20 dezembro 2014

Rodney Pike, Mr. Bean, Barack Obama, Raul Castro, Natal

Já postei aqui nesse bloguito trabalhos do ótimo caricaturista norte-americano Rodney Pike. Como já tem um tempinho que não posto nada dele, aproveito o clima de Natal que paira no ar para postar esse belo trabalho que saúda as festas natalinas através de uma imagem da Santa Mãe tendo aos braços seu Santo Menino, ambos feitos por Rodney com seu traço soberbo, suas cores refinadas e seu humor apurado que fica evidente ao vermos que ele utilizou como modelo ninguém menos que Rowan Mr. Bean Atkinson. Postei ainda uma bela caricatura de Barack Obama que - nesse mês em que as pessoas mundo afora comemoram o nascimento de Jesus Cristo, imbuídas de um maior sentimento de boa vontade - de forma inteligente e elogiável anuncia ao Mundo que a partir de agora os Estados Unidos e Cuba reatam relações diplomáticas, o que já não era sem tempo, afinal os EUA já haviam reatado suas relações com a Rússia, coisa bem mais difícil. Obama mostra ser um Presidente com personalidade através de um gesto humanitário, bem a calhar com a ocasião, que ajudará a melhorar em muito a imagem dos EUA na América Latina. A partir de agora, se quiserem, os americanos podem conseguir petróleo de boa qualidade pertinho, com seus vizinhos de Cuba. E de quebra comemorar the american way of life fumando charutos cubanos, os melhores do Mundo. Congratulations to Obama. Congratulations to Master Rodney Pike.
http://rodneypike.com/

Jayme Leão, um felino que é um ofídio / Pintando o Set 3

Jayme Leão sempre foi cobrão. Eis que numa ensolarada tarde, no Recife dos rios cortados de pontes, dos bairros das fontes coloniais, em um dia hoje distante, essa fera traçou com um singelo bolígrafo esta carica minha mostrando-me em plena azáfama cartunística e caricaturesca como é do meu consueto proceder. Grande Jayme Leão, autêntico rei do traço na jângal da paulicéia desvairada!
( publicado originalmente em Dezembro de 2010)

17 dezembro 2014

Fauna baiana, Soterópolis, gringos


Esta pintura é um painel de uns 2 metros de altura e de quase outro tanto de largura. Com pincéis e tinta acrílica levei um mês trabalhando nele e penso ter tido a felicidade de colocar uma boa mostra de considerável parcela da fauna humana da Bahia da qual sou integrante parte. Baianas preparando acarajé, gente dançando, namorando, mercando, rezando, olhando, nadando, sorrindo, indo, vindo, comendo, bebendo, dizendo, vivendo. Sob proteção de santos católicos e orixás. Um mês. E o resultado foi sentir um enorme prazer vendo o trabalho pronto. Mas não se quedou muito tempo comigo, achou um dono melhor que eu. E se foi para bem distante da Bahia. Queria retê-lo por mais tempo para dar uma zoiadinha de quando em vez, mas sei que tal pretensão não posso ter. Como disse uma vez o grande artista plástico e meu querido amigo, Lima Limão, para um cliente seu que lhe indagara se tinha muitas pinturas de sua própria lavra dentro de casa: "Quem sou eu, doutor, para ter um quadro meu? Isto é pro senhor que pode".

Mirando Carmen Miranda

 
Os deuses das artes de século em século nos mandam pessoas cujo talento artístico está acima, muito acima dos demais. Carmen passou pelo mundo de há muito mas ninguém esquceu sua arte marcante, original e insuperável. Até hoje sua imagem e sua criatividade aparecem em filmes feitos nos mais diferentes países por admiradores incondicionais. Ela está em um filme do genial Woody Allen, na abertura de um dos filmes da série Pantera Cor de Rosa com o incomparável Peter Sellers, em um belo cartum da Betty Boop ou do Tom & Jerry, Bob Esponja ou em tantos mais . Taí, você fez tudo pra gente gostar de você, Pequena Notável. E com prazer milhões de pessoas tinham mesmo que lhe dar seus corações. Eu incluso. Por isto mesmo a todo instante estou traçando, desenhando, pintando sua figura carismática tão admirada por povos de todo o orbe numa homenagem modesta mas plena de sincera admiração. Tudo porque ai ai ai ai ai ailaiqueiú verimuche iú ar tu tu tu tu tu divaine.

13 dezembro 2014

Lucien e Sigmund são Freud




Quando as gentes do mundo se perdem ao buscarem explicações para coisas d'alma humana aparentemente insondáveis, soem dizer "Freud explica."  Mister se faz esclarecer que o Freud evocado nesta ocasiões é o Sigmund, apodado de "Pai da Psicanálise". Seu neto, Lucien, honrou o sobrenome e tornou-se também uma celebridade mas não pela via da Psicanálise. Era artista plástico e faleceu em julho deste corrente ano de 2011. Chamado por um respeitado crítico de "o interpréte da carne e da psique humana na pintura", Lucien jogava na tela tintas pesadas, empunhava seus pincéis com segurança e fúria fazendo dali surgirem figuras em atitudes e situações que o avô famoso teria que se virar mais que dançarino de Hip-hop e usar de toda sua sabedoria psicanalítica para poder explicar ao mundo o que os trabalhos do neto podem almejar dizer. Alemão de nascimento, Lucien foi criado na Inglaterra onde fora morar aos 10 anos de idade e como cidadão britânico viveu até aos 88 anos. Um tempo bastante razoável para incomodar o conservadorismo britânico e do restante do mundo, os artistas amantes da mesmice que povoam o planeta e a caretice geral que assola a raça humana neste imenso orbe.
Para ver mais trabalhos do fabuloso Lucien Freud, basta uma navegada básica na Net, por exemplo, acessando
http://afluoxetina.wordpress.com/
(postado em 19 setembro 2011)

12 dezembro 2014

Diana Panton interpretando Samba de Verão em Inglês. Lindo, lindo.

Em postagem anterior mostrei a vocês, caros, preclaros e fiéis leitores desse bloguito, o show de beleza que é a cantante canadense Diana Panton cantando em Francês a mundialmente consagrada Manhã de Carnaval, de Luiz Bonfá e Antônio Maria. Como o talento da moça é vasto, ela também domina o Inglês e é nessa língua que aqui e agora ela interpreta So Nice, de Marcos e Paulo Sérgio Valle. Nada mais, nada menos que Samba de Verão, canção também consagradíssima em todo o planeta com mais de 400 gravações por grandes feras da canção mundial e com diversas inclusões em trilhas sonoras de filmes. E a interpretação de Diana é mesmo so nice.  

