15 julho 2015

Comemorando aniversário com grandes amigos em Belém do Pará

Minha estadia em Belém do Pará como convidado do VII Salão de Humor da Amazônia encerrava uma oportuna coincidência. Um dos cinco dias em que eu ficaria na bela Belém era o dia do meu aniversário, 31 de maio. Comentei isso com Biratan Porto que logo confidenciou ao caricaturista J.Bosco. Vai daí que Bira, Bosco, Wânia, sua esposa, e Alllana Queiroz, tendo como cúmplice nessa história meu irmão Luiz Fernando Carvalho, organizaram para mim uma inédita festa-quase-surpresa no aconchegante apartamento de Biratan, um misto de lar e estúdio. Antes da festa, Luiz Fernando passou comigo em um bem suprido supermarket em que comprou umas garrafas de vinhos chilenos e um bom Vinho do Porto, já que além de amar os cartuns, apreciamos também as coisas boas da vida, afinal a gente não nasceu ontem. Chegando ao apartamento de Bira constatei de imediato que na festança que meus generosos e amáveis amigos me prepararam com tanto carinho quem ficaria muito à vontade seria o cantante e compositante Erasmo Carlos, o popular Tremendão, pois não era uma mera festinha, era uma festa de arromba, expressão que o músico usa em uma de suas canções para designar uma festividade memorável em que ele esteve. A sede era imensa e para aplacá-la fomos de cara abrindo uma garrafa de uma outra variedade de belo e capitoso vinho chileno que Bira comprara, não sem antes certificar-se de que se tratava de uma safra pré-Pinochet, bem mais salutar. Dois belíssimos bolos foram providenciados. Um era virtual, criativa e hilária brincadeira do Biratan, mostrando uma caricatura de minha fina estampa feita por ele no seu PC, em que eu soprava velas sobre um bolo que indicavam que eu estaria completando 66 anos de idade, sacanagem do Bira que sabe muito bem que eu tenho pouco mais que a metade disso, o que mostra que mesmo os grandes amigos têm seus momentos malafaios. Quanto ao outro, era um bolo de fato, um lindo, maravilhoso e mais que delicioso bolo de chocolate para chocólatra nenhum botar defeito. Os convivas foram chegando e entrando logo no clima e ao final boa parte da mais fina flor do cartunismo brasileiro lá estava pra se divertir na patuscada. Presentes no local meu inigualável hostess, Biratan Porto com seu indefectível Panamá na cuca, e os cartunistas Waldez Duarte, André Júnior, Mario Alberto, Orlando Pedroso, J.Bosco and family, Wânia e Allana Queiroz. Meu irmão gêmeo, que reencontrei em Belém, Luiz Fernando Carvalho, que é cartunistólogo e caricaturistólogo, além de um dos eficientes organizadores do Salão de Humor lá estava me alegrando e dividindo esses momentos de tão transbordante emoção. Todos nos divertimos à beça, bebemos muitos vinhos bons, cervejotas no capricho, comemos petiscos que o próprio chef Bira preparou com esmero, rimos a alto e bom som e ainda por cima nos divertimos com a verve de Bira que, versado em artes anfitriônicas, animou ainda mais o ambiente contando causos hilariantes para o divertimento e a felicidade geral da galera presente. Sim, senhoras e senhores, o Tremendão Erasmo Carlos haveria de se esbaldar nessa fuzarca. E por participar dela haveria de agradecer muitíssimo comovido. Muitíssimo, mas bem menos que eu. 
Na foto acima, Luiz Fernando Carvalho, André Abreu, Waldez Darte, Biratan Porto, Mario Alberto, Orlando Pedroso, J.Bosco e Wânia Queiroz, consorte do graaaaaande J.Bosco. Logo abaixo, a foto da discórdia. Meu coração generoso já perdoou a atitude insidiosa do Biratan.

