20 maio 2016

Deus e o Diabo na tela do sol

 O cinema norte-americano sempre foi uma arma de aculturamento em nossas cabecinhas tupiniquins. Quando ainda um niño de Jesus eu ia ao cinema em Candeias e na telona, linda, panorâmica, vasta e apaixonante, a magia do cinema me pegou para todo o sempre. E vai daí eu, embevecido, via filmes de cowboys metendo merecidas balas em indígenas que eles mostravam como sórdidos, cruéis, insidiosos e nada hospitaleiros com o bom e sempre bem intencionado homem branco ianque. Um dia, nesse Brasil brasileiro, mulato inzoneiro, surgiu em cena Lima Barreto e eis que ele abocanhou a Palma de Ouro em Cannes mostrando um brasileiríssimo cangaceiro em suas andanças pelo inóspito sertão. Tempos depois veio Glauber e seu genial Antonio das Mortes que deixou siderados cinéfilos e grandes diretores do planeta, e de quebra nos mostrou Deus e o Diabo se arrostando na Terra do Sol. E eu ali sempre firme, apaixonado pela temática cangaceiro-e-sertão-do-nordeste. Sempre que faço uma HQ ou um cartum aproveito o tema. E quando pinto, olhaí o resultado: este painel de quase 1 metro e meio de largura por 2 metros de altura. Paixão pela temática de cangaceiros é issaí!
(Publ. orig. 19/10/14)