08 maio 2010

Dadá, Corisco e Zé Umberto

Um dia na porta de um cinema vi o cartaz de um filme com o grande ator Mario Gusmão de quem eu ficara fã ao ver sua fina estampa e sua bela interpretação em O dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, onde ele - lança em riste - a mando de Glauber investia sobre o personagem de Jofre Soares. Dizia o dito cartaz: Hoje: O anjo negro, de José Umberto Dias. Entrei. Uma sequência extasiante do filme mostrava o Estádio da Fonte Nova em dia de um retumbante Ba-Vi em ruidosa explosão de cores e de alarido popular. Inesquecível. Um outro dia fui conversar com o cineasta Guido Araújo que produzia sua nova Jornada de Cinema. Zé Umberto chegou casualmente no mesmo momento que eu. Conversamos, nos apresentamos e ficamos amigos. Ali mesmo ele me chamou para fazer o story board de um filme seu. E depois para ilustrar seu livro Dadá, falando sobre a musa do cangaço. Baseado neste fez um curta de muito sucesso, Dadá, a musa do cangaço. A antiga cangaceira, então costureira e amada mãe e avó, morava num bairro periférico, era muito amiga de Zé Umberto e fui a ela apresentado. Foi com indisfarçável emoção que apertei a calejada mão sertaneja daquela que fora companheira de Corisco. Embora as pesoas pensem que usei a trabalhosa técnica de xilogravura para as ilustrações, não lancei mão de afiadas goivas nem madeira. O que fiz foi apenas empunhar um lápis e usar guache branco sobre papel preto. Publico aqui para variar um pouco dos trabalhos cheios de cor que costumo mostrar. E também para lembrar de Dadá e de nosso amigo em comum, Zé Umberto, gente pra lá de boa que fala ao coração das pessoas através das lentes e dos celulóides. Saudações sertanejísticas, Dadá de Corisco. E saudações cinéfilas pra você, Zé Umberto, meu amado irmão.