07 dezembro 2014

Pablo Lobato traçou até Xuxa Meneghel!

1. Cabeludos de Liverpool rides again 2. Teórico relativo 3. O filho de Joseph Jackson 4. Um argentino que entrou para a História como herói 5. Um argentino que entrou para a História como vilão ( ao fundo, a loira ex de Pelé )
E para vocês, só para vocês, caros, preclaros e fiéis leitores desse bloguito posto mais uma linda coleção de caricaturas do grande dibujante argentino Pablo Lobato, traço excelente, cores excelentes e excelente composição gráfica. Salve, salve Pablo Lobato!

O versátil Jim Hopkins, talento do traço e das cores

 
E já que falei em postagem anterior sobre a versatilidade do trabalho do caricaturista, ilustrador e pintor norte-americano Jim Hopkins, volto à carga em nova postagem para mostrar um pouquinho do que Jim é capaz de realizar com lápis, papel, tinta ou um PC na mão. Nem é preciso repetir que gosto muito do trabalho do cara. Por isso mesmo, sempre dou uma olhada nos blogs em que ele posta mostras do seu trabalho que, como já disse, não se resume ao desenho de caricaturas. Jim Hopkins é um artista completo, de incontestável talento, como se pode ver nos desenhos contidos em seu sketchbook que ele, generosamente, reparte conosco, como essa maravilhosa série feita a lápis mostrando prosaicos calçados, desses que os viventes costumam usar no dia-a-dia. Singelos tênis e sapatos que são desenhados em ângulos diversos, com a força do desenho de Jim resultam em um belíssimo trabalho. De quebra, paisagem e modelo vivo. Depois de degustarem essa pequena amostra, vale a pena clicar nos links e curtir mais o trabalho belo e diversificado de Jim Hopkins, um mestre norte-americano que marca sua presença numa terra de muitos mestres do desenho.
Links para trabalhos de Jim Hopkins:
http://mugitup.blogspot.com
http://icecreamnobones.blogspot.com
http://www.aboutfacesentertainment.com/entertainers/caricature-artists/l/united-states/new-york/new-york-city-metro/new-york-city-ny/jim-h-caricature-artists.html

Jim Hopkins, um caricaturista e sua arte

1. Audrey Hepburn, a mais bonita de Hollywood 2. O ghostbuster Bill Murray 3. Jack Nacho Libre Black 4. O emblemático casal Obama
Gente de todo o planeta adora ver um belo trabalho de caricatura recheado de humor e habilidosa técnica de desenho.  Eu próprio sou fã de diversos profissionais da área que estão espalhados pelos quatro cantos do mundo. Nos Estados Unidos há uma interminável quantidade deles e gosto de vários. Por exemplo, curto muito o trabalho do versátil Jim Hopkins que além de ilustrador e pintor é um caricaturista dos melhores como se pode ver nas artes aqui postadas. Great Jim Hopkins!
Links para os trabalhos de Jim:
http://mugitup.blogspot.com
http://icecreamnobones.blogspot.com
http://www.aboutfacesentertainment.com/entertainers/caricature-artists/l/united-states/new-york/new-york-city-metro/new-york-city-ny/jim-h-caricature-artists.html

02 dezembro 2014

Cleomar Brandi: a última saideira e o velório mais alegre do mundo

Conforme escrevi na postagem anterior a esta, o jornalista e poeta baiano Cleomar Brandi faleceu há pouco. Enfermo, já sabendo antecipadamente que iria morrer, deixou uma carta para ser distribuída aos seus amigos, participantes da cerimônia de seu sepultamento, em que faz saber a estes amigos que, ao saírem do cemitério depois da referida cerimônia, não deveriam retornar de imediato aos seus lares, devendo antes se encaminharem todos a um determinado bar para ali, juntos, beberem em uma derradeira homenagem ao amigo que partia desse mundo sem mágoas ou tristezas. Para tal deixava devidamente pagas as bebidas e dava a todos ciência disto. Destes seus amigos só queria a presença e a alegria para uma autêntica festa de despedida. Vai aqui, na íntegra, o texto de Cleomar contido em sua derradeira missiva:
"A última saideira"

"Um dia, uma noite, algum boêmio sempre pede a saideira e os garçons nunca gostam dessa história. Mas, o certo, é que sempre chega a hora da última saideira. Dessa vez, chegou minha hora, meu último gole.
Eu, pessoalmente, não diria que estou indo contrariado. A hora e a vez de Matagra. Afinal de contas, soube beber com sede de aprendiz o melhor que havia na taça que a vida me ofertou. Uma taça lavrada, rescendendo a conhaque.
Nadei nas águas mornas de Arembepe, conheci Raulzito quando ele ainda se juntava aos seus Panteras, com Thildo Gama e outros, vi Caetano, Moraes Moreira, Pepeu no encontro de trios, enquanto o poeta apontava com a mão a Baía de Todos os Santos. Arpoei caramuru, tirei polvo da toca, garanti as moquecas da minha adolescência, fui recordista de natação, ungido por Oxalá.
Fui bom de porrada, fiz meu nome nas turmas de rua do Lago dos Aflitos, joguei futebol e, nos babas, ganhei o apelido de “Leonam” onde sou conhecido assim até hoje. Fui batizado nos puteiros da Ladeira da Montanha, conheci Mestre Pastinha e Mestre Bimba, vi meu “Bahêêêa” ganhar para o escrete do Santos e Waldemar Santana encher Hélio Gracie de porrada.
Conheci os mistérios dos becos e ladeiras da velha Salvador, fui amigo de Cid Teixeira, Capinan, Guido Guerra e Luís Orlando, encarei dois anos de internamento no Hospital das Clínicas, tive febres diárias, colecionei escaras coloridas, vibrantes e sangrentas, decepcionei laudos médicos, busquei o tempo que eu queria da minha vida.
Um dia, uma brisa morna me carregou para o colo da bela Aracaju, onde eu soube ser feliz, no tempo que me restava. Aqui, bebi os melhores conhaques da minha vida, amanheci nas libações madrugadoras com o amigo-irmão José Eduardo Sousa, soube ouvir o violão de Pantera, a melodia de Paulo Lobo, o blues de Soyan, as conversas de Mariano e Bel nas andanças do Imbuaça. Aqui, plantei amigos, colhi irmãos, como o grande parceiro Gilson Sousa. Aqui, ouvi a melodia do Cataluzes, comi o melhor pirão de caranguejo do Pastelão, me fartei dos mistérios culinários da cozinha de Camilo.
Nessa terra, amei mulheres que reverencio até hoje. Fiz poemas para algumas, embriaguei-me com outras. Como esquecer do sorriso de Arlinda, que ganhou o mundo e acabou na Sorbonne? Como esquecer do sorriso sacana de Ana Paula? E os finais de tarde no Mosqueiro? E o chiado da tainha na frigideira do Bar de Nem? E a amizade terna da turma do JORNAL DA CIDADE e da Aperipê TV.
Como esquecer da lealdade de meus irmãos a vida inteira? E de Christina Brandi, cunhada que se tornou irmã? E da cumplicidade do irmão Chico Neto, que trilhou a vida inteira os caminhos do bom jornalismo, ético e honesto?
Um dia, o velho barril de carvalho pinga sua última gota de conhaque. E o poeta se despede de tudo, sem tristezas nem vexames. Apenas sabendo que cumpriu seu papel com dignidade, com honestidade e com um brilho de crianças nos olhos.
Quem sabe, eu encontre o amarelo dos girassóis nesse novo caminho?
PS: Os amigos estão convidados para a última saideira no Bar do Camilo, assim que terminar o sepultamento. Já está pago."

