09 fevereiro 2017

Carmen Miranda, the Lady with the Tutti-Frutti Hat / Umas minas que eu amo 1


 Nunca houve uma mulher como Gilda, dizem. Concordo que Gilda não era fraca, não, mas digo que nunca houve mesmo é uma mulher como Carmen Miranda. E quem a viu cantando, dançando, atuando jamais poderá delir da memória Carmen, a brazilian bombshell. Sua imagem que atraía todos os olhares qual um irresistível imã, foi mostrada em todo planeta pelo cinema dos states. Os americanos renderam-se aos seus irresistíveis encantos que tantos eram e quem a conhece jamais a esquece, seja na América do Norte, na Europa, em todo orbe. Mais de meio século já se passou desde suas deslumbrantes aparições nos tais filmes made in USA e volta e meia ela é citada em fitas atuais, sua música, sua imagem. Como em filmes de Woody Allen, que parece adorá-la, até mesmo em desenhos animados como de Tom e Jerry, Patolino, Pantera Cor-de-Rosa, Popeye, Bob Esponja e uma lista interminável de cartoons. É bem verdade que os filmes hollywoodianos com Carmen tendiam para o estereótipo, morenas lânguidas dormitando ao sol, toneladas de banana e brasileiritos com sombreros e maracas, ainda assim vale a pena ver a Pequena Notável em ação muito à vontade dividindo a cena com monstros lendários das telinhas e telonas americanas como Grouxo Marx e Jimmy Durante que deixavam transparecer o prazer de estar atuando ao lado dela. Carmen era imitada por estrelas americanas contemporâneas suas e isso vale como homenagem pois todas sabiam que Carmen era única e inimitável. Seu sucesso jamais encontrou similares pelo ineditismo, pelo raro poder criativo, pela força de sua presença em cena. Cantora e atriz que a todos hipnotizava quando no palco ou nas telas, como não se curvar diante de sua voz, sua interpretação, sua brejeirice, sua ginga, seu enorme talento natural para o burlesco, sua graça, seus gestos expressivos, seus figurinos que ela própria criava, seu domínio do palco e das plateias? Tudo em Carmen Miranda sempre foi original, inefável e inaudito. Com seus turbantes e balangandãs, quando The Lady of the Tutti-Frutti Hat pisava no set, não tinha pra mais ninguém, roubava a cena de qualquer grande estrela que com ela contracenasse. Tudo isso não se trata de forma nenhum de mero saudosismo, mas de justo e necessário reconhecimento. Enquanto na memória americana e europeia Carmen segue vivendo, aqui no Brasil, sua terra, tratam de esquecê-la depois de tentarem sepultá-la em vida como artista sob alegação de que teria incorrido no grave delito de voltar americanizada da terra de Tio Sam. Fácil é perceber-se que nestes tempos hodiernos a insaciável indústria musical e a mídia enriquecem seus patrões fabricando em série as maiores bandas de todos os tempos da última semana e uma pletora de astros que serão descartados para dar lugar a outros produtos similares, todos com seus sucessos estrondosos por um ano, um verão ou mesmo uma só música, todos feitos para serem consumidos por pessoas que se satisfazem com bem pouco. Acima, muito acima destes produtos descartáveis estão os verdadeiros astros e estrelas. E entre estas, a maior de todos os tempos, a única e verdadeiramente inesquecível, a estrela mais fulgurante de todas, Carmen Miranda.
(10/10/13)