12 março 2017

Will Esner e The Spirit / Uns cara que eu amo 2

Dos meus alumbramentos na minha tenra infância ressoa forte uma HQ carregada do mais negro nanquim mostrando uma casa em região de inóspita floresta. Um ventilador de teto. Um homem com um jornal na mão que mata as moscas que insistem em pousar em sua mesa, em sua roupa e pele. Sua epiderme transpira por todos os poros enquanto o homem fuma seu cachimbo em cena vista de cima. Puro cinema, esta HQ. Tais imagens, instigantes, colaram-se nas minhas retinas, na minha memória. Cresci e só mais tarde descobri seu autor: Will Esner. O grande, o magistral, uma fonte inesgotável de criatividade, tanto no texto quanto nas ideias sempre renovadas. Will Esner. No Brasil ele se sentia muito à vontade por comprovar que aqui possuía uma legião incontável de incondicionais fãs de seu cinematográfico estilo. Entre eles, ói eu, embevecido, torcendo pelo Spirit, com sua máscara e um sorriso no canto da boca, sempre rodeado de belíssimas vilãs como a nada angelical Satã.
(30/10/2013)