Cleomar Brandi.
(Primeira postagem neste blog em 09 de agosto de 2011)

Cleomar Brandi: velório e sepultamento viram uma grande festa




"Notícia não é  folha de outono; não cai no colo." Esta frase dizia-a Cleomar Brandi,  jornalista baiano nascido na cidade de Ipiaú que, acometido de câncer, faleceu em julho de 2011 em Sergipe, onde morava. Fica evidente que, além de periodista, o cara era também escritor e poeta. Não o conheci pessoalmente, mas tivemos amigos em comum, e trabalhei muito tempo no jornal A Tarde com seu irmão, o também jornalista Chico Ribeiro Neto. Por um amigo do IRDEB, Robério, fiquei sabendo que Cleomar, que viveu a vida intensamente, amava sua profissão com todas as forças da alma assim como amava os amigos e a própria vida, era um cara querido e especial. Tão especial que, sabendo que sua morte era iminente, reuniu as forças e escreveu uma carta de despedida reafirmando suas escolhas, seu amor à vida, os bons momentos vividos,  o apreço aos verdadeiros amigos. Edith Piaf em sua canção maior, Rien de rien, dizia que não, não se arrependia de nada e desfilava segurança e ausência de mágoas pelos acontecimentos de sua existência. Cleomar foi além, deixou determinado e bem claro a todos os amigos que eles deveriam fazer do seu velório uma alegre festa de celebração, onde não coubesse nenhum pingo de tristeza. E foi ainda mais além. Sabendo que os amigos iriam em peso ao seu sepultamento, conclamou que todos, depois de saírem do cemitério deveriam ir ao Bar do Camilo, onde ele, previamente, deixara paga a conta para uma mais que alegre bebemoração dos seus queridos confrades. Quem lá esteve disse que no momento em que bebiam em seu louvor, surgiu no céu um arco-íris duplo, indicativo de que, Cleomar não ia perder esta, e se fazia presente entre os amigos, na sua festa de despedida deste mundo. O clima alegre que marcou o encontro pode ser visto nestas fotos que mostram a festa alusiva ao evento pós-sepultamento. Na última delas, Cleomar, um anjo radiante em sua última saideira. 
(Primeira postagem neste blog em 09 de agosto de 2011)

29 novembro 2014

Riachão é o Samba da Bahia e a própria Bahia.

Quem quiser saber tudo de samba e de Bahia tem de beber no sagrado manancial chamado Riachão. Sofregamente. Caetano bebeu generosos goles. Gilberto Gil bebeu a se fartar. Cassia Eller, maravilhosamente idem, idem. Riachão é a Bahia em forma de gente subindo a ladeira do Pelô ao encontro da roda de samba com seu terno branco, seu boné, seus óculos, anéis, correntes, toalha no pescoço, ginga, alegria contagiante, dentes escancarados num largo sorriso só encontrável em soteropolitanos tipos. Riachão, em verdade, é o próprio Samba da Bahia, com RG e tudo. Puro e da melhor qualidade, sim, o Samba baiano é esse maravilhoso Riachão, nos seus mais de 95 anos, louvado seja Nosso Senhor do Bonfim! De Riachão transborda a mais carismática baianidade, seu talento de sambista nato é líquido e certo, oferecendo-se generosamente para que nele sorvamos os necessários e substanciais haustos. Com as graças de Oxalá. Epa Babá! Viva Riachão! 

Codinome Beija-Flor, cantada lindamente pela japonesa Tsubasa Imamura

Brasileiros são apaixonados por mangás e animés que, vindos do distante e - para nós - exótico Japão, fazem enorme sucesso popular entre nós. Japoneses amam a música brasileira e sabem tocar e cantar de maneira magistral qualquer composição feita por aqui, da Bossa Nova à mais nova MPB. A linda e afinadíssima cantora Tsubasa Imamura, uma espécie de Nara Leão nipônica, nos dá uma mostra disso com sua magistral interpretação da música de Cazuza.

Maluco beleza: Raul Seixas, cantado pela cantora japonesa Tsubasa Imamura

Enquanto você se esforçava pra ser um sujeito normal e fazer tudo igual, Raul Seixas procurava formas de ser um Maluco Beleza. Tanto conseguiu que sua fantástica arte viajou pelo mundo e cruzou fronteiras chegando até à maravilhosa cantora japonesa Tsubasa Imamura que gravou a música de Raulzito, canção comprovadamente bela, que na Terra do Sol Nascente fará de um contingente de nipônicos uma imensa e feliz multidão de Malucos Belezas de olhinhos puxados. 

Flores, dos Titãs: a japonesinha Tsubasa Imamura arrasa cantando essa música

A música é algo comprovadamente entranhada nos corações de toda humanidade. Enquanto alguns aspectos culturais encontram a barreira do preconceito, a música parece ter o mágico condão de abrir as janelas da alma de qualquer vivente, de qualquer parte do planeta. Desde pequenos tentamos, da nossa maneira, cantar em variadas línguas as músicas que nos emocionam positivamente. E cantamos em Italiano, em Inglês, em Francês e por aí vai. Não nos importamos se entendemos ou não as palavras, se as cantamos corretamente. O fato é que entendemos perfeitamente a emoção e a felicidade que essa música nos faz sentir. Muito mais do que isso fazem os japoneses que tocam e cantam a música brasileira de uma forma maravilhosa que nos emociona e nos deixa cheios de orgulhos. Com vocês, Tsubasa Imamura e sua interpretação magistral de As Flores, dos Titãs.  

