31 maio 2016

Partindo para a ignorância com o Paulo Paiva / Pintando o Set 9


Justiça se faça, o cidadão Paulo Paiva - famoso no universo das HQs com o codinome Pepê - é um cara retado. E retado, aqui onde me encontro, neste afrobaiano torrão, entre outras coisas boas, significa que o assim chamado é um sujeito competente, que sabe das coisas, cheio de denodo e de muita fibra. Aliás, Pepê tem mais fibra que a embalagem de uma tonelada da Aveia Quaker vendida nos supermercados por aí. Tanto é verdade que nem um AVC conseguiu deter este meu amigo. Passado o susto inicial, Pepê - com o auxílio fundamental de sua cara-metade Suely Furukawa - lutou com determinação e foi reassumindo aos poucos seus afazeres que o fizeram tão conhecido e amado. Pois este amigo um mês atrás me pega de surpresa ao me enviar via Net uma mensagem gravada em vídeo onde aparece dirigindo-se a mim e falando entusiasmado sobre alguns trabalhos meus que ele viria a publicar em uma das revistas de HQs, textos e cartuns que co-edita com Suely. No referido vídeo, mostra-se mais que satisfeito com a qualidade do material que lhes enviei para publicação e me tece elogios que um cara machão-porém-emotivo como eu não pode receber sem se debulhar em lágrimas. E se esta história parasse por aqui, seria um final feliz digno de Hollywood. Mas o caso é que ao retomar suas atividades, além de editar, Pepê também vem voltando a escrever, criar e ainda desenhar. É bem aí é que reside indesejável cizânia. Tudo solamente porque dentre os confrades que fiz neste mulato inzoneiro country, Pepê é daqueles que perdem o amigo mas não perdem a oportunidade de sacanear. Passado um recesso, eis que ele me envia, de sua atual lavra, outra caricatura da minha magnânima e régia pessoa apesar de eu já haver alertado ao indigitado amigo que não aprecio gestos que tais. Em postagem anterior, cordatamente já o alertara, muito já blasfemei e vituperei, já dei indiretas diretíssimas, já fiz ameaças veladas e outras escancaradas mas nada do Pepê se mancar. Então mister se faz subir o tom. Que Seu Pepê não reclame quando estiver no conforto de seu lar e sem aviso prévio receber a contraporra. E se ele não sabe o que é isso, esclareço didaticamente que aqui na Bahia isto é o mesmo que receber a galinha pulando, o que equivale a ser alvo de uns catiripapos aplicados de sopetão naquela cara de sacana que ele tem assentada em cima do pescoço. Sou ainda capaz de fazer coisas mais deletérias. Isto é claro se Suely, mais exatamente Suely Hiromi Furukawa, se distrair por algum momento, pois de besta só tenho a cara. Plenamente cônscio de ser ela uma nissei versada em tradicionais nipônicas artes marciais não sou em quem vai dar moleza e passar de agressor a candidato à vaga em leito de UTI. Para lá quem vai mesmo é o Pepê se continuar a me enviar tantas e tão depreciativas caricaturas de minha augusta pessoa. E tenho dito.
(Publicado originalmente em 25/11/2009)