Diário de bordo:eu e Jerry Adriani em dueto nas nuvens indo para Belém

         Consta que o primeiro dos homens foi feito com uma porção de barro pelo Todo Poderoso, que como se vê tinha lá suas veleidades de escultor.  Tendo sido criado, esse primeiro ser da espécie não ganhou a chave da casa própria pelo BNH, ganhou coisa bem melhor, o direito de morar de graça em um verdadeiro Paraíso. O papo que rola por aí é que esse primeiro homem não ficou lá muito satisfeito com o divino presente tendo em breve tempo se cansado de bater perna pelos rincões paradisíacos. Ponderou ele que aquilo ali até que era bom mas era também um tanto insípido e fatigante. E pensou que seria bom se pudesse voar. Isso virou uma verdadeira obsessão para o homem que só sossegou no dia em que ele inventou o avião e o check in. Para quem há pouco tempo não passava de um montículo de barro, criar o avião e a aviação foi um progresso notável, pois desde que o tal invento não invente de cair e se espatifar no chão, não existe coisa melhor nesse mundão todo. No avião que sigo para Belém indo participar como jurado do VII Salão de Humor da Amazônia,tudo corre maravilhosamente bem e o céu é de brigadeiro - qualquer um menos o Burnier, de triste memória para a Democracia. Desço em Brasília, espero outra aeronave da conexão. Tudo segue correndo numa nice, eu ali de boa, sentado próximo ao Gate 4, quando avisto ninguém menos que Jerry Adriani, cantante que marcou época no Movimento Jovem Guarda, liderado pelo Rei Roberto Carlos. Está ao lado de um grupo que carrega cases com seus instrumentos musicais e conversa de maneira simpática com todos que a ele se dirigem, tira algumas dezenas de selfies com umas fãs que também o reconheceram. Vou em busca de um pãozinho de queijo a título de lanche e quando percebo Jerry está ao lado fazendo seu pedido à moça do caixa. Não deixo passar batido a oportunidade e o abordo, digo umas quantas palavras que ele ouve, receptivo, simples, afável, a simpatia em pessoa. Despeço-me, agradecendo. Por coincidência ele também está indo para Belém no mesmo vôo que eu e acabamos por nos encontrar algumas vezes, ele entabula conversa, digo que sou da Bahia. Falamos sobre música em geral e sobre axé music e ele me diz do caráter excludente desse ritmo para muitos profissionais da área, fala que ela praticamente monopoliza o mercado musical, sendo necessário esforço enorme para cantores de outras tendências musicais conseguirem contratos de shows para se manterem com seus trabalhos. Digo-lhe que esse é um problema que também atinge fortemente músicos da própria Bahia que perdem em visibilidade e espaço de atuação. Papeamos sobre amigos e conhecidos em comum, como Waldir Serrão, o Big Ben, roqueiro das antigas. O papo prossegue já dentro da aeronave. A empatia foi tamanha que em dado momento, para encantamento das charmosas comissárias e dos demais passageiros, em pé, no corredor do avião, entoamos um dueto cantando um dos hits do meu agora velho amigo, “Doce, doce amoooooor...”. Jerry é profissional do canto, mas quando decido brindar as pessoas com meus dotes canoros, faço bonito, não tem prá ninguém. Repentinamente toda a tripulação e os demais passageiros entraram no clima, se puseram a cantar conosco e o ambiente fazia lembrar um daqueles filmes musicais hollywoodianos. Maravilha das maravilhas. Só quando pisei em solo belenense é que me ocorreu fazer uma selfie registrando para a posteridade meu encontro com Jerry Adriani. Se o habitante do Éden, o primeiro dos homens, estivesse a bordo haveria de sorrir, satisfeito e orgulhoso de seu inventivo invento.

