21 outubro 2016

Furor uterino / Setubardo fescenino

Acordo tarde, bem tarde,
Com uma ressaca ingrata
Depois de uma noite daquelas.
O ar puro quase me mata
Quando abro as janelas.
Meu espelho indeciso
Nem sabe o que me revela
Esta cara, este siso...
Serei eu ou será ela?
Vomito as tripas no vaso
Gemendo, sentindo dor
O que nós temos, um caso?
É paixão, engano, amor?
Ela mal fala comigo
É volúpia, sofreguidão
Me toma qual objeto
Seu escravo predileto
Em pé, na cama, no chão.
Esta musa obtusa
Esta górgone Medusa
Traz letal ninfomania
Nos trejeitos de vadia.
Tem modos de meretriz
Tem cara de perdição
Pra cada transa, um bis
O seu sexo, vulcão
Mas - ai de mim! - sou feliz
Quando me diz:
Vem, tesão!!
(01/05/11)