21 dezembro 2015

Glauber, Getúlio Vargas e Lorca em caricatura de Setúbal

Glauber, esse Etna baiano, Getúlio Vargas, que tanto marcou a História do Brasil, e Lorca, versejador maduro, apesar de tanto querer verde. Esta caricatura com essas magníficas figuras mostrei em exposição no I FHUBÁ, Festival de Humor da Bahia.
( Publicado originalmente em 28/05/12 )

11 dezembro 2015

No Planeta Futebol

O futebol é uma temática presente na vida da maioria dos habitantes deste país continental. E eu não fico de fora. Sempre que possível revisito o tema com meus pincéis e tinta acrílica sobre tela. 
( Publicado originalmente em 13/04/10 )

Cantoras, músicos e músicas

Cantoras e músicos visitavam constantemente as telas do cinema em memoráveis filmes noir. E estão sempre visitando as telas que pinto com tinta acrílica como esta aí.
( Publicado originalmente em 13/04/10 )

Expressionismo à italiana

Laura Tedeschi é uma talentosa artista italiana que mora na Áustria onde leva a vida a pintar com suas cores expressionistas. Vale a pena conferir o talento da ragazza em seu blog e em seu site no caso de vocês não terem tempo para pegar um avião e dar uma chegadinha em plagas austríacas para admirar de pertinho seu belo trabalho ao vivo e a cores, muitas cores. http://lauratedeschiarte.blogspot.com e www.lauratedeschi.com
( Publicado originalmente em 07/07/10)

Rockeando ando

A vida de cada um de nós tem uma trilha sonora qual as que vemos nos filmes. Ela vai sendo editada à medida em que vivemos. Uma pitada de música infantil, de samba, tango, música de suspense e até - Deus nos livre - da marcha fúnebre. Na trilha musical da minha vida não entram duplas argh- sertanejas destas que vendem bilhões de discos no Brasil, nem grupinhos ditos de pagode, que pagode não é, pagode mesmo é outra coisa. Em compensação entram Zeca Baleiro, Daúde e também um rock'n roll para agitar geral, vez que esta vida rápido passa e rockear é preciso.
(15/05/10)

09 dezembro 2015

Praias da Bahia, queijo coalho, cerveja e uma meninada que já batalha

Por mandos e desmandos de uma gente mui canalha, aqui nessa afrobaiana metrópole denominada Soterópolis, o desemprego é uma constante e os soteropolitanos das camadas econômicas mais desapetrechadas do metal vil que ninguém mais viu, viram-se como podem. Sendo assim e assim sendo, enquanto em dias solares, bebericando cervejotas, muitos, com narcisistíco escopo, buscam adquirir um êneo tom epidérmico expondo-se ao sol, magotes de meninos da periferia caminham entre as barracas das praias mercando queijo coalho, que é derretido na hora à vista do cliente. Para tanto levam em uma mão uma bandeja com o dito queijo ainda cru, e na outra uma lata cheia de carvão dotada de uma alça de arame que eles balançam no ar para avivar a brasa, qual um turíbulo que os coroinhas agitam em missas ou em procissões. Com o calor daí advindo, os guris conseguem - à vista do cliente - preparar a iguaria queijocoalhística. Se a brasa não cair em cima de sua impoluta pessoa já meio tostada pelo sol e se você não tomar uma latada nas fuças, deve louvar fato de ser um vivente de sorte e aproveitar, pois o queijinho coalho é acepipe dos melhores, gente boa! 
( Publicado originalmente em 24/07/2011 )

03 dezembro 2015

André Costa Nunes emociona em seu livro que fala de indios, seringueiros e outros brasileiros

Niti, curumim em corpo de cunhã. Niti feliz, mergulhando nas águas de rios e igarapés, cuidando de seus xerimbabos e de seus filhos com igual carinho, amando na rede o seu bravo guerreiro em noites de luar. E rindo, rindo muito, como sempre riam os seus, porque amavam esse mundo verde que Tupã criou e deu a eles de presente com caça e pesca abundante. Um dia - há sempre um dia - chegaram estranhos invasores brancos que de árvores extraíam o látex. E chegaram tirando do povo de Niti o alimento, a liberdade, seus risos, as suas vidas. Foi inevitável: logo a cor clara do látex se tornou vermelho como sangue. Índios mataram brancos que buscavam expulsá-los de seus antigos territórios, do que sabiam ser deles, rios, caça, pesca, vida. Brancos mataram índios, a quem diziam inamistosos, hostis e cruéis assassinos. O silêncio da floresta foi quebrado pelo espocar de tiros, silvos de balas e pelo impacto das bordunas esmagando crânios. Os embates menores eram prenúncios de uma batalha de grandes dimensões, cruenta, talvez definitiva. Niti, curumim e cunhã, inerme, desnorteada, deslocada em meio a uma guerra desigual em que se dispara mortalmente contra cunhãs e curumins. Prevaleceu uma astuciosa e rústica tática militar em uma memorável batalha ou tudo não passou de um condenável e impiedoso massacre? Leia e julgue você mesmo, leitor. Tais acontecimentos estão esplendidamente descritos no livro A Batalha do Riozinho do AnfrísioUma história de índios, seringueiros e outros brasileiros, do escritor paraense André Costa Nunes. Quem ler esse livro escrito por quem sabe tão bem descrever personagens, locais e acontecimentos, reais ou ficcionais, não ficará indiferente, será tomado por intensas emoções de dor ou de alegria, e se verá transportado para os ambientes da majestosa selva amazônica, palco das portentosas ações, vivenciando cada momento descrito como se ali estivesse. Para os interessados em desfrutar dos prazeres dessa boa literatura, os contatos do autor são: xipaia@ibest.com.br e andrecostanunes@gmail.com