28 novembro 2014

Eros uma vez uma moça e um amor

Com minha inadvertida aquiescência essa moça um dia adentra meu viver trazendo consigo generosas braçadas de olentes flores que deposita em cada cômodo de minha quase misantrópica ânima  tornando fúlgida e álacre cada jornada e mais felizes e iluminados meus passos pelo mundo.
Um dia essa mesmíssima moça, com gestos impacientes e determinados, arrebata de mim seus ramalhetes, suas corbelhas, seus buquês e os leva para perfumar almas outras. Não vai discreta como veio, antes dá uma aula de como deletar alguém da vida afetiva, toma dos meus pincéis e rabisca palavras de ordem e frases beligerantes na parede dantes imaculada de meu quarto, rasga em tiras meus lençóis de pura seda, despedaça meus cristais da Bavária, quebra toda minha porcelana chinesa, retalha em pedaços miúdos meus mais amados álbuns de HQs, bate a porta atrás de si e desaparece pelas esquinas e quebradas do mundo.
De tempos em tempos, sabe-se lá por quais insondáveis razões, como se nada houvesse acontecido, volta à cena enviando-me um inesperado e indecifrável e-mail, consegue com suas artes o meu telefone e com sua voz suave me diz coisas das quais inutilmente tento traduzir as intenções.  A meio uma tempestade de emoções, um vendaval de sentimentos conflitantes, intento fugir mas é inútil  já que ela tem incrível capacidade de prever meus passos, me cercar os caminhos.  Até que um dia, sem esperar que eu concorde, minhas mãos saltam insidiosas pelo teclado e escrevem os segredos mais guardados, os desejos mais ocultos, as carências mais inconfessáveis e sem minha devida permissão enviam para ela. Como jamais lhe adivinho as ações não posso dizer que fico pasmo diante de sua atitude quando essa moça nada responde. E não retruca, não discorda, não concorda, não aplaude, não tripudia, não contesta, não esboça um esgar em sua face enquanto me mostra jocosamente a língua, não sai pelas ladeiras do Pelô em gritos ensandecidos demonstrando alegria ou raiva. Mas seu silêncio é um brado eloquente que diuturno reverbera em todo meu ser.

24 novembro 2014

Machadiano graças a Machado de Assis e a Béu Machado

Sempre relembro Béu Machado, sempre vale a pena que todos relembremos Béu. Amiúde me vem à mente seu jeito calmo de poeta, quase anônimo, fingindo-se igual aos viventes outros, malgrado o talento imensurável para versejar, criar frases. Contrariando Caê, que diz que só se pode filosofar na língua de Goethe, Béu filosofava em muito bom soteropolitanês. Seu humor carregado de dendê algumas vezes era pura molecagem e outras ocultava por trás de uma aparente despretensão uma profundidade que a muitos pode escapar. O humor béumachadiano e sua filosofia podem ser percebidos a olho nu em frases como estas que aqui reproduzo para matar as saudades do poeta, do frasista, do vizinho na Boca do Rio e do amigo cortês e espirituoso.
*O fato de marcianos virem periodicamente à Terra só prova uma coisa: não existe vida inteligente em Marte.
*O açougueiro cortou a parte que eu mais precisava: meu crédito.
*"Saúde de ferro!", disse o médico, desenganando o hipocondríaco.
*De lascar é quando a bola bate no pau sem chocar na trave.
*De nada adiantou eles ordenarem que eu me calasse.Heroicamente continuei gritando "ai!!"
*Desisti de desafiar o Mike Tyson. Os motivos são de força menor.
*Desta vez vai correr sangue: aumentaram os preços dos absorventes.
* Ler Proust é uma perda de tempo.

20 novembro 2014

Uma Confraria de Tolos no Brasil de tantos espertos

Um dos mais deliciosos e bem escritos romances que já li chama-se Uma Confraria de Tolos ( A Confederacy of Dunces, título original ), de autoria do  escritor norte-americano John Kennedy Toole. Não é de surpreender se você, pessoa sobejamente culta que cultiva o salutar hábito da boa leitura, disser que nunca dantes ouvira falar ou lera algo a respeito desse livro ou de seu brilhante autor. Mesmo entre os devoradores contumazes de livros,  gente que lê tudo que lhe cai nas mãos, são poucos a conhecê-los.  Alguns detalhes talvez justifiquem a pouca informação existente como o fato do livro não haver sido lançado por nenhuma das  grandes editoras americanas nem  ter sido amparado por suas mídias poderosas que tornam qualquer livro conhecido em todo o planeta, alavancando grandes vendas, mesmo que o referido livro não tenha de fato qualidades intrínsecas que o referendem como uma obra comprovadamente digna de figurar no rol das grandes criações literárias. Uma Confraria de Tolos foi publicada pela Louisiana University, onde Toole lecionara, numa afetuosa homenagem póstuma acontecida graças ao empenho de sua dedicada mãe e ao respeito e sentimento de solidariedade dos dirigentes da aludida Universidade.  JKT deixou este mundo muito cedo sem ver satisfeito em vida seu enorme desejo de ser reconhecido como um autêntico escritor que sempre foi. Acredito que esses descaminhos com o tempo haverão de ser superados pela qualidade do livro e John Kennedy Toole ainda virá a ser tido na conta de um escritor maior, senhor do seu ofício. Disto ele dá provas passeando seu talento por cada frase construída neste seu romance em que, imaginativo, surpreende o leitor a cada página, criando tipos insólitos - como seu personagem central, Ignatius Reilly – envolvendo-os todos em situações inusitadas, quase surrealistas, mas  sendo ao mesmo tempo tudo  muito real e tangível. Com segurança, JKT vai criando uma atmosfera para qual o leitor se vê transportado enquanto o autor transmite um recado que revela uma aguda visão crítica da sociedade que o circunda,  numa trama rica e envolvente alinhavada por  um humor raro, maravilhoso, que muito me encantou. Humor de alta qualidade que em passagem alguma soa gratuito, mostrando-se antes ser um humor consciente, refinado, bem dosado, questionador e - por mais paradoxal que possa soar - deliciosamente histriônico e o leitor atilado há de rir a alto e a bom som. Como admirador, faço votos para que um dia os críticos literários do nosso país deixem de lado por um momento certos best-sellers que rápido se volatilizam, esqueçam um pouco os livros de sucesso efêmero que soem figurar nas listas dos mais vendidos e possam descobrir a delícia que é Uma Confraria de Tolos e seu autor, John Kennedy Toole, como um dia o fez a Editora Record que não hesitou em publicar no ano de 1981 este livro que, em minha assaz modesta opinião de leitor, merece cadeira cativa na posteridade.

