13 maio 2016

Laerte, este banheiro é pequeno demais para nós todas.

"O hábito não faz o monge", diz o velho provérbio. Não é o que pensa o assaz aclamado cartunista Laerte, aquele mesmo que causou espécie quando há algum tempo resolveu escancarar seu closet, assumindo de público que adorava se vestir com femininas vestes e que, gostassem ou não as pessoas, era assim que ele passaria a transitar por ruas e ágoras a partir daquele seu dia D, de Dior. Machões indignos se indignaram, maledicentes murmuraram, maliciosos maliciaram, ponderados ponderaram e houve até quem resolvesse aderir, como meu amigo, o cartunista baiano Valtério, que entanto ressalvou que assim só se trajaria no recesso de seu sagrado lar, pois seus conservadores amigos lá de sua terra natal, Ruy Barbosa, não iriam entender tal crossdessing adesão. Agora volta à baila o nome de Laerte nas manchetes vez que o moço anda dizendo que o fato de se vestir com roupas femininas lhe franqueia o direito a usar o toilette em cuja porta sói ser pendurada a plaquinha "Elas", seja em bares, shoppings, cinemas ou quaisquer outros espaços públicos. Os mesmos espaços, amável leitor, em que sua imaculada mãezinha frequenta quando premida por inadiáveis necessidades miccionais. Muitos dos que concordam que Laerte tem todo o direito a usar as calçolas e anáguas que quiser discordam frontalmente desta nova reivindicação do travestido novel. Milhões de mulheres deste país se revoltaram com a pretensão do cartunista e afirmam que o W.C. feminino é um inviolável santuário onde a mulherada fica à vontade para retocar a maquiagem, fofocar à vontade e decidir quem é que vai ficar com o ruivo de bigode ou com o moreno de barba com o qual saíram. Abrimos espaço aqui neste assaz democrático blog para publicar uma epístola que nos foi enviada pela egrégia Presidenta do Grupo MIJAR (Mulheres Importunadas por Jebas de Afeminados Radicais), a honorável Sra. Eva Gina dos Prazeres, em que ela, falando em nome de todo sexo frágil, se diz indignada e enumera razões para o impedimento das pretensões do Senhor -ou Senhora- Laerte que, segundo ela, não podem prosperar em nome dos direitos inalienáveis de todas as mulheres. Entre outras coisas, diz a missiva: "1.Há que se levar em conta que mesmo vestindo-se de mulher o Sr./Sra. Laerte continua sendo um homem e que, assim sendo, traz em si todos os hábitos horrorosos inerentes aos machus latinus como o de não levantar a tampa da privada quando vai urinar. 2.Há também que se considerar que as fotos do Sr./Sra. Laerte mostram que ele atualmente está parecendo um mix da Senadora Marta Suplicy e do personagem Beiçola, da televisiva série A Grande Família, quando este recebe o espírito da sua mãe e passa a se trajar com as velhas roupas da falecida genitora. Ou seja, sua estética poderia assombrar mulheres que dessem de cara com tal criatura no interior do toilette levando-as a faniquitos de consequências imprevisíveis. 3.Mulheres só vão ao banheiro quando em dupla, é uma das verdades incontestáveis deste mundo de tantas inverdades, pois o W.C. feminino, como já foi dito, é o sacrossanto espaço onde a mulherada escapa para falar de coisas singulares, exclusivas do universo feminino. Ali soaria estranhíssimo ouvir alguém puxar assunto para falar do último espermatograma que fez ou do seu mais recente exame de próstata. 3.O Sr./Sra. Laerte, que se assume como bissexual, não vê nisso um impedimento para frequentar os banheiros femininos alegando que lésbicas tem livre acesso aos mencionados banheiros. Acontece que lésbicas anatomicamente são impossibilitadas de terem ereções repentinas e incontroláveis, o mesmo não se podendo se afirmar do Sr./Sra. Laerte. Numa situação constrangedora destas, pudicas velhinhas poderiam sofrer uma síncope fatal.". São estas as ponderações da digníssima Presidenta do grupo MIJAR que aqui reproduzo por ter tido ao longo de minha vida um elevado apreço pela Sra. Eva Gina, a quem muitíssimo devo. Quanto ao caso em si, caros leitores, eu lavo minhas mãos. No banheiro masculino, é claro.
(Publicado originalmente em 27/09/13)