25 novembro 2015

Biratan Porto, Setúbal e a foto da discórdia em Belém do Pará

Belém do Pará, dia 31 de maio do corrente ano. Esta foto registra o instante em que eu, no larestúdio do cartunista Biratan Porto, sopro um virtual bolo de aniversário, de um dos lados da imagem, enquanto a carica de minha augusta pessoa feita pelo Bira ajuda soprando do outro. Isso foi algo que eu e Bira criamos na hora e ele clicou para a posteridade. Essas ideias inusitadas surgem do nada da cuca de quem trabalha com humor, uma gente - não por coincidência – mui bem humorada e que leva a vida buscando criar para si e para os que os cercam, momentos felizes, plenos de riso. Só um deslize cometeu o Bira, e não estou falando do físico de bebedor de cerveja que ostento no desenho que ele assaz sordidamente fez. Refiro-me, sim, ao fato dele haver colocado na imagem a ideia de que estou colhendo 66 primaveras no jardim de minha existência, quando em verdade, tenho pouco mais que a metade disso, acreditem querendo, pios leitores. Somos humanos e, portanto, sujeitos a ser tentados pelo coisa ruim a cometer atos malafaios como o que, em momento de fraqueza, foi praticado por esse meu amigo de fé, irmão, camarada. Todos sabem muito bem sabido que Bira habitualmente é um perfeito gentleman, um cavalheiro, um pró-homem, sempre lhano, cordato,  pleno de bonomia e eu, alma nobre que sou, já o perdoei do fundo do meu coração corintiano. 

Floriano Teixeira, mais desenhos e cores

Não me canso de admirar os desenhos de Floriano Teixeira. Ô cabra bom de desenho! Que traço, que sensualidade e elegância contida em cada linha, que humor refinado na criação de cada cena e personagem. E que saudade de amigo tão talentoso, tão fantástico artista, tão magnífico ser humano.

J. Bosco, novos trabalhos de caricaturas

1.Fassbinder, cineasta 2. Ron "Hellboy" Perlman 3. Mazzaropi
Não faz muito postei aqui um comentário sobre o trabalho de caricaturas do J. Bosco, profissional que de sua base em Belém do Pará envia para o mundo sua arte magnífica. Dizem que o brasileiro é um povo sem memória, mas tal assertiva não se aplica aos meus mnemônicos leitores que, indubitavelmente, trazem bem viva na lembrança a referida postagem, que por sinal mostrava alguns belíssimos trabalhos do Bosco. Para que ninguém ouse me chamar de somítico, preparei esta nova postagem com que os brindo com mais um lote dos notáveis trabalhos bosquinianos, já que é para o bem do povo e felicidade geral da nação.

24 novembro 2015

Caricatura de Setúbal feita por Jim Hopkins cria embaraço diplomático entre os EUA e o Brasil, / Pintando o Set 10

Infindáveis aplausos venho angariando devido à postura dignificante que tenho adotado perante o sórdido proceder de alguns caricaturistas deste patropi abençoá por Dê que em telas e papéis tem tratado de forma abjetamente canalha a minha augusta pessoa. Relevado tenho eu com a galhardia de um autêntico monarca tais repugnantes procederes. Mister se faz entretanto que eu aqui confesse que algumas vezes foi imperioso que eu usasse de marcial rigor para com alguns mais abusados aplicando com necessária severidade uns salutares catiripapos ao pé do escutador de pagode de tais debochados debuxadores. Cartunistas e caricaturistas só são valentes quando entrincheirados em cima de uma prancheta. Longe dela são uns ratos desprezíveis e uns pulsilânimes como o é o paraense J.Bosco que, célere qual um Usain Bolt, tratou de queimar um depreciativo portrait charge meu que ele havia rabiscado e photoshopado, em pânico com a possibilidade - nada remota, frise-se - de receber demolidora contraporra entre os cornos lá dele. Comigo é assim e, assim sendo, custou mas logrei botar ordem na casa neste Brasil varonil de Gugu e Clodovil. Ah!, mas ancho é meu padecer, meus caros Biratan, Paulo Caruso e Gonzalo Cárcamo. Para meu grande pasmar descubro que o complô orquestrado contra meu nobilíssimo ser ultrapassa as fronteiras tupiniquins. Por atentos informantes, da Big Apple chega-me às mãos esta caricatura minha feita pelo artista novaiorquino Jim Hopkins. Em primeiro lugar, Hopkins para mim só o Anthony, que é britânico de nascimento. Em segundo, meu caro Obama, antes que uma séria crise diplomática sem precedentes se instaure entre nossos países vá tratando de cortar as asinhas desse Mr. Hopkins. Nós por aqui já engolimos silentes rotundos batráquios vindos dos states via Kioto e Copenhagen. Mas tudo tem limite. O povo deste país que vai pra frente não permitirá jamais que imperialista algum escarneça de autênticos símbolos tupiniquins tais quais Pelé, Tiririca, Maria da Vovó e eu. Watch your step, man!
**** Caricaturas e outros magníficos trabalhos de Jim Hopkins - que além de talentoso é um cara legal - podem ser vistos clicando nestes links: http://mugitup.blogspot.com/ http://icecreamnobones.blogspot.com/
(Publicado originalmente em 25/01/1'3)