Minha viagem para o VII Salão de Humor da Amazônia, Biratan Porto, amigos, Belém

Eis que um anjo de fulvas melenas adentra meu modesto lar e me anuncia que em breve eu haveria de visitar Belém, um sonho que tantos sonham e acabam ficando apenas no sonhar, que Deus tem lá seus imperscrutáveis desígnios e não nos cabe a nós, míseros mortais, questionar suas divinas decisões.  Tendo cumprido sua missão, sai de cena o anjo com suas alvinitentes asas e eu passo a contar os dias que me separam do momento de embarcar para Belém em outras asas que não as do anjo-mensageiro, as asas da Panair. Ou no mínimo em qualquer bom avião de carreira. Vem chovendo copiosamente todos os dias na minha Bahia de Todos os Santos e Orixás, entanto no dia do meu embarque o céu é de brigadeiro e nos ares me sinto tão maravilhoso e seguro qual um Aladim voando em seu confortável tapete mágico.  Uma honraria maior me acompanha nessa viagem: estou indo a Belém para me encontrar pessoalmente com o Nazareno.  Nesse momento cumpre-me esclarecer a você, caro leitor, que a Belém a que me refiro não é aquela que consta nos mapas atuais como situada na Palestina, e que era há 2000 anos apenas uma pequenina cidade próxima ao deserto da Judeia em que, segundo a Bíblia, nasceu ninguém menos que Jesus Cristo. A Belém a qual me refiro trata-se de Belém do Pará, cidade linda e aprazível, onde um povo pleno de calor humano habita.  Ah, e o Nazareno a que faço menção também não é o mesmo Jesus Cristo, convém deixar bem claro, trata-se do meu amigo Biratan Nazareno Porto, cartunista dos mais brilhantes do Brasil e desse vasto mundo. Pois foi esse meu piramidal amigo quem me telefonou formulando, em nome do Salão de Humor da Amazônia, o convite para viajar até sua terra com o precípuo escopo de integrar um júri formado por gente ligada aos cartuns tendo por objetivo de selecionar os premiados desse que é o VII Salão de Humor da Amazônia. De quebra, ficou combinado que eu ministraria uma oficina para falar aos inscritos sobre a arte da ilustração, como criar, que técnicas utilizar. Além do mais eu deveria integrar a mesa de um oportuno debate aberto ao público para falar sobre Liberdade de Imprensa, tema motivado pelo recente ataque terrorista ao jornal Charlie Hebdo e seus cartunistas. Tais encargos para mim são, em verdade, motivo de júbilo e de prazer vez que enxergo a profissão como uma realização pessoal, um lazer, uma forma de expressar meu pensamento diante das coisas do mundo.  Participar in loco de Salões de Humor sói proporcionar a alegria de encontrar amigos de longa data e de conhecer pessoalmente gentes que militam na área do cartum, saber suas opiniões, suas formas de encarar a profissão em comum.  E eis que na terra natal de meu ídolo, Doutor Sócrates, de Pinduca, Gabi Amaranto, Fafá de Belém, do Paysandu e do Remo revi confrades queridos, conheci novos amigos, a oficina foi um sucesso, o debate foi esclarecedor, os melhores do Salão foram premiados e eu, ah!, eu fui recepcionado da mais carinhosa maneira e vivi dias belenenses dignos de monarca.
Na foto de cima, eu ao lado dos meus talentosíssimos amigos J.Bosco e Biratan Porto. Na de baixo, flagrante de momento em que escolhíamos os melhores trabalhos do VII Salão. Da esquerda para a direita -no bom sentido, no bom sentido! - Waldez Duarte, Orlando Pedroso, Setúbal, Mario Alberto( tão encoberto que só dá para ver a ponta de sua brilhante cuca ), Natália Forcart e de costas, meu irmão gêmeo, Luiz Fernando Tavares.

04 julho 2015

Sketchbook 01 / Um rosto enigmático em traços rápidos

Quem tem o desenho como meio de expressão, se vale de sketchbooks a toda hora para fazer estudos que serão - ou não - aproveitados mais adiante. E na falta dos sketchbooks, serve um sketchpapelão, um sketchpapeldepão e o que pintar na hora em que bate a vontade de experimentar, deixar a mão se divertir sem maiores compromissos. Aqui usei aquarela e um pincel fino. Gosto de tracejar com canetas descartáveis com nanquim, mas pincel é um material com o qual tenho sempre prazer de desenhar ou pintar qualquer coisa.
(Publicado originalmente em17 de novembro de 2010)

Aquarela, sketchbook e família em pose solene

No meu sketchbook, um monte de desenhos que jamais publiquei. São só estudos, divagações gráficas que podem servir de base para novos trabalhos de desenho ou pintura. Entre tais estudos, este aí, feito em aquarela bem manchada. Manchas à mancheia, como diria o vate. A temática surgiu inspirada em uma velha foto no meu álbum de família.

Sketchbook 03 / estudo de homem com camisa listrada

Trabalhar com computador é sempre gratificante. Mas são tantas as formas prazerosas de fazer um bom desenho que é bom experimentar um pouco de cada um de tais prazeres. Aquarela é sempre uma delícia. Ainda mais assim, manchadona, feita meio que com uma estudada falta de acuro. O lado bom de quem trabalha com desenho é que ele é ao mesmo tempo fonte de sobrevivência e um enorme e perene prazer.
(Publicado originalmente em 17 de novembro de 2010)