08 fevereiro 2017

Ramona Fradon, uma desenhista de quadrinhos norte-americana, e seus desenhos maravilhosos / Texto 1.


O mundo das Histórias em Quadrinhos, como qualquer manifestação ou segmento da nossa sociedade, artístico ou não, traz em si sinais evidentes do comportamento humano predominante, sejam positivos ou negativos. Jornais, revistas e TV quando noticiam ou deixam de noticiar qualquer coisa fazem a notícia chegar ao público com as marcas de suas influências, forma de pensar, conveniências, seus interesses comerciais e políticos. Por vezes não noticiar algo também é indicativo claro desses interesses sejam individuais ou de grupos, que no mais das vezes não correspondem aos interesses da população.  Não fosse isso o bastante, ainda há nas coisas veiculadas sinais indicativos do pensamento pessoal, individual de quem escreveu o texto a ser veiculado ou do editor que determinou o tipo de enfoque a ser dado na matéria ou artigo a ser publicado. Para uma multidão de leitores desatentos ou mesmo alienados, tais coisas passam despercebidas. No entanto, há os mais antenados, os atentos, os que leem além do que geralmente se publica, que sabem perceber as coisas contidas nas entrelinhas ou decifrar verdades na forma como foi escrito um texto. Assim é que ódios diversos, preconceitos religiosos ou de cor ou de etnia ou de gênero costumam ser engolidos, consumidos, digeridos, assumidos por milhões de pessoas mundo afora, sem serem filtrados pela mente, com a necessária atenção e bom-senso. E esses ódios e preconceitos são digeridos de forma muito rápida e quase instantaneamente se instalam nos cérebros desses seres mais desavisados. Pessoas assim não conseguem enxergar nos textos e notícias veiculados o racismo, a misoginia, a homofobia,a exclusão social, o reacionarismo, as palavras de ordem do extremismo, a exaltação de líderes nefastos, a propagação de ideias repletas de aberrações sociais e políticas ou coisas menos graves mas, ainda assim, nocivas. Evidentemente um assunto tão complexo como esse não se esgota em uma pequena postagem como essa. Longe, muito longe disso. Mas esse meandro todo serve para colocar em questão o tratamento diferenciado e injusto dado às profissionais mulheres em relação aos homens. E aí volto às histórias em quadrinhos, já que quero me referir especificamente a uma profissional dos quadrinhos de altíssima qualidade, dona de uma extensa e extensa produção dentro do universo da chamada Nona Arte. Essa profissional, uma norte-americana, chama-se Ramona Fradon. Quem?!?, é a pergunta que muitos quadrinhomaníacos se farão por saberem de cor uma extensa lista de nomes e nomes de famosos desenhistas de quadrinhos e  não terem jamais lido algo sobre essa extraordinária desenhista. Justamente porque o tratamento dado a uma mulher profissional não é o mesmo dedicado a homens, como na imensa maioria dos setores profissionais, artísticos ou não artísticos. Como se fosse natural, homens são endeusados e mulheres tratadas como seres que merecem apenas o papel de coadjuvantes e que devem se conformar com isso. Posto aqui alguns desenhos de Ramona para que vejam a fera que ela é e sempre foi. Certamente a reação de muitos será de surpresa ao ver que, sim, já conheciam e admiravam tão lindos desenhos, apenas não sabiam se tratar de uma mulher. Não uma mulher qualquer, uma mulher que provou ao longo de sua vasta e ininterrupta produtividade ao longo de seus atuais 90 anos, que o talento e o poder de realização da bela e sempre amada arte das HQs não é um campo restrito a privilegiados do gênero masculino. Viva, Ramona Fradon com seu maravilhoso talento!
(26/08/16)