05 novembro 2014

H. Lima, o Lima Limão, um raro artista da Bahia.

Horiosvaldo. Este é o nome que ele recebera em pia batismal de algum cura que fizera vistas grossas a tão incomum prenome . Horiosvaldo, sim senhor. Asim, com H e tudo. Horiosvaldo Moura Lima, a quem todos chamavam apenas de Lima. Às vezes, jocosamente, de Lima Limão. Artista plástico, gravador de rara habilidade no manejo da goiva que em sua mão penetrava a madeira sem a ela causar dores. Dali iam surgindo casarios com amplas janelas, céus, mares que ele ao final pintava com sua sensibilidade de artista raro. Cursara a Faculdade de Belas Artes sem no entanto concluir o curso, seja por dificuldades econômicas ou por entender que o chamado ensino superior não lhe traria o que a prática generosamente lhe dava. Mal eu chegara de Sampa para morar na Bahia, conheci Lima e ele de pronto me adotou como irmão mais novo. Me acolheu em sua casa, integrou-me em sua família como se um irmão de fato eu fosse. Sua estratégia de vida consistia em pegar os poucos caraminguás que tinha no bolso, conseguir uns dois compensados pequenos, umas poucas bisnagas de tinta acrílica. Assim munido, criava duas belas obras de arte e com elas sob os braços lá ia ele - e eu, fazendo as vezes de fiel escudeiro - pelos edifícios do Comércio visitando profissionais liberais e pequenos empresários aos quais ele mostrava suas criações até que alguém as adquirisse. Então, cheque no bolso, deixávamos a Cidade Baixa pelo Plano Inclinado, atravessávamos o Terreiro de Jesus e íamos direto ao Brega. Enquanto descíamos as ladeiras do meretrício, onde a vida imitava os livros de Jorge Amado, das janelas vinham motejos de femininas vozes dirigidos ao meu amigo: "Macarrão 38!" "Lima Limão!" . E ele devolvia, sorrindo: " "Jussara, magrela!", "Marilda, roçona!". E seguíamos sem nos deter, pois no Brega não estávamos para desfrutar das gentis senhoritas que ali viviam de mercar seus corpos, mas para trocar o tal cheque recebido com algum coligado, dono de bar, que mediante um ágio, colocava dinheiro vivo na mão de Lima que já sabia o que fazer com ele. Parte seria destinada à manutenção do lar, entregue à Maria, sua fiel companheira de todas as horas, mãe de seus 3 rebentos, que assim compraria munição de boca para os próximos dias. Esta era a preocupação mor de meu amigo que, enquanto vivo foi, portou-se como um pai exemplarmente zeloso que amava com  extremado carinho sua prole. Uma segunda parte da verba auferida seria para compra de novo lote de material - madeira e tinta - para fazer os próximos quadros, o que garantia este ciclo. E uma terceira parte era destinada a pagar uma série de velhas contas em pequenos botecos e cacetes-armados onde Lima costumava beber sua caninha Saborosa e pendurar as contas. Nem sempre era possível pagar a todos, era preciso fazer uma seleção criteriosa. E muitos ficavam de fora da partilha. Estes ele evitava mudando de calçada e de ruas. E me dizia enquanto caminhávamos: "Seu Paulo, vamos desviar por aqui. Ali naquela rua tem um cara que me deve um bocado. E eu não quero receber de jeito nenhum!" .Saudade. Muita saudade, Lima Limão.

20 outubro 2014

Guigão, de Pernambuco para a Bahia com muito humor

 Saudade é coisa que vem e vai sem pedir licença à gente. Estamos quietinhos e aí...pimba! Lá vem ela falar de lugares, de coisas, de amores, de viagens agradáveis, de momentos marcantes, de bons amigos, como meu confrade Guilherme Aragão, que nasceu em Pernambuco mas que adotou a Bahia como terra mater, louvado seja. Guigão - como assinava seus cartuns - era geólogo ( tremendo pedra 90 ), cordelista, cartunista, frasista, político e o escambau. E como saudade não está nem aí para datas, republico hoje este texto que fiz há algum tempo para saudar esse amigo assaz porreta que quando dele se fazia necessário jamais batia fofo.
Hoje, dia 31 de março, é dia triste se lembrarmos que é a data da consumação do golpe militar no Brasil que nos legou tantas e terríveis sequelas políticas e sociais que perduram até hoje. Para mim, há um motivo mais nobre para se pensar nesta data. Foi o dia - há 10 anos - em que meu amigo Guilherme, o popular Guigão, deixou este mundo e foi para o céu contar as piadas mais cabeludas que neste orbe já se ouviu, bradar seus versos cordelísticos e suas poesias fesceninas nos santos e invioláveis pavilhões auriculares de São Pedro. Guigão, meu chapa, ando algo desconsolado de tanto perceber pela Internet e por aí que as pessoas estão emburrecendo em demasia, quer politicamente, quer na visão geral das coisas. Pelo discurso que essa tchurma preconiza no maior despudor, vê-se que ficaram mais pobres no modo de pensar, dizendo descomunais estultices carregadas de velhos preconceitos que eu julgava superados. E tudo sem um pingo de um humor autêntico como o seu. Só você mesmo para dizer, a alto e bom som, umas verdades a essa matula de descompreendidos. Guigão, a verdade é que você está fazendo uma falta retada por aqui, meu bom!
Para ler mais sobre Guilherme Aragão, basta clicar no link: http://guilhermepateta.blogspot.com/

10 outubro 2014

Montse Rubio, talentosa ilustradora da Espanha

 

Navegando pelos misteriosos - e por vezes procelosos - mares da Net encontrei os trabalhos desta talentosa espanhola de nome Montse Rubio. São aquarelas delicadas, de cores agradáveis sobre um desenho preciso e muito bem delineado. Quem gosta das belíssimas aquarelas de Brian Froud vai gostar também dessa criativa ilustradora, profissional numa terra de tantos formidáveis ilustradores e pintores. Vale a pena clicar nestes links e dar uma olhada nos trabajos de la brillante dibujadora de España:
http://www.montserubio.com/ e
http://montserubio.blogspot.com/              
 

30 setembro 2014

O fim do Orkut e seu efeito na vida das pessoas / Reprodução de texto do jornalista Gonçalo Júnior

