11 novembro 2016

O maior dos poetas menores / Setubardo, frente e verso.

Quando, na antiga Grécia,
Peripatéticos mestres
Iniciavam seus pupilos na poesia,
Não podiam sequer desconfiar
Que num futuro solar,
Um belo dia,
Em Candeias, cidade da Bahia,
O Poeta dos Poetas surgiria.
Quando os parnasianos versejavam
Faziam versos exatos, passo a passo,
Utilizando esquadro e compasso,
Medindo com régua suas rimas
Sem saber o que no Olimpo, lá em cima,
Minerva, deusa da Sabedoria,
Ligada na internet já sabia
Que em Candeias, Bahia,
O poeta Setubardo adviria.
Já fui chegando de olho bem aberto
E um esculápio tirado a esperto
Me deu uma palmada, pura covardia,
Só para ver se eu choraria.
Vê-se que tal pulha não me conhecia,
Isto é certo
Pois pra espanto de quem estava perto,
Ao invés de chorar, declamei uma poesia.
A primeira mamadeira a gente nunca esquece
E quando ela veio
Com indesejável recheio,
Bradei à minha genitora frase ferina:
"Qualé, Dona Celina?! 
Eu só quero papa fina:
Na minha mamadeira, 
Quero Drummond, Pessoa e Bandeira,
Dispensa essa vitamina de banana,
Me traga Baudelaire e Quintana."
Assim foi que eu cresci,
Muitos versos digeri.
Mastiguei e degluti
Do desjejum ao jantar
E na merenda escolar.
O meu almoço, seu moço,
Era todo dia
A mais concreta poesia.
Em Candeias, me iluminei
Em Santo Amaro da Purificação, me purifiquei
Em Salvador, me salvei.
Hoje eu sou Setubovski,
Sou Quintanúbal,
Sou Setusto dos Anjos.
Minha lira eu tanjo
E nessa vida maluca
Refresco minha cuca
Fazendo versos na raça
Que recito na praça
De qualquer cidade.
Contra a mediocridade
Dessa gente de mente vazia,
Poesia, poesia, poesia e poesia!
(010108)