23 outubro 2016

Orangotango no tangolomango / Postagem no Facebook number 2

Densa e impenetrável é a selva que me cerca, indecifrável, ameaçadora, ruidosa. Dentre as miríades de ruídos meus ouvidos treinados distinguem o som dos tambores selvagens da amazônica tribo Papaxibé. Mister se faz aqui esclarecer que me refiro à única jângal que conheço, a selva de pedra da Big Apple, onde moro desde tenra infância, tendo aqui sido criado por um orangotango, primata assim chamado por gostar de ouvir o ritmo musical consagrado por Gardel. Quanto ao som de tambor trata-se meramente do toque do meu celular de última geração, presente que recebi do cacique Biratan, verdadeiro silvícola alencariano, espadaúdo e viril de fazer babar qualquer Ceci. Eis que ele me liga exigindo que eu poste mais 3 trabalhos meus no Facebook na qualidade de participante de um projeto envolvendo artistas gráficos. Pois aqui vão eles, preclaro morubixaba.

1. MACHADO DE ASSIS, cidadão brasileiro, mulato, considerado por muitos o maior escritor brasileiro de todos os tempos. Arte feita em papel Opaline, 180 gramas, grafite B, caneta de ponta porosa, cópia xerocada e pintada com ecoline, lápis Caran d'Ache, brilhos e luzes feitas com guache branco e pincel Kolinsky bem como com líquido corretor. Publicado no caderno cultural de uma gazeta.
2. MORTE DE LAMPÍÃO, uma fakexilo, que é uma simulação da arte da xilogravura, feita com guache branco sobre papel preto. Cansa bem menos do que esculpir a madeira com goivas. Ilustração para livro Dadá, do escritor e cineasta José Umberto Dias.
3. GLAUBER ROCHA E ANTONIO DAS MORTES, desenho feito com grafite B, caneta nanquim descartável, recortado e montado sobre retícula xerocada. Ilustração para livro.
(Publicado originalmente em 11/02/2015)