12 fevereiro 2017

J.Bosco, um caricaturista e seu livro de maravilhas

1. Lupicínio Rodrigues 2. Bertold Brecht 3. Martin Luther King
Fui agraciado esse ano com grandes e preciosos livros de assuntos, os mais diversificados: poesias, contos, crônicas, biografia, cartuns, caricaturas. E é justamente sobre um livro de caricaturas em especial que quero falar a vocês, diletos e amados leitores. Trata-se de uma edição primorosa, graficamente muito linda, contendo magnífica mostra da obra de J.Bosco, um artista do cartum, da charge, da caricatura e do grafismo, que veio ao longo dos muitos anos de profissão mostrando uma clara e incontestável evolução de seu trabalho - do traço à maneira de criar e definir seu desenho - até atingir o atual estágio em que se evidencia sua maturidade e os caminhos próprios que adotou para nos brindar a todos nós, seus leitores e fãs. O traço de J.Bosco tem algo do consagrado caricaturista Loredano. Só há mérito nisso, influências são coisas naturais na trajetória de qualquer grande artista na busca pelo seu caminho pessoal e essa ascendência certamente ajudou Bosco a criar seu trabalho pessoal, maduro, personalíssimo, tão consagrado hoje em todo o Brasil. Seu traço é bonito, suas hachuras são limpas e precisas, sua interpretação lança um olhar novo sobre personalidades já tão amplamente retratadas por outros consagrados caricaturistas. No livro, outra coisa digna de elogios é a cuidadosa seleção das 80 personalidades retratadas. Nada de subcelebridades, só o que há de melhor na música, na literatura, no cinema.  Desfilam pelas páginas do livro nomes como Pedro Almodóvar, Pixinguinha, Penélope Cruz, Cantinflas, Mazzaropi, Tarantino, Jackson do Pandeiro, Glauber Rocha, Groucho Marx, Jean Reno, Sean Connery e outras maravilhas que brindaram a humanidade com seus talentos. Um deleite para os olhos dos admiradores da nobre arte da caricatura, uma fonte generosa de prazer para todos que admiram essa forma de expressão. Eu poderia aqui dizer que Bosco está no apogeu de sua criativa carreira de caricaturista, mas teria que completar dizendo que isso é só por enquanto, a notável evolução do trabalho de JB seguramente vai levá-lo a patamares mais altos e seu traço se tornará ainda mais bonito e preciso, não tenho a mínima dúvida. Para dar uma idéia da excelência do trabalho bosquiniano, ressalte-se que a cultuada revista Gráfica, capitaneada pelo venerado Miran, recentemente dedicou uma de suas disputadas edições ao trabalho desse artista paraense, mostrando que a caricatura brasileira torna-se muito mais rica e admirada com a arte de J. Bosco. 
(Publ. orig. 29/11/15)