23 outubro 2015

Biratan, um cartunista com sangue índio nobre

Biratan! Grande Bira, paraense dos bão! Em suas veias corre legítimo sangue papa-chibé, o que está mais do que na cara, basta olhar seus olhos amendoados que ele herdou de seus nobres antepassados indígenas. Amigo queridíssimo, Bira é um virtuose no bandolim e - en passant - um dos cartunistas mais premiados neste globo terrestre nos Salões de Humor destas e de outras plagas. Curto fazer caricaturas dos amigos dos quais mais gosto. Biratan é um destes, amizade de longa data que a distância jamais fez diminuir. Nas vezes que calha da vida nos possibilitar estarmos juntos em um elevado tête-à-tête, lançamos mão da sapiência de bater papos saudáveis regados com algumas cervejotas que ninguém aqui é nenhum Tony Stark, o tal Homem de Ferro da Marvel Comics, que não pode sorver líquidos pois se enferruja à toa, à toa. Fiz esta homenagem em dose dupla que é o jeito que Bira gosta de sorver seus etílicos. Se quiser ver humor de qualidade, clique aqui neste link: http://biratancartoon.blogspot.com/
(Publicado originalmente em 29/03/2012)

19 outubro 2015

O homem no parque / Crônica Mente

        O homem sente a brisa fria do outono tocar seu rosto e vai despertando aos poucos de um sono pesado e longo. Com vagar seus sentidos vão se aguçando. Ouve vozes distantes. Risos adolescentes. Gritinhos femininos. Confabulações de velhos senhores. Não entende direito o que dizem. Esforça-se para enxergar de forma clara, mas suas retinas só captam vultos. Imprecisos. Inúteis. Quem são estas pessoas? Que querem? A cabeça do homem parece girar e é forte a sensação de estar saindo de um estado de letárgico. Ou acordando de um sono muito longo e pesado que ele sequer imagina quando começou.
      Aos poucos, felizmente, as coisas vão se tornando mais nítidas. As vozes mais audíveis. Os vultos vão tomando seus contornos humanos. Então ele vê. Está em um parque. Entretanto, embora a paisagem ao redor lhe pareça familiar, tudo o mais lhe é estranho. As pessoas estão trajadas com exóticas indumentárias. Os mais jovens parecem saídos de um mundo de ficção. São diferentes até no andar, no gestual, nas atitudes.
      Algumas crianças passam em grupo e aos gritos espantam os pombos que para fugir alçam vôo. Vários pousam um pouco mais distante e recomeçam a comer as migalhas que encontram pelo chão. Uma das aves vem pousar sobre o chapéu do homem. Instintivamente ele tenta espantá-la com sua mão esquerda mas ela não esboça movimento algum. Tenta agora com a direita e, aterrorizado, percebe que  ela tampouco atende ao seu comando. Sente-se como se estivesse num estado de cruel apoplexia. Um grito às suas costas desvia seu pensamento. Uma voz desesperada grita por ajuda e brada: “Pega ladrão!”
      O homem tenta virar-se o mais rápido que pode mas não consegue. Dá-se conta que traz à cintura uma espada. Procura levar sua mão até ela na clara intenção de empunhá-la em socorro da vítima mas, horrorizado, se dá conta que seus braços seguem estáticos. E seus antebraços, ombros, pescoço, pernas. Nada obedece ao seu comando. Nem mesmo o puro-sangue que só agora percebe estar montando e que parece tão imóvel quanto ele próprio. O homem  então desespera-se.  Quer gritar seu grito mais forte. Mas de sua garganta não escapa sequer o mais débil gemido. Tal é seu horror, seu desespero que de seus olhos brotam duas lágrimas. Nelas, diluída, sua dor.  Seus olhos marejados não conseguem distinguir bem dois vultos bem a sua frente. Mas seus ouvidos lhe dizem que se trata de uma mulher adulta e uma menina de cinco ou seis anos. Aproximam-se enquanto conversam.
      _Mãinha, quem é este homem montado neste cavalo enorme?
     _É o velho Barão de Itapuã, filhinha. Homem muitíssimo corajoso, que defendia nosso povo na luta contra os inimigos da nossa amada terra. Um verdadeiro herói, um patriota, tesouro da mamãe! Infelizmente hoje em dia existe pouca gente assim.
_Veja, mãinha! O homem está...está chorando!!
_Chorando?! Aonde já se viu, menina? Deve ser um resto de orvalho, querida. Você não sabe, minha doce criança? Estátuas não choram. 
(Publicado originalmente em 06 de fevereiro de 2013)

10 outubro 2015

J.Bosco, caricaturista: quem sabe faz ao vivo


Estas caricas todas aí foram feitas pelo J.Bosco. Olhá-las me fez recordar que num dia qualquer dos anos 80 Cárcamo me convidou para expormos desenhos e caricaturarmos ao vivo o público num novo e elegante Shopping Center que surgira em Salvador. Caricaturas pra jornais eu já fazia há uns milênios à sós em recônditos cantinhos de redação. Ao vivo, cercado por um mundo de curiosos, jamais fizera. Mas um convite de Cárcamo não se recusa. Topei e o resultado foi tão bom que nunca mais parei de fazer. Depois disso já trabalhei sozinho em eventos e também com outros caricaturistas, em jornadas que vão de quatro a até 7 horas. É um trabalho em que o profissional tem que ter olhar aguçado para bem observar os traços dos modelos e procurar ser o mais fiel possível ao retratar cada um. Tudo tem que ser feito de forma rápida, de maneira a não cansar quem está posando e procurando atender a demanda que é sempre grande. E esta rapidez não pode resultar em um trabalho mal feito, desleixado, executado de qualquer forma. Seu talento está ligado ao resultado final onde você tem que mostrar um trabalho bem acabado, um traço vistoso e limpo num desenho que as pessoas queiram guardar, emoldurar, exibir orgulhosas aos amigos. Eu já conhecia e admirava o trabalho de cartuns e caricaturas feitas para a mídia impressa pelo paraense J. Bosco, mas dando uma xeretada básica em seu site descobri lá essas belíssimas caricaturas feitas por ele ao vivo, ali na base do tête-a-tête, em eventos. Caricas que evidenciam um traço elegante, refinado e exata precisão ao retratar os rostos dos modelos, como se pode ver pelas fotos, todos sorrindo, felizes. E tem que sorrir mesmo, já que são uns felizardos pois a um só tempo conseguiram um original do J.Bosco e de quebra puderam assistir ao vivo um grande mestre em ação. 
*********Veja mais trabalhos em: http://jboscocaricaturas.blogspot.com/
(Publicado originalmente em 31 de março de 2011)