05 outubro 2016

Torquato Neto e os versos que cantam o fim


Torquato Neto é nome sempre lembrado como um dos co-participantes da construção da Tropicália no sempre rico cenário da música brasileira. Seus versos embelezaram canções e se perpetuaram na história da chamada MPB. Em dia de triste memória tirou a própria vida e nos deixou. O gesto extremo deste poeta do Piauí inspirou indagações existenciais de um outro versejador talentoso, Caetano Veloso, que numa canção memorável abordando o assunto, escreveu: “Existirmos a que será que se destina?” e ainda “... e se acaso a sina do menino infeliz não se nos ilumina, tampouco turva-se a lágrima nordestina, apenas a matéria viva era tão fina.” Para lembrar o poeta piauiense, usando uma caneta nanquim fiz este retrato que fala de um cara amado e da memorável época tropicalista. Aproveito para deixar os versos que ele criou para uma canção linda e tocante, falando de um derradeiro adeus.
Adeus
Adeus
Vou pra não voltar
E onde quer que eu vá
Sei que vou sozinho
Tão sozinho amor
Nem é bom pensar
Que eu não volto mais
Desse meu caminho
Ah, pena eu não saber
Como te contar
Que o amor foi tanto
E no entanto eu queria dizer
Vem
Eu só sei dizer
Vem
Nem que seja só
Pra dizer adeus
(20/11/14)