23 novembro 2015

Jim Hopkins, um formidável caricaturista norte-americano


Bons artistas devem ser lembrados sempre e sempre. Seus trabalhos nos trazem prazer, alegria e toda sorte de bons sentimentos. Já fiz uma postagem anterior falando do caricaturista e ilustrador Jim Hopkins, um cara cujos desenhos tive o prazer de descobrir navegando na Net. Como gostei demais do trabalho dele e também sou fã destes dois caras aê - Harvey keitel e Dennis Blue Velvet Hopper - vou postar de novo os links para você ir lá, dar uma olhada e se deliciar com a arte do great, incredible and amazing Jim Hopkins. http://mugitup.blogspot.com e http://icecreamnobones.blogspot.com
(Publicado originalmente em 01/12/13)

20 novembro 2015

Deus é Fiel porque o Corinthians é Divino

(Publicado oroginalmente em 04/01/2013)

19 novembro 2015

Nildão, plugado e lançando um livro digno de estátua.

Reiteradas vezes aqui nesse majestoso bloguito já afirmei o quanto gosto da arte que é feita pelo Nildão, artista maior dessa soteropolitana city. Ou melhor, gosto das artes dele, que Nildão é um cara de múltiplos talentos, é um multimídia, um artista atuante, inspiradíssimo, inovador, um talento raro. Recebi convite para um novo evento de Nildão e como sobejamente os amo, prezados amigos leitores, vou logo repassando aqui para que vocês também possam desfrutar da notável talento desse artista bom de cartum, de grafite, de designer, de hai-kai, de quadrinhas e de quadrinhos.   
Nildão é atração do Conversas Plugadas e lança livro no Teatro Castro Alves 
No próximo dia 3 de dezembro, quinta feira, o projeto Conversas Plugadas recebe o cartunista e designer Nildão para um bate-papo com a plateia às 19 horas no Foyer do Teatro Castro Alves. Nessa segunda edição do projeto em 2015, Nildão é o convidado para falar de sua trajetória de mais de 30 anos desenvolvendo trabalhos em múltiplas linguagens como cartum, grafite, design e poesia. Após o bate-papo, Nildão receberá o público para o lançamento da reedição de seu livro de cartuns “É duro ser estátua”. Segundo Nildão, que não publica cartuns há muito tempo, “esse livro é uma síntese do meu trabalho como cartunista, onde o lírico e a delicadeza dialogam com a arrogância e a sanha destruidora da natureza humana.”   
O que: Conversas Plugadas com Nildão, seguido de lançamento do livro de cartuns “É duro ser estátua”. Onde: Foyer do TCA. Quando: Dia 03 de dezembro, quinta –feira, às 19 h. Ingressos: Entrada gratuita, convites na bilheteria do TCA até 30 minutos antes do início. O livro será vendido ao preo promocional de lançamento, R$30,00. Informações: Pelo fone (71) 99184 1822 ou pelo e-mail alice@nildao.com.br com a Alice Lacerda – Produtora Cultural.

16 novembro 2015

Ela tem estilo

Em algum momento da vida todos nesse mundo, mundo, vasto mundo sentem a sensação de haver ficado fora de moda. Ela nunca. Nem pensar. Jamais ultrapassada, cafona, demodée, suas mãos são feitas de seda, sua epiderme é do mais macio tecido que alguém já pôde tocar. Esse planeta azulzinho é todo ele uma passarela infindável por onde ela, segura, desfila seu garbo, sua classe. Jamais perde a linha. Sem pedantismo ou arrogância, desencanada, sua simplicidade é modal. Em matéria de sedução, nunca é mini, é sempre maxi ao máximo. Usa évasée, sem ser evasiva. Sua blusa suscita expectativas maliciosas: tomara que caia, tomara que caia! Quando sai à rua com seu vestido grená ela mexe com o juízo do homem que vai desenhar. Jesus me defenda! Ai de mim que sei bem - ah, e como sei! – o que há debaixo daquele seu vestido de bolero-lero-lero, valei-me, meu Senhor do Bonfim! Pouco ou nada posso dizer de suas rendas, mas assevero que onde quer que esteja esbanja estilo. Bem mais que estilosa, é uma estilista. E das mais recomendáveis. Ao seu toque, uma singela tesoura vira tesouro. Mal ela chega ao seu atelier, os manequins da vitrine ficam indóceis, se alvoroçam e não há quem os contenha.  Afinal, ela é uma linda e rara rosa, feita de negro veludo, viçosa e cobiçada. Quanto a mim, sou só um prosaico cravo que já enfeitou algumas lapelas em efemérides festivas. Malgré tout, ornamos. Um dia, deu-lhe na telha e cobriu-me a mim com seus delicados atavios e do meu linho bruto fez um terno. Meu coração se tornou uma festa, daquelas elegantes às quais se vai de fraque, luvas, cartola, black-tie. Convidei-a para entrar, não por mera etiqueta mas por sincera vontade. Limitou-se a sorrir e com seus dedos delicados, sem um dedal protetor, valendo-se de agulhas e carretéis, sem medir consequências costurou minh’alma à sua, ponto por ponto, atando-me com suas linhas. Desde então desconfio que me tornei uma das peças integrantes de suas muitas coleções, talvez outono/inverno, quiçá primavera/verão. Sei que não é pouco. Partindo dela, vale muitíssimo. É como abiscoitar o prêmio Agulha de Ouro da Alta Costura em Milão.

