29 março 2014

Jorge Portugal da Purificação

Jorge Portugal é de Santo Amaro da Purificação, terra que já dera ao Brasil nada menos do que Assis Valente. Podia parar por aí que já estava de ótimo tamanho. Mas o povo santamarense é graça? É não! E de lá miríades de gentes bronzeadas decidiram que era chegada a hora de mostrar o seu valor. E foram surgindo em cena Maria Bethânia, Caetano, Belô Velloso, Mariene de Castro, J. Velloso, Roberto Mendes. E, claro é, Jorge Portugal de cuja cuca privilegiada brotaram os versos "quanto mais a gente ensina mais aprende o que ensinou", uma releitura dos ditos latinos "docendo discitur" (ensinando, aprende-se) e "doce ac disce meliora" (aprende e ensina melhor). Tais versos de J.Portugal, embalados pela melodia de Roberto Mendes, foram  gravados pela maviosa, poderosa e capitosa voz de Gal Costa, sendo sucesso nacional, assim como diversas outras músicas da dupla. Além de poeta e compositor, Portugal é professor respeitado e foi, bem o sabemos, notável apresentador de um programa televisivo de sucesso, o "Aprovado" que teve uma versão nacional de grande repercussão. Quanto a mim, nasci em Candeias, pertinho de Santo Amaro. Mas não perto o suficiente para ver correndo em minhas veias semelhante talento lírico.

18 março 2014

Lembrando Lage, cartunista tão brilhante quanto o Sol da Bahia

Quando perdemos Lage este país perdeu um dos seus mais brilhantes cartunistas. Hélio Lage era um profissional do Humor que tinha a capacidade rara de fazer um trabalho social e politicamente engajado, transparente, preciso, que atingia infalivelmente os alvos visados. Isto tudo sem perder a sua excepcional veia humorística, que Humor era com ele mesmo. Os amigos e os colegas das redações de jornais morriam de rir com suas frases espirituosas tiradas de improviso sobre qualquer situação e em qualquer local que ele se fizesse presente. Na charge, no cartum, nas HQs, nas suas tiras, Lage tinha a marca do ineditismo. Seu Humor era algo personalíssimo, original, com um timbre só dele, que eu nunca havia visto, que envolvia, apaixonava, encantava, capturava qualquer leitor inteligente. Recordo-me claramente de cartuns e tiras feitos por ele há já vários lustros. E ainda rio muito com todos. Lage era universal e ao mesmo tempo, profundamente baiano, seu Humor escreve-se assim, com H maiúsculo. Ele fazia um Humor popular, Humor moleque, Humor intimorato que arrostava os poderosos de plantão. Lage faz falta, muita falta. Dona Benedita, sua mãe, Seu Anísio, seu pai, acertaram em cheio na escolha de seu prenome, Hélio. Como Hélio, o Sol, Lage brilhou intensamente nesta terra, nesta vida e nos iluminou a todos.
Para ver trabalhos do Lage, acesse : http://www.irdeb.ba.gov.br/imagens/media/view/528 e vá na Galeria de Imagens.

Lage, o cartunista mais amado pelos cartunistas da Bahia

Tão aí de presente pra vocês dois trabalhos de Lage que mostram um pouquinho do muito do talento desse cartunista maravilhoso, possivelmente o cartunista mais admirado por outros cartunistas, um primus inter pares, certamente, que o diga o grande Bigu, primo dele. Depois desse aperitivo, o lance é acessar o Portal do Irdeb e ver os outros trabalhos de Lage que lá estão a espera de quem sabe o que é bom. Clique aqui neste link, meu rei: www.irdeb.ba.gov.br  Depois é só entrar no tópico Galeria de Imagens. Bon appétit.

16 março 2014

Gilda, La Hayworth e uma acrílica cantante


Utilizando tinta acrílica sobre tela pintei esta cantora ao microfone, devidamente acompanhada por seus dedicados músicos. Foi  logo depois que revi "Gilda", com a bela Rita Hayworth encarnando uma linda e bastante ousada cantora que interpreta a espertíssima canção "Put the blame on Mame". Quem conhece a letra sabe que Mame era bem danadinha. E Gilda era muito mais, oh, boys!

