14 Setembro 2011

Affonso Manta, poeta ou A poesia baiana condor e sem dor

A mais inquestionável das verdades, preclaro e perfulgente leitor, é que nascer na Bahia é nascer poeta. Eu próprio, confesso prenhe de justificável orgulho, dou minhas cacetadas poéticas. E se uso pseudônimo quando o faço é pelo mais subido e nobre sentimento de modéstia. Então, gente fina, quando lhe pedirem para citar vates baianos, não fique restrito ao magistral Castro Alves e seus condores ou a Gregório Boca do Inferno de Mattos e suas impudicas freirinhas. