07 maio 2016

Affonso Manta, Ruy Espinheira Filho, Versos, Poesias

 
E já que falei no poeta Affonso Manta e já que postei uma poesia de sua lavra, posto aqui outra que boa poesia nunca é demais. A morte levou Manta deste mundo mas antes disso a Indesejada das Gentes ouviu do vate - amante das coisas belas e boas da vida - que ele não ia desinteressado do seu destino mas muito a contragosto. .
Não desejo morrer
Não desejo morrer enquanto houver
No céu estrelas brancas cintilando,
Na manhã clara um pássaro cantando,
Na cama um corpo airoso de mulher.
Não desejo morrer hora nenhuma
E sobretudo no instante presente.
Eu desejo ficar para semente
Carpindo minhas dores uma a uma.

De quebra, perfulgentes leitores, vai aqui uma poesia que Affonso escreveu e dedicou ao amigo, o inspirado poeta Ruy Espinheira Filho, também baiano, que era admirador de Manta. Nela, Affonso define o que é poesia para ele, poeta em tempo integral
A Poesia

Para Ruy Espinheira Filho
A poesia tem os olhos inocentes.
Inocentes de saberem tudo.
A poesia nos envolve
Como o silêncio do tempo que passa.
A poesia é um pássaro branco
Voando na velocidade da luz.
A poesia embriaga como o vinho.
E nos mantém vivos como o ar.
A poesia é um rio imenso,
Um rio que deságua no infinito.
A poesia é um mar profundo.
Profundo como o mistério da vida.

(Publ. orig. 16/10/13)