"O FIM DO ORKUT"
"O Orkut acaba nesta terça-feira. Decidiram que não serve mais para nada. Não dá lucro. Não dá dinheiro. Por isso, será desativado. Quem quiser fazer download dos arquivos o prazo vai até setembro de 2016. Mas ninguém poderá baixar todo o conteúdo do site, claro. Impossível. Só o quinhão que lhe cabe.
Nunca o explorei como todas as pessoas à minha volta o fizeram por vários anos. Tinha uma conta criada à minha revelia pelo Gmail que jamais alimentei. Tanto que tinha apenas 25 pessoas em conexão e só uma foto. Mas fico pensando que seu fim é, em primeiro lugar, um exemplo do quanto a revolução digital transforma e atropela a história em uma velocidade impressionante.
O Orkut, pelo menos no caso do Brasil, foi uma ferramenta que mudou a vida e as relações de milhões de pessoas. Ali estão registros de reencontros, declarações de amizade, de amor, de alegria, lamentos e tristezas, relações que renasceram ou romperam, ciúmes, ódio e discórdia, depoimentos de amigos, fotos e interações com outros usuários em comunidades.
Não posso ter nostalgia do que não vivi. Mas lamento que todo esse manancial de memórias seja apagado desse modo. Ou seja, a partir de 2016. Por uma questão de respeito, todo esse gigantesco acervo deveria ser preservado para futuras gerações, para a história, do jeito que está, mesmo como um lixão da internet, como aparentemente parece.
Mas não é. Longe disso. O Orkut é, nesse momento, uma monumental biblioteca da memória virtual de seus usuários, da intimidade das pessoas, da explosão de emoções e sentimentos que elas tiveram ao lidar com essa fantástica novidade. Ali estão histórias de pessoas vivas e muitas que já se foram. Desapareceram, algumas foram atraídas por assassinos e estupradores, até. O pouco desses seres tão preciosos para seus entes queridos estão ali.
Não sei se os donos do Orkut têm o direito de sepultar tudo isso. Penso na memória, na história de tantos anônimos. Penso no quanto a rede foi importante para aproximar muitos do computador e da Internet. Penso na história do nosso tempo, extirpada de modo tão violento. Penso como contaremos a nossos netos e bisnetos como existiu em um passado importante a primeira grande rede social da história."

25 setembro 2014

José Cândido de Carvalho, escritor: visão ecológica lúcida bem antes do G8

Além de nos mimosear a todos com obras literárias de grande inspiração, José Cândido de Carvalho, cidadão atento, mente lúcida, de quebra nos alertava em 1970 para os crimes perpetrados contra a natureza em nome do progresso. Falar em defesa da ecologia e do ecossistema hoje é uma praxe de muitos neste planeta com tantos crimes ecológicos e superaquecimento, ainda que os culpados pelos graves problemas contra o planeta se sintam livres para continuar em suas práticas nefárias. José Cândido, inteligente, antenado, consciente, premonitório, antevendo que tudo redundaria nos graves problemas do mundo de hoje, já alertava contra o que estava por vir e assim escreveu e publicou isto 40 anos atrás :
" E agora, não tendo mais o que inventar, inventaram a tal da poluição, que é doença própria de máquinas e parafusos. Que mata os verdes da terra e e o azul do céu. Esse tempo não foi feito para mim. Um dia não vai haver mais azul, não vai haver mais pássaros e rosas. Vão trocar o sabiá pelo computador. Estou certo que esse monstro, feito de mil astúcias e mil ferrinhos, não leva em consideração o canto do galo nem o brotar das madrugadas. Um mundo assim, primo, não está mais por conta de Deus. Já está agindo por contra própria. "

12 setembro 2014

Cedraz, maravilhoso desenhista de HQs, descrito por Suely Furukawa

Sobre o falecimento de Antonio Cedraz, desenhista de quadrinhos com uma carreira brilhante e premiada, amigo leal, constante, homem generoso para com todos, desprendido, que tratava de maneira calorosa e afável quem dele se aproximasse, principalmente desenhistas novatos a procura de conselhos, que devido seu talento, dedicação constante e imensurável amor à Nona Arte se tornou admirado, Suely Kurosawa, profissional da área e fiel amiga de todas as horas escreveu:
"Para quem nao sabe, ANTONIO LUIZ RAMOS CEDRAZ, simplesmente Cedraz, era autor da Turma do Xaxado."
Nós fomos apresentados a Antonio Cedraz por Carlos Avalone, desenhista na antiga Divisao de Publicações Infanto-Juvenis da Editora Abril.Em uma época em que não imaginávamos a Internet, e-mails e muito menos as redes sociais, Avalone trocava figurinhas sobre o mundo das Histórias em Quadrinhos, através de cartas enviadas a Cedraz. Tempo em que DDD era inacessível de tão caro, eles eram amigos por correspondência.
Quando soube que Paulo Paiva e eu iríamos passar nossa lua-de-mel na Bahia, passando por Salvador, Avalone nos deu telefone do Cedraz. Diretor de Arte do Banco Econômico, Cedraz era das raras pessoas que possuía telefone privativo em Salvador.
Hospedados em um antigo hotel decadente da periferia soteropolitana, ligamos para Cedraz. Em poucas horas, ele estava lá, com seu fusquinha cor de laranja, exigindo que fechássemos a conta pra irmos diretamente pra casa dele. Nunca tinha ouvido falar da gente. Éramos os amigos de Avalone, seu correspondente.Era final de julho de 1979, o começo de uma incrível amizade que completou agora 35 anos.
Através de Cedraz, conhecemos toda comunidade de desenhistas de Salvador, como Nildão, Caó e Lage. Com a ajuda dele, PP retomou contato com Setúbal, artista paulistano há muito tempo radicado em Salvador.
Amigo para horas boas e ruins... Foi em momentos de nossa maior dificuldade, quando PP, após sofrer um grave AVC, ficou 35 dias em coma e 5 meses no hospital, que Cedraz se mostrou amigo para todas as horas.
Me ligava regularmente naqueles dias de esperança alguma. Quando chegava exausta do hospital, me enchia de coragem, contando que rezava diariamente por nós.
Pouco depois da alta do PP, veio de Salvador nos visitar. Uns dois anos depois, ele começava a sua luta contra o câncer. Incontáveis cirurgias, baterias de quimioterapia e toda sorte de tratamentos. A cada hospitalização, nos telefonava após a alta, comunicando que vencera mais uma batalha.
Cedraz ainda tinha muitos planos... Mesmo sabendo que um dia o guerreiro seria vencido pelo câncer, a notícia de seu falecimento, na manhã de hoje, nos pegou de surpresa.
Taí um homem que viveu intensamente, realizou uma obra incrível, tanto na vida pessoal como profissional.
Autênticos personagens brasileiros, especialmente nordestinos, com riquíssima pesquisa, retratando nosso folclore como ninguém. Nós, amigos, temos a obrigação de dar continuidade à Turma do Xaxado, divulgando e perpetuando a obra de Antonio Cedraz."