05 março 2014

Fernando Guerreiro e seu teatro guerreador

Teatro. Ah, o Teatro! Sua magia me conquistou de há muito, quando eu ainda era um imberbe rapazola morando em Sampa. Vim para a Bahia e trouxe comigo esta paixão. Lá e aqui vi gratas e inesquecíveis montagens, atores e diretores formidáveis. Um desses diretores é o fantástico Fernando Guerreiro, orgulho e glória desta afroterra de tantos notáveis das Artes Cênicas. Guerreiro tem um trabalho profícuo, é dinâmico, batalhador, aguerrido, fazendo jus ao nome que porta. Sendo hoje consagrado em todo o Brasil, Fernando é pessoalmente um cara simples, acessível, sem afetações, arrogância ou estrelismos, atributos largamente encontrados no meio em que transita. É um cara que não tem vergonha de declarar - como vi outro dia em uma entrevista dele -  seu amor pela arte rotulada de brega de Odair José, Diana e Waldick Soriano, gente vista com desdém pela chamada intelligentsia. Tamanha autênticidade só faz aumentar minha admiração para com Fernando, e cito, aos que desconhecem, que Odair e Diana tinham o aval do formidável Raul Seixas que até compunha para eles com o nome de Raulzito, integrando uma tchurma que eu também sempre curti, achando para eles um espaço entre os meus ídolos de vanguarda e a grande multidão dos que fazem a linha cool. Voltando às Artes Cênicas, quando se quer falar no Teatro da Bahia, mister se faz falar-se em "A Bofetada", um divisor de águas, recorde de público nesta terra, muito pela direção segura de Guerreiro. Um sucesso por toda cidade do Brasil onde haja passado que está sendo representada há mais de duas décadas, uma espécie de "A Ratoeira" em versão soteropolitana. Certamente ávido por se renovar, se reciclar, tentar novos desafios, Fernando deixou a peça e o grupo responsável pela montagem, a Cia. Baiana de Patifaria. Com uma carreira produtiva, o nome de Fernando hoje está ligado a formidáveis espetáculos como "Equus", "Boca de Ouro", "Os cafajestes", "Vixe Maria!Deus e o Diabo na Bahia", "O indignado" e muitas outras peças de sucesso. É mérito do diretor também o lançamento de diversos atores, entre eles Wladimir Brichta. Além da consolidação da carreira de artistas como o ótimo Frank Menezes. Os espectadores mais atentos sabem que o Teatro que Fernando Guerreiro faz é como ele próprio: criativo, divertido, brilhante e um insuperável disseminador da alegria. Axé, Guerreiro!

01 março 2014

Na Bahia, carnaval é todo dia

Na Bahia o carnaval não está sujeito a datas constante em calendários, nem acontece em dias e horários pré-determinados. Ele é parte integrante da alma de cada vivente dessa afro-urbe, está em cada rua, em cada praça, é cotidiano, convive com a luta pela sobrevivência. Mas por questionáveis questões, há um calendário que diz que o carnaval acontece em dias previamente determinados. E esses dias já chegaram e já é carnaval em Soterópolis, gente. Acorda pra ver. É carnaval, é carnaval, chegou a hora das pessoas tirarem suas máscaras sociais e colocarem máscaras festivas e se integrarem na multidão de brincantes . Brincar o carnaval nas ruas da Bahia é puro delírio. A festa é um painel colorido, belo e efervescente, cheio de personagens maravilhosos, coisa nada trivial no cardápio dos bípedes falantes que compõem a velha raça humana e ela, a meio agogôs, instrumentos de sopro, tamborins, atabaques, pandeiros e toda sorte de instrumentais percussivos, dá um chute nos problemas oriundos da mencionada luta pela sobrevivência e vai à praça expulsar do peito angústias, dores, estresses, todos os seus fantasmas internos e gritar sua alegria neste encontro hedonista, com direito a beijos nada colombinos, desejos mais que legítimos, novos amores ou mesmo, quem sabe, reviver amores antigos, fortes, inesquecíveis. Aos neonazistas em geral, às gentes que comungam de sentimentos racistas, aconselho que não venham, já que no carnaval e no cotidiano da Bahia, o que há de mais belo é a cor negra nas peles das pessoas. Peles azeviches em profusão, geralmente mesclando-se sensualmente com peles brancas, amarelas, vermelhas e todo o catálogo epidérmico que rola nesse orbe. Por tudo isso, essa democrática festividade de rua é mesmo um belo motivo para se pintar uma tela como esta aí que ilustra esta carnavalesca postagem em que busquei com tintas acrílicas caprichar no colorido de cores vivas, quentes, redondas. Se ao invés de sair por aí beijando e sendo beijado por gentes que você nunca viu e que provavelmente nunca mais verá e preferiu esperar passar a folia em um seguro e aconchegante retiro espiritual, bom pra você. Se resolveu ser um brincante, com direito a tudo de bom e surpreendente que a festa pode oferecer, idem, idem, idem. Axé!