"Navigare necesse est, vivere non necesse", disse-o, embarcando em sua galera, sem demonstrar um mínimo temor diante de assaz proceloso mar, o intimorato general romano Pompeu, segundo escritos de Plutarco, que não era homem de articular falácias biográficas. Tempos depois o bardo Fernando Pessoa, com propriedade, citaria a frase dando-lhe um charmosíssimo acento português que é como a conhecemos no Brasil, tendo sido até embalada numa canção por mui bela melodia de Caetano Veloso. Certamente por desta forma a conhecermos, pletoras de gentes por aqui acreditam ser a autoria da frase fruto da mente do genial poeta lusitano. Em verdade ele apenas usou o dito de Pompeu para criar uma feliz paráfrase, " viver não é necessário, o que é necessário é criar." Quanto a necessidade de navegar, sou - qual Pompeu - um destemido, arrojado e intimorato nauta mas, copiosamente precavido, me limito a viajar singrando mares menos procelosos - os virtuais - como se os de Netuno fossem pois, como dizem, o seguro morreu decano. Ou para melhor dizer, “insurance mortuus veteranus”, já que qualquer citação fica mais credível se pronunciada em latim. Mesmo que em um latim apócrifo, canhestramente escrito por um estulto consultando um providencial Google Translator.
povo marcado
1 dia atrás


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