13 julho 2014

Cedraz é o homenageado maior no Festival Internacional de Quadrinhos

  Cedraz é o grande homenageado do FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos em 2015

A Noticia foi publicada pelo FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos, o quadrinhista, ilustrador e Mestre do Quadrinho Nacional, Antonio  Cedraz, é o nome homenageado em 2015, Antônio Luiz Ramos Cedraz é baiano de Miguel Calmon, nascido em 1945. Começou a desenhar aos 16 anos. Conciliando a carreira de desenhista com a profissão de bancário, Cedraz criou várias séries de histórias: Lúbio,  Zé Bola,  Joinha,  Ana, Pipoca. Mas, seu maior sucesso foi a Turma do Xaxado, publicado por mais de 10 anos no Jornal A tarde e também em mais de 30 livros, com coletâneas das tiras e histórias inéditas.
Cedraz  já recebeu seis prêmios HQMIX, a principal premiação dos quadrinhos brasileiros e foi consagrado com o título de Mestre do quadrinhos nacional, categoria do Prêmio Angelo Agostini, concedido pela Associação dos quadrinhista e caricaturistas de São Paulo, (AQCSP). Fonte: Zine Brasil. EMT - Divulgação
     

05 junho 2014

Paulo Betti nocauteia Thiago Lacerda

Eu me esforço, Deus sabe o quanto me esforço, mas nem sempre consigo deixar de ser um cara com uma visão maniqueísta das coisas desse planetinha azul. Um sujeito que, por isso mesmo, acredita que todo artista e qualquer é uma pessoa capaz de enxergar além, muito além do que enxergam as outras pessoas. E também de ver o mundo e as pessoas através de uma visão humanitária justa, digna, correta, sendo incapaz de produzir e engavetar em sua cachola quaisquer pensamentos reacionários encontradiços nas diversas camadas populares desse mundo. Pobre de mim, equivocado que sou nessas questões. Na verdade, um artista é um cara comum sujeito a distorções comportamentais que qualquer um pode ter além de agir de forma equivocada em assuntos diversos, notadamente quando esse assunto é a política. No noticiário de ontem achei esse texto que relata um episódio protagonizado por dois conhecidos astros da TV Globo, onde se percebe bem o quanto um artista pode adotar um comportamento que não é exatamente marcado por atitudes vanguardistas e progressistas como de forma equivocada costumo crer que todo artista tem, principalmente sendo jovem. A fonte é o MSN.
"Thiago Lacerda e Paulo Betti trocaram farpas na manhã da última terça-feira (3), no Facebook, por causa do candidato à Presidência da República Aécio Neves.Tudo começou quando o ator da atual temporada de "Malhação" marcou o nome de alguns amigos artistas, informando sobre uma reunião de apoio ao político na casa do apresentador Luciano Hu...ck.“Reunião de apoio a Aécio na casa de Luciano Huck e Angélica. Presentes Marcelo Adnet, Kaká, Andrucha Waddington, Fernanda Torres. Sem comentários…[risos]”, publicou Betti.
Lacerda, que curtiu o comentário, resolveu, em seguida, alfinetar o artista na rede social: “Um colega de profissão fez uma lista de nomes de colegas de profissão que se reuniram na casa de colegas de profissão para ‘apoiar’ um determinado candidato de oposição. Me soou bastante irônico, haja visto que o tal dono da página é declaradamente da situação. E também pelo tom usado. Me senti bastante ofendido! Aliás, como me sinto nos tempos de hoje! Esse soldados da situação... Patrulheiros vermelhos"(SIC).E continuou: "Gente xiita, completamente cega e com um discurso enraizado na segunda metade do século passado, onde só existe Companheiro e Inimigo, onde só existe o mundo contra nós, onde só existe certo e errado, verdade absoluta e mentira...(SIC) Sem nenhuma vergonha de mascarar o óbvio, cujo principal objetivo é propagandear a mesmice canalha que assalta o País”.
Paulo Betti, por sua vez, viu o comentário de Lacerda e fez questão de respondê-lo diretamente. “Thiagão, querido. O colega de profissão sou eu! Eu que escrevi esse comentário e coloquei [risos]. Democracia é cada um expressar o que pensa e se expor publicamente apoiando e discutindo política, civilizadamente, sendo responsável! Não sei por que minha ironia chocou você. Achei engraçado reunião política na casa de Luciano Huck. Bem-vindo à disputa política! Sempre vai ter ironia, quando não tem briga e porrada, e às vezes perda de emprego e etc. A situação de hoje já foi oposição. E te garanto que é tão difícil ser oposição quanto ser situação. Abração!”

Thiago Lacerda falou essas coisas a sério ou foi só uma provocação bem-humorada? Não sei o que podem pensar meus atilados e esclarecidos leitores, mas se ele expôs o que lhe de fato lhe vai na cuca, pessoalmente penso que no caso Paulo Betti mostrou mais equilíbrio e bom-humor e que esta ele ganhou de goleada.

03 junho 2014

Romário sem papas na língua nessa Copa do Mundo no Brasil

A Copa do Mundo começa em poucos dias. Não se nota da parte do povo nenhum entusiasmo com a participação da seleção brasileira de futebol no evento. O que se nota, sim, é uma decepção generalizada oriunda de lamentáveis atitudes e declarações das pessoas envolvidas diretamente com a organização da Copa e sua divulgação através das mídias. Nessa caterva pode-se incluir novos e antigos pilantras em busca de fortuna fácil, tais quais Joseph Blatter, Jérôme Walcke, João Havelange, Ricardo Teixeira, José Maria Marin, Marco Polo Del Nero, Joana Havelange, Bebeto Campos, Ronaldo Fenômeno e o onipresente -quando se trata de opiniões vexatórias- Pelé.
Joana Havelange, neta de João Havelange e filha de Ricardo Teixeira, disse para que a população brasileira ficasse relax, que não haveria mais roubalheiras em torno da organização e divulgação da Copa, tendo declarado para tranquilizar a população brasileira: "O que tinha de ser roubado, já foi roubado".
Felipão, com sua habitual grosseria, falta de educação nas entrevistas entremeada de coices violentos, vem mostrando que "futebol é um potro de chuteiras". Sobre a manifestação de professores e as reivindicações da categoria, disse que "os jogadores estão..." Bom, deixa pra lá. Falou coisas parecidas com as que habitualmente fala.
Diante das cobranças gerais devido ao não cumprimento das promessas governamentais e empresariais de que a Copa do Mundo seguramente traria obras de grande utilidade para a população, ligadas aos transportes, segurança e saúde, Ronaldo Fenômeno disse que as pessoas deveriam esquecer a cobrança de tais promessas já que para ele "uma Copa se faz com a construção de estádios e não com construção de hospitais". Nesta ele ficou à altura de Pelé. Sorte dele que nesse nosso país aconteçam tantos absurdos e a infeliz declaração dele passe a ser tão somente uma a mais entre tantas.
Pelé -um craque na arte de dizer besteiras- disse que era para o povo esquecer, colocar de lado esse assunto de roubalheiras e fazer o que importa, que é torcer para a seleção (!). Sempre sapiente, aconselhou: "Manifestar para quê? O dinheiro roubado não volta mais, entende?"(!) E conclamou do alto da sua real estupidez: "Vamos torcer juntos, esse título vai curar as nossas raivas. Junte a família e pinta a casa, a rua, o cabelo."(!)
Na contramão de tudo isso, o deputado Romário é que disse umas coisinhas sobre essa malfadada corja: "Pelé calado é um poeta." "Ronaldo Fenômeno e Bebeto Campos são dois ignorantes que não sabem das coisas ou que fingem que não sabem". "José Maria Marin e Marco Polo Del Nero são dois ratos." "Jérôme Valcke é um chantagista." "Joseph Blatter é um ladrão, corrupto e filho da puta!"
Dignidade total. As declarações sem meias palavras do Romário são incontestáveis e denotam decência, lucidez, honestidade, coragem. E sobretudo dignidade. Nesta Copa do Mundo Romário é a única coisa digna da qual, inegavelmente, podemos nos orgulhar.

31 maio 2014

Fernando Ikoma de volta ao universo das HQs!

Alvíssaras! Fernando Ikoma está de volta aos quadrinhos, gente! Depois de um longo e frígido inverno eis que o homem que criou Fikom e Sibelle, a espiã de Vênus, está de retorno e seus milhares de fãs podem voltar a sorrir e se encantar. E tem mais, é um trabalho virtual que você pode acessar aí no conforto do seu lar, deitadão na sua rede, se uma você tiver. Ou seja, acessando a rede... numa nice em uma rede, e digo isto porque não sou pessoa de passar muito tempo sem fazer um trocadilhozinho infame ou mesmo um joguinho de palavras nada espirituoso como este. Bão, vamos às novíssimas e coloridíssimas HQs do Ikoma. Trata-se das personagens Buubú, a Bruxinha Mixuruca e Mary QI, a Garota Cibernética. Ou seja, além de tudo é em dose dupla. E para este duplicado prazer vou colocar aqui um par de links procê clicar, se deliciar e anunciar por aí que Fernando Ikoma rides again, folks! http://hqentreamigos.blogspot.com/ e http://quadrinhosdebrincadeira.blogspot.com/

Silvio Berlusconi ataca de Cumpadi Washginton pra cima de Michelle Obama


01 abril 2014

Gutemberg Cruz, o indecifrável Coringuto

A lindíssima mostra com trabalhos do cartunista Lage que rolou não faz muito tempo na Caixa Econômica da Rua Carlos Gomes nesta afrobaiana Soterópolis, significativa e comovente, foi produzida por Alice Lacerda e Nildão, constituindo-se uma homenagem tocante e mais que justa para um cara de um talento raro que nunca encontrou similar no mundo dos cartuns. Encheu nossos olhos de prazer, nos envolvendo o coração com uma emoção finíssima, conduzindo-nos a uma alegria reconfortante. Estive por lá como fã, como amigo, como colega de traço e até ministrei uma oficina de caricaturas. Tudo que envolveu Lage em vida teve sempre um elevado astral. E nada parece haver  mudado, pois muita coisa boa me aconteceu nas várias vezes que por lá apareci. Uma foi rever meu brodinho Gutemberg Cruz, jornalista e crítico de quadrinhos, gente finíssima,  fundamental incentivador dos cartunistas baianos. Fiquei assaz impressionado com o Guto que de tanto ler e entender de quadrinhos pareceu-me a cada dia ficar mais parecido com os personagens das páginas agaquesísticas. Guto tem horas que fica a cara feita a nanquim do Coringa, The Joker, com direito a risos indecifráveis, esgares arrepiantes, gestual de saltimbanco, proferindo falas carregadas de dubiedades e mistérios insondáveis. Está dando pinta de que qualquer dia desses cada vez que ele falar suas palavras virão envolvidas em um balão de HQ com direito a lotes de onomatopeias do conhecido vilão galhofeiro. Santo irmão gêmeo, Batman! Esta missão começa a ficar perigosa!

Gutemberg Cruz e história em quadrinhos: É um pássaro? É um avião? Não, é o Super-Guto!

Desde guri o jornalista Gutemberg Cruz nutre uma imensa paixão pela Nona Arte, popularmente conhecida como histórias em quadrinhos. Ele cresceu e essa paixão cresceu junto. Em épocas de adolescência os amigos da mesma idade se divertiam jogando bola, soltando arraias e pipas, tentando descolar as primeiras namoradas. Enquanto isso, na Sala da Justiça, Gutemberg editava caprichados fanzines sobre HQs que eram sucesso entre os aficionados de todo o Brasil. Santa precocidade, Batman! Para nós, desenhistas, Guto sempre foi um anjo-da-guarda, um grande incentivador, um valioso e incondicional aliado. Organizou diversas exposições com nossos desenhos e com eles editou e publicou jornais, revistas e livros e ainda por cima sempre fez um belíssimo trabalho voluntário como nosso assessor de imprensa, empreitadas árduas até para o homem que veio de Krypton. E nunca recebeu um centavo por isso tudo. Até porque histórias em quadrinhos nunca deram dinheiro a ninguém neste país. Com excessão do pai da Mônica, é claro. Vai aqui um link para você curtir o blog do Guto: http://blogdogutemberg.blogspot.com/ . Guto, véio,  
 receba meu mais fraterno abraço, meu reconhecimento e minha gratidão. Sniff!Burp!Zing!Bang!Crash!Zoom! e Smac! pra você, brode!