17 novembro 2010

Uma poesia de Affonso Manta

Sempre é bom lembrar que a poesia maravilhosa de Castro Alves não é a única bela poesia que se faz nesta afroterra. Há por exemplo um poeta cujos versos sempre me enchem de prazer a cada releitura. Seu nome, Affonso Manta, bardo que nos veio de pequena cidade da hinterlândia baiana. Vejam só que beleza estes versos:
Job
Eu só tenho de meu a noite e o dia
E a tarde quando morre no poente.
Do banquete da vida estou ausente
Frequento as alamedas da agonia.
Eu só tenho de meu o sol e a lua
E o jardim que contemplo da varanda
E as meninas que brincam de ciranda
No silêncio geral da minha rua.

03 novembro 2010

Lage, um cartunista maravilhoso que jamais economizava no humor político


Os números da política econômica relativos ao governo Lula são incontestavelmente muito bons e visivelmente melhores que os de todos os governos anteriores. Ter o FMI como devedor e não mais como credor mostra que a mudança é um fato positivo. Mas eu, como cidadão que procura estar sempre atento e até como por dever de ofício, vez que sou um cartunista, acho por bem indagar uma coisinha simples: sendo tais mudanças visíveis, quem é que de fato as está vendo bem de pertinho, quem as está tocando e delas desfrutando? Bolsas-família à parte, certamente vos digo que não são os indigitados deste país, as gentes das periferias e as suburbanas gentes que continuam estagnados como dantes e ainda muito mal acomodados no fim da fila social sem benefícios nem tratamento digno. Lage, cartunista sempre atento e com aguçada visão política, sacou o lance: como é que os números são tão bons e o povão continua ali no mesmo perrengue? Ele diz isto nesta charge maravilhosa que eu já havia postado antes, mas que curto tanto que posto uma vez mais para ilustrar esta postagem e mostrar como o Lage era retadinho, era preciso e sempre acertava em cheio o alvo visado. Grande charge, grande Lage.