HQs para a alegria da equipe e para a felicidade geral desse povo varonil que com justificável júbilo oscula o auriverde pendão da minha terra que a brisa do Brasil beija e balança. Bom é saber que por terem sido publicadas com numerário advindo de verba oficial, as três revistas estão sendo vendidas por preço mais que acessível, sendo que a renda angariada será totalmente revertida em favor da ONG Centro Comunitário Batista Soteropolitano . Os amantes dos quadrinhos interessados podem adquirir por módicos R$12,00, todos os três exemplares de Em Terras Americanas ali na KATAPOW (Av. Octávio Mangabeira, Edifício Privilege, loja 7, Pituba) e na RV CULTURA E ARTE (Av. Cardeal da Silva, 158, Rio Vermelho), localizadas ambas nessa cidade de Salvador, Bahia, espaços especializados na venda do que há de melhor no universo dos quadrinhos. Os leitores que não moram em Salvador ou mesmo os que não têm tempo de passar em uma das lojas citadas, podem encomendar seus exemplares pela Internet enviando o pedido em e-mail para editora@estudiocedraz.com.br. Nesse caso o preço é R$18,00, com o frete incluso. Enquanto você não adquire seus exemplares, uso de minha proverbial generosidade para permitir que você, leitor amado, possa aqui prelibar alguns momentos de Em Terras Americanas. 

Em Terras Americana: três álbuns de quadrinhos feitos na Bahia :

Para um cartunista e desenhista de HQs nada como começar o ano com uma realização das boas. Depois de ralar muito rafeando, layoutando, desenhando, apagando, redesenhando, artefinalizando e colorindo, ver o trabalho publicado, poder manusear pessoalmente o resultado de tanto esforço é sentir o peito palpitando de felicidade, borbulhando da mais insopitável alegria ab imo cuore. Para o gáudio de toda a equipe que trabalhou na trilogia de quadrinhos Em Terras Americanas, é chegado o momento feliz de comemorar devidamente a grande vitória que é ver o trabalho editado, publicado, lançado, estando à disposição do público leitor. Uma vez mais quero frisar que Em Terras Americanas é uma produção totalmente baiana, do argumento inicial à publicação, passando pela roteirização, rafeamento, desenhos, colorização, produção e editoração. A concretização dessa trilogia aconteceu pelo fato do trabalho haver sido selecionado pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, através da Fundação Pedro Calmon, tendo sido publicado com recursos do Fundo de Cultura do Estado da Bahia. Bancar com dinheiro próprio uma produção dessas é um sonho fora do alcance de qualquer artista, a menos que ele seja o filho queridinho de algum magnata qualquer disposto a concretizar os sonhos do amado herdeiro. Pai da idéia dessa trilogia, o responsável pelo projeto é Tom S. Figueiredo, escritor amplamente premiado, argumentista e roteirista de HQs com larga experiência com os quadrinhos. Tom escreveu o argumento, roteirizou e fez os rafes. A Paulo Setúbal, que além de ser galã de novelas mexicanas é também o retumbante factótum deste bloguito, coube a missão de fazer os desenhos a lápis e os finalizar com nanquim em uma maratona que durou um bom par de meses. As cores são produto da competência de outro profissional experiente em HQs, Vitor Souza, com uma trajetória de mais de uma década colorizando personagens para o Estúdio Cedraz.  A Coordenação de Produção do Projeto ficou a cargo do mais que dinâmico Paulo Milha, a Gráfica Santa Bárbara encarregou-se da impressão e a editoração coube à Editora Cedraz, sendo editor o próprio Antonio Cedraz, em um dos últimos trabalhos que realizou em sua vida tão amorosamente dedicada aos quadrinhos, sua grande e insuperável paixão artística. Como foram publicadas com numerário advindo de verba oficial, as três revistas estão sendo vendidas por preço mais que acessível, sendo que a renda angariada será totalmente revertida em favor da ONG Centro Comunitário Batista Soteropolitano . Os amantes dos quadrinhos podem adquirir por módicos R$12,00, todos os três exemplares de Em Terras Americanas ali na KATAPOW (Av. Octávio Mangabeira, Edifício Privilege, loja 7, Pituba) e na RV CULTURA E ARTE (Av. Cardeal da Silva, 158, Rio Vermelho), localizadas ambas nessa cidade de Salvador, Bahia, espaços especializados na venda do que há de melhor no universo dos quadrinhos. Os leitores que não moram em Salvador ou mesmo os que não têm tempo de passar em uma das lojas citadas, podem encomendar seus exemplares pela Internet enviando o pedido em e-mail para editora@estudiocedraz.com.br. Nesse caso o preço é R$18,00, com o frete incluso. Em Terras ­Americanas foi feita com especial carinho por profissionais que amam os quadrinhos e é um marco histórico na arte sequencial produzida na Bahia. Você, leitor amante das boas HQs, certamente irá curtir muito e reservar para essas revistas um lugar especial na sua quadrinhoteca particular. 

11 janeiro 2016

Jorge Amado, Rio Vermelho e o escritor GustavoTapioca.


Gustavo Tapioca é jornalista da melhor linhagem. De um tempo em que jornal que se prezasse tinha que comportar em suas fileiras jornalistas autênticos, o que significava ser um profissional com consciência social e política, brios, coragem e acima de tudo, saber escrever bem. Nada a ver com um magote de vaquinhas de presépio que se limitam a reproduzir os releases que recebem de fontes pouco fidedignas, ou os descompreendidos  que tomaram de assaltos as redações para divulgar coisas que pouco ou nada têm a ver com a verdade dos fatos, servindo apenas para privilegiar os já mui privilegiados. E fazem tudo isso com uma naturalidade assombrosa, julgando-se acima do bem e do mal, convictos de que todos assimilam tudo de errado que eles articulam e veiculam. Bem, um enorme contingente de pessoas engole as informações que recebe numa boa. Mas nem todos. Quanto ao domínio da escrita, é justamente por bem saber escrever que há uns dois anos Gustavo Tapioca lançou seu livro Meninos do Rio Vermelho, um memorial inspirado de quem foi, ainda infante, vizinho de Jorge Amado, personagem onipresente em suas memórias nas páginas desse livro que vale a pena você, leitor atilado, conferir para se deliciar com uma Bahia solar, apaixonante e tão cheia de agradáveis surpresas como o texto de Gustavo, que aliás me brindou com o honroso convite para fazer as ilustrações, convocação que aceitei com júbilo adolescente. Aproveitei para fazer uma homenagem a Floriano Teixeira, fabuloso ilustrador e artista plástico, também morador do Rio Vermelho. Estou certo de que o dia que este livro chegar em mãos certas, vira minissérie televisiva ou filme de sucesso. 
**** O link para o leitor que estiver interessado em adquirir um exemplar é: http:/gustavo.tapioca@gmail.com 
(30/07/09)