12 novembro 2015

Biratan Porto, Belém do Pará, Flavio Colin e uma nova tradição

 
Coisa impensável entre católicos praticantes e juramentados é ir a Roma e não ver o Papa. Pois em verdade, em verdade vos digo, fiéis leitores, que um cartunista autêntico ou um genuíno desenhista de histórias em quadrinhos que preza seu ofício, em caso de visita a Belém do Pará, tem o sagrado dever de ir ao estúdio de Biratan Porto, que é também seu lar, pedir a benção ao piramidal cartunista. Se for contemplado com a indeclinável honraria de ser convidado para tal visitação, é claro. Benção pedida e concedida, a coisa não pára por aí, pois no larestúdio do Biratan estando, sem que nenhum protocolo ou norma de etiqueta assim o determine, o desenhista deve em determinado momento do papo, colocar-se ao lado de um pôster com um desenho do incomparável, inigualável e insuperável Flavio Colin, que Bira mantém em uma das paredes a guisa de decoração e homenagem ao Mestre dos Mestres. Foi exatamente o que fiz, preclaros leitores. Mal troquei algumas idéias com meu anfitrião e...catapimba!. Lá fui eu, alegre e altaneiro, posicionar-me ao lado do belo pôster de Colin, para ter uma foto minha comprovando que vivi tão honroso momento. A pose não foi estudada, mas ao ver a foto pronta, nota-se que nela, enquanto aponto orgulhoso a assinatura de Colin, seu personagem, o detetive Castro, ameaçadoramente aponta sua arma automática para meu coração vagabundo que quer guardar o mundo em mim. Em contraponto, no alto, enquanto toca um telefone, uma delicada mãozinha feminina vem sensualmente acarinhar os meus cabelos. Papeando depois com meu piramidal amigo, fico sabendo que essa história de visitantes posarem ao lado do dito pôster é algo que jamais foi planejado, sendo coisa que foi acontecendo natural e espontaneamente, e que aos poucos parece que vai se transformando numa espécie de cultuada tradição entre os cartunistas que visitam o larestúdio. Ao Bira envio aqui da Bahia os meus mais fraternais amplexos e ósculos. Aproveito o ensejo e ilustro esta postagem com a mencionada foto, que é para nenhum vivente, cartunista ou não, duvidar do meu marcante feito. Razão, muita razão, têm os meus amigos escritores Francisco Muniz e Tom Figueiredo, quando propagam aos quatro ventos que eu não sou fraco, não!  

10 novembro 2015

Vida e obra de Floriano Teixeira em livro escrito por Cristiano Teixeira, seu filho

