20 março 2017

Jô Oliveira, artista gráfico cercado de grana alta / Pintando o Set


Dos desenhadores e grafistas brasileiros, meu amigo Jô Oliveira é quem mais viveu a vida cercado de grana, mas muita grana mesmo, e bote grana nisso. Botou? Bote mais. É que um dia Jô pegou seu matulão e deixou seu amado Pernambuco buscando dias melhores em Brasília, vindo a tornar-se um confiável funcionário da Casa da Moeda. Quer dizer, confiável mas ainda assim sujeito a rigorosas revistas diárias na entrada e na saída da dita Casa, que lá todo cuidado é pouco e não dão mole nem a um sujeito idôneo como o Jô.  Lá é criado e impresso - se minha amnésica memória não falha - toooodo o dinheiro deste país dito emergente. Milhões, bilhões, trilhões, caralhaisquilhões. Jô é - ao menos era - um daqueles caras responsáveis por fazer os belos desenhos, arabescos e filigranas cheias de cores e suas nuanças que estampam as cédulas às quais por vezes o povão  costumava lhes emprestar o nome de acordo com o valor ou cor característica. "Quanto custa isto?" "Um barão" ,"Um Cabral", "Uma abobrinha". E quando perdiam o tal valor, que tristeza, que depressivo. É  como canta o bardo cearense Falcão em um de seus clássicos: "Eu sinto na pele o desgosto / De Anísio Teixeira / Cunhado feito um abestado / Em uma cédula de mil...". E voltando ao Jô Oliveira, um dia, em Recife, com seu traço bonito fez esta minha régia fina estampa que usei para ilustrar esta postagem ditada pela saudade de tão nobre amigo. Nobilárquico Jô, nem todo o dinheiro que já o cercou aí na Casa da Moeda serviria para pagar tudo que seu talento artístico já produziu. Abração procê, cabra bão!
(22/04/14)