Busquei, em postagem anterior, falar resumidamente da arte de Floriano Teixeira, um dos artistas maiores desse patropi abençoá por Dê. Centrei-me mais no aspecto do seu desenho que sempre me deixou encantado, atônito, boquiaberto diante de tanta maravilha, de tão extenso e raro talento. Esta nova postagem é para falar a você, fidedigno leitor deste bloguito, sobre um livro editado e lançado recentemente pela Assembleia Legislativa do Estado da Bahia, como parte integrante da Coleção Gente da Bahia, elogiável projeto da ALBA. Trata-se do livro Floriano Teixeira, de autoria de Cristiano Teixeira. O sobrenome não é mera coincidência, já que Cristiano é filho de Floriano. Tendo convivido por toda sua vida com o pai e trabalhando com o ofício de escrever, Cristiano é mais que abalizado para falar da doce figura do grande artista plástico, contando particularidades que interessam a todos que buscam mais informações sobre Floriano, seu rico e admirável lado artístico, bem como o seu lado humano, amigo carinhoso, o chefe atento de uma extensa família, o provedor, o marido, o pai, o avô, o bisavô. Cristiano teve o cuidado de compor o perfil de Floriano valendo-se dos ricos depoimentos de outros artistas, escritores e intelectuais, parentes e amigos de FT, privilegiados que tiveram a felicidade de com ele conviver. O prefácio é um texto saboroso, rico, muito bem escrito pelo amigo Délio Pinheiro, que relata o início de sua amizade com o pintor e desenhista, as impressões que teve do artista, aspectos humanos, sobretudo.  Outros depoimentos igualmente ricos, como os do escritor James Amado, somam-se ao de Délio e assim Cristiano foi aos poucos construindo um retrato que mostra muito do artista de tantos e incomparáveis talentos, com obra vasta e consagrada, mesmo tendo ficado mais conhecido nacionalmente a partir do estrondoso sucesso das suas ilustrações para livros do escritor Jorge Amado, como Dona Flor e Seus Dois Maridos e A Morte e a Morte de Quincas Berro A Morte de D’água. Ficamos sabendo através dos relatos que Floriano nunca desenhava diretamente na tela, evitando manchá-la com borrões, frutos de correções feitas no desenho, o branco ainda imaculado do suporte pronto para receber as tintas. Valendo-se de estudos já feitos, FT definia fora da tela o que nela iria ser colocado e só então transpunha para ela seu desenho elegante e exato através de papel vegetal, já no tamanho adequado e sem mácula alguma. Era chegado o momento de o límpido desenho receber, com o costumeiro carinho, as tintas e todos seus delirantes matizes. Aspectos variados do artista e do homem estão relatados e os leitores ficam sabendo que, além de seu trabalho artístico pessoal, Floriano foi fundador e o primeiro diretor do Museu de Arte da Universidade do Ceará, que ele foi autor de enormes painéis cujos preparos levaram três anos, que o Presidente Sarney era um bom e antigo amigo, que em casas que morou no Rio Vermelho, em Salvador, recebeu como visitantes personalidades mundialmente famosas, admiradores de sua arte maior. Diversas fotos mostram momentos de Floriano recebendo honrarias oficiais e entre amigos, ao lado de artistas, escritores, jornalistas, personalidades diversas e familiares. Enriquecendo mais o livro, Cristiano fez publicar uma expressiva seleção de trabalhos de Floriano, sua pintura que nos faz sonhar, seus desenhos deslumbrantes. 
Interessados em adquirir o livro devem procurar informações na Assembleia Legislativa do Estado da Bahia. 

Floriano Teixeira, um artista maravilhosamente iluminado

Nas artes plásticas brasileiras sempre despontaram soberbos desenhistas. Geralmente também exímios na feitura de gravura e artes afins, esses talentosos artistas tinham como marca maior a criatividade, a excelência no conteúdo das idéias, a busca pelo ineditismo, a elegância e a extrema beleza do traço. Não se limitavam ao talento natural com que eram dotados, empenhavam-se arduamente na tarefa de terem os conhecimentos, as qualidades e as necessárias habilidades de serem os melhores. Desses virtuoses do desenho é possível citar de memória os magistrais Poty, Aldemir Martins, Carybé e Floriano Teixeira. Não por coincidência, todos eles brilharam quando usaram seus desenhos para ilustrar livros de notáveis literatos. Jorge Amado, escritor consagrado mundialmente, era grande amigo de Floriano e o convidou para ilustrar romances seus. Santa amizade, bendito convite! O expressivo número de exemplares vendidos possibilitou que milhares de pessoas tivessem acesso ao elegante desenho de Floriano e a consagração nacional veio fazer jus ao talento desse artista que nasceu no Maranhão, viveu no Ceará e veio morar na Bahia. Essas ilustrações para os romances de Jorge Amado deram de fato uma grande visibilidade ao talento de Floriano, no entanto é preciso ressaltar-se que sua arte já era apurada, madura, premiada e consagrada por onde era exibida, quer fossem pinturas em telas, painéis, esculturas, linóleo, gravuras e quaisquer outros meios, já que seu trabalho sempre foi extremamente diversificado. Em todos imprimia a mesma excelência, vez que destinava a cada um deles cuidado igual, produzindo-os com vagar e paciência, usando de extremo acuro para assim manter em qualquer peça produzida a mesma qualidade excepcional. No desenho, seu traço tinha como marca uma rara elegância. Sua linha refinada, inigualável, única, nos conduzia com delicadeza a um universo por vezes pitoresco, sempre pleno de sensualidade, crítica social e um humor sutil da melhor qualidade em que toda a fauna humana brasileira desfilava. O homem comum, o magnata, o operário, o burguês, pescadores, bêbados, noctívagos, pistoleiros, jagunços, coronéis, padres, polacas, morenas frajolas, mulatas, negras, ricos e pobres, a cara e o espírito do Brasil surgindo de seu traço ora limpo e claro, algumas vezes intencionalmente forte e mais carregado, outras vezes com longos espaços preenchidos por caprichadas hachuras. Entre os materiais empregados, canetas para bico-de-pena, pincéis diversificados, lápis os mais variados, meios que serviam para que o desenho de Floriano gritasse bem alto o talento incomparável desse grande Mestre. Suas cores suaves e belas e suas criações, oníricas e sensuais, nos faziam sonhar sonhos felizes e não poucas vezes, lúbricos. Sonhos maravilhosos, pleno de cores e de belezas inesquecíveis, como a arte de Floriano Teixeira.

09 novembro 2015

O escritor André Nunes,o Xingu e o Pará

André Nunes é paraense, um insular nascido e criado na fluvial Ilha do Arapujá , que fica bem defronte a Altamira, e que divide o Rio Xingu, importante afluente do Rio Amazonas. Um ribeirinho, sim, de boa cepa e com muito orgulho. Mas também é um cidadão do mundo, com ampla e benéfica visão social e política, um homem consciente, de rica trajetória existencial, culto, que ama sua gente, sua terra, a vida em toda sua plenitude. Tais qualidades somadas acabaram por torná-lo o notável escritor que é, inspirado, cônscio, senhor das palavras. Em seu livro Xingu, causos e crônicas, André nos permite embarcar em seu caxiri que seguramente nos conduz em instigante périplo por rios, igarapés, matas amazônicas, seringais em que se evidenciam quilombos, ditadura militar, cabanos, seringueiros, ribeirinhos, indígenas, caboclos, grileiros, pistoleiros, almas, corações e mentes num itinerário que envolve e emociona o leitor. A rica narrativa é construída pela privilegiada memória do autor que descreve em minúncias cada detalhe dos acontecimentos, por vezes poéticos, compostos pelo vôo de borboletas azuis, por vezes brutais, protagonizados por homens inclementes com suas motosserras rasgando o ventre da floresta amazônica, aniquilando flora e fauna, pelo massacres de inocentes e desvalidos, pela desfiguração e incerteza trazidos pela implantação de grande hidrelétrica. Acontecimentos que foram todos vividos com intensidade, plenos dos mais variados sentimentos e emoções diversas. Neles sempre se faz presente um humor contido, bem pessoal e uma declaração de amor à vida. Sem se valer de frases de efeito ou maneirismos inócuos, usando as palavras exatas com o domínio de escritor de notável talento que é, André sabe dar a cada narrativa o toque de emoção e verossimilhança, criando um clima envolvente e prazeroso que delicia e encanta o leitor. Seu texto sobre o Haiti, em luta desigual contra as grandes potências do mundo, é leitura que lança preciosas luzes sobre a forma de agir da velha e da nova Ordem Mundial. Quando escreve sobre o Pará, o carinho de André pelo chão, pelo seu círculo parental, pelos seus mais fiéis amigos e por toda a gente paraense se evidencia, e sua paixão pela terra se faz facilmente identificável em cada um de seus relatos e observações numa antropologia exata feita do mais tocante amor.
Aos interessados em adquirir um exemplar, mensagem para: andre@terradomeio.com.br 

07 novembro 2015

Ziraldo, Leda Nagle, mineiros, baianos, preconceito de colete

Dia desses assisti no "Sem Censura", da TVE, uma entrevista feita pela mineira Leda Nagle com o mineiríssimo Ziraldo. Todos os blocos do programa foram a ele dedicados. Nada mais justo. Ziraldo tem uma trajetória brilhante e irretocável no universo das Artes. Sua importância na vida de todos os cartunistas e grafistas brasileiros é imensurável. Criativo, atuante, dinâmico, dono de um traço e de um humor de primeira linha que encanta qualquer um, em qualquer parte do planeta, o grafismo brasileiro deve muito a ele, tanto nacional quanto internacionalmente. Todos os adjetivos usados para elogiar seu trabalho e sua trajetória vitoriosa serão sempre poucos. Voltando ao programa,  a certo momento, não sei a título de que, Ziraldo declarou a Leda: " O baiano é um falso." E não falava de alguém em particular, referia-se à coletividade, e o disse com todas as letras - ipsis litteris e ipsis verbis - como se falasse a mais irrefutável das verdades. Deitou falação afirmando que o baiano fatalmente trai os amigos na primeira oportunidade que tiver devendo as gentes contarem como inevitáveis as insídias perpetradas pelos natos neste afrobaiano torrão. Leda, mineirinha que só ela, mesmo tendo muitos amigos baianos não questionou o entrevistado. Talvez porque o nome do programa a impedisse de fazê-lo. Preconceitos de tal ordem são chocantes e inconcebíveis tanto mais por terem saído da boca de um formador de opinião com enorme influência sobre milhões de crianças que amam o que dele vem, sobretudo através de uma TV pública em que se deve buscar levar à população o melhor que temos em nossa cultura. Injustificável que pensamentos tão mesquinhos, injustos e tão absurdamente falaciosos povoem uma mente criadora revelando vivos resquícios de preconceitos que mais cheiram a chifre queimado. Ao invés de seguir a dialética de outro célebre mineiro, Pelé, famoso por pronunciar frases que não deveriam terem sido ditas, Ziraldo poderia se espelhar no seu nobre conterrâneo Afonso Arinos que passou à História ao ter seu nome numa lei que arrosta e pune os preconceituosos. Ou ainda em um outro mineirinho, o queridíssimo Drummond, mui amado por nós, baianos, por ser lhano, cordato e por bem saber lidar com as palavras não permitindo que elas saíssem por aí impunemente cometendo injustiças nem desabonando o caráter afável do povo mineiro e das amadas Geraes.
(Publicado originalmente em 19 de fevereiro dse 2010)

23 outubro 2015

Biratan, um cartunista com sangue índio nobre

Biratan! Grande Bira, paraense dos bão! Em suas veias corre legítimo sangue papa-chibé, o que está mais do que na cara, basta olhar seus olhos amendoados que ele herdou de seus nobres antepassados indígenas. Amigo queridíssimo, Bira é um virtuose no bandolim e - en passant - um dos cartunistas mais premiados neste globo terrestre nos Salões de Humor destas e de outras plagas. Curto fazer caricaturas dos amigos dos quais mais gosto. Biratan é um destes, amizade de longa data que a distância jamais fez diminuir. Nas vezes que calha da vida nos possibilitar estarmos juntos em um elevado tête-à-tête, lançamos mão da sapiência de bater papos saudáveis regados com algumas cervejotas que ninguém aqui é nenhum Tony Stark, o tal Homem de Ferro da Marvel Comics, que não pode sorver líquidos pois se enferruja à toa, à toa. Fiz esta homenagem em dose dupla que é o jeito que Bira gosta de sorver seus etílicos. Se quiser ver humor de qualidade, clique aqui neste link: http://biratancartoon.blogspot.com/
(Publicado originalmente em 29/03/2012)

19 outubro 2015

O homem no parque / Crônica Mente

        O homem sente a brisa fria do outono tocar seu rosto e vai despertando aos poucos de um sono pesado e longo. Com vagar seus sentidos vão se aguçando. Ouve vozes distantes. Risos adolescentes. Gritinhos femininos. Confabulações de velhos senhores. Não entende direito o que dizem. Esforça-se para enxergar de forma clara, mas suas retinas só captam vultos. Imprecisos. Inúteis. Quem são estas pessoas? Que querem? A cabeça do homem parece girar e é forte a sensação de estar saindo de um estado de letárgico. Ou acordando de um sono muito longo e pesado que ele sequer imagina quando começou.
      Aos poucos, felizmente, as coisas vão se tornando mais nítidas. As vozes mais audíveis. Os vultos vão tomando seus contornos humanos. Então ele vê. Está em um parque. Entretanto, embora a paisagem ao redor lhe pareça familiar, tudo o mais lhe é estranho. As pessoas estão trajadas com exóticas indumentárias. Os mais jovens parecem saídos de um mundo de ficção. São diferentes até no andar, no gestual, nas atitudes.
      Algumas crianças passam em grupo e aos gritos espantam os pombos que para fugir alçam vôo. Vários pousam um pouco mais distante e recomeçam a comer as migalhas que encontram pelo chão. Uma das aves vem pousar sobre o chapéu do homem. Instintivamente ele tenta espantá-la com sua mão esquerda mas ela não esboça movimento algum. Tenta agora com a direita e, aterrorizado, percebe que  ela tampouco atende ao seu comando. Sente-se como se estivesse num estado de cruel apoplexia. Um grito às suas costas desvia seu pensamento. Uma voz desesperada grita por ajuda e brada: “Pega ladrão!”
      O homem tenta virar-se o mais rápido que pode mas não consegue. Dá-se conta que traz à cintura uma espada. Procura levar sua mão até ela na clara intenção de empunhá-la em socorro da vítima mas, horrorizado, se dá conta que seus braços seguem estáticos. E seus antebraços, ombros, pescoço, pernas. Nada obedece ao seu comando. Nem mesmo o puro-sangue que só agora percebe estar montando e que parece tão imóvel quanto ele próprio. O homem  então desespera-se.  Quer gritar seu grito mais forte. Mas de sua garganta não escapa sequer o mais débil gemido. Tal é seu horror, seu desespero que de seus olhos brotam duas lágrimas. Nelas, diluída, sua dor.  Seus olhos marejados não conseguem distinguir bem dois vultos bem a sua frente. Mas seus ouvidos lhe dizem que se trata de uma mulher adulta e uma menina de cinco ou seis anos. Aproximam-se enquanto conversam.
      _Mãinha, quem é este homem montado neste cavalo enorme?
     _É o velho Barão de Itapuã, filhinha. Homem muitíssimo corajoso, que defendia nosso povo na luta contra os inimigos da nossa amada terra. Um verdadeiro herói, um patriota, tesouro da mamãe! Infelizmente hoje em dia existe pouca gente assim.
_Veja, mãinha! O homem está...está chorando!!
_Chorando?! Aonde já se viu, menina? Deve ser um resto de orvalho, querida. Você não sabe, minha doce criança? Estátuas não choram. 
(Publicado originalmente em 06 de fevereiro de 2013)

10 outubro 2015

J.Bosco, caricaturista: quem sabe faz ao vivo


Estas caricas todas aí foram feitas pelo J.Bosco. Olhá-las me fez recordar que num dia qualquer dos anos 80 Cárcamo me convidou para expormos desenhos e caricaturarmos ao vivo o público num novo e elegante Shopping Center que surgira em Salvador. Caricaturas pra jornais eu já fazia há uns milênios à sós em recônditos cantinhos de redação. Ao vivo, cercado por um mundo de curiosos, jamais fizera. Mas um convite de Cárcamo não se recusa. Topei e o resultado foi tão bom que nunca mais parei de fazer. Depois disso já trabalhei sozinho em eventos e também com outros caricaturistas, em jornadas que vão de quatro a até 7 horas. É um trabalho em que o profissional tem que ter olhar aguçado para bem observar os traços dos modelos e procurar ser o mais fiel possível ao retratar cada um. Tudo tem que ser feito de forma rápida, de maneira a não cansar quem está posando e procurando atender a demanda que é sempre grande. E esta rapidez não pode resultar em um trabalho mal feito, desleixado, executado de qualquer forma. Seu talento está ligado ao resultado final onde você tem que mostrar um trabalho bem acabado, um traço vistoso e limpo num desenho que as pessoas queiram guardar, emoldurar, exibir orgulhosas aos amigos. Eu já conhecia e admirava o trabalho de cartuns e caricaturas feitas para a mídia impressa pelo paraense J. Bosco, mas dando uma xeretada básica em seu site descobri lá essas belíssimas caricaturas feitas por ele ao vivo, ali na base do tête-a-tête, em eventos. Caricas que evidenciam um traço elegante, refinado e exata precisão ao retratar os rostos dos modelos, como se pode ver pelas fotos, todos sorrindo, felizes. E tem que sorrir mesmo, já que são uns felizardos pois a um só tempo conseguiram um original do J.Bosco e de quebra puderam assistir ao vivo um grande mestre em ação. 
*********Veja mais trabalhos em: http://jboscocaricaturas.blogspot.com/
(Publicado originalmente em 31 de março de 2011)

22 setembro 2015

Mais algumas cositas de Nildão, cartunista e designer gráfico

Você, querido, perfulgente, preclaro, sapiente e atilado leitor deste bloguito sabe bem que é com constância que posto loas ao trabalho do cartunista e designer gráfico Nildão.  Todas elas mui justas e assaz merecidas,  vez que o cara é um artista de grande talento que gosta de inovar trilhando sempre por novos caminhos e fugindo dos lugares comuns que tantas vezes assolam o universo artístico. Dono de uma criatividade rara, Nildão sempre nos brinda com seu humor refinado e sua visão lúcida do mundo em cada trabalho que cria. Posto aqui e agora essa amostra do trabalho de Nildão para você se deliciar, e de quebra mando esse link para se conferir o trabalho delicioso e diversificado do cara: http:www.nildao.com.br

21 agosto 2015

Submarinos soviéticos podem invadir o Brasil via Rio São Francisco

Não sei se faz parte das comemorações pelos 50 anos do golpe militar no Brasil, mas a verdade é que os militares pernambucanos estão tirando dos moradores de Juazeiro, Ba, e de Petrolina, Pe, o sagrado, democrático e constitucional direito de ir e vir. Com o questionável aval de um juiz que não ouviu como deveria o povo destas cidades, essas gentes com seus coturnos, suas gandolas e seus fuzis estão proibindo os moradores da região de circularem nesta fluvial ilha que se situa no meio do Rio São Francisco entre ambas as citadas urbes. Da ilha se assenhoraram os militares respaldados por decisão do supracitado juiz que, sem nenhum vontade de dar testa a militares, atendeu o argumento castrense de que a Ilha do Fogo é ponto axial para a segurança de nossa patriamadasalvesalve. Tenho a deplorável mania de tentar entender as coisas racionalmente, pensar com meus botões e tirar minhas próprias conclusões. Inigualáveis pérolas têm surgido dessas elucubrações, como as que se seguem. Ciente de que os militares, são sempre zelosos e atentos às marxistas artimanhas e manobras, deduzi de pronto que os fardados, movidos por compreensível e salutar paranoia, devem considerar e temer uma invasão de nosso auriverde torrão por insidiosos submarinos soviéticos. Mas se são disto temerosos e crédulos é certamente porque não foram devidamente informados por quem deveria, de que a Guerra Fria de há muito acabou e que a URSS já não mais existe, nem exército ou espiões soviéticos a não ser em antigos filmes do velho James Bond, aquele que precisava de uma licença para matar, coisa anacrônica já que hoje, aqui e em toda parte, se mata a torto direito sem licença alguma. Além do mais, nestes hodiernos tempos os russos é que foram invadidos pelos capitalistas americanos sendo que agora bebem americaníssimas coca-colas e arrotam Mcsandubas para tristeza do velho Marx que devido isso se revira em seu hoje pouco visitado túmulo. Quem sabe, ao serem colocados a par destas novidades que ora vigoram, os militares que estão impedindo os moradores de Juazeiro e Petrolina e demais civis de pisarem as areias da Ilha do Fogo possam ficar mais tranquilos e para nosso gáudio revogar a proibição e devolver a aprazível ilha aos seus legítimos donos.
(Publicado originalmente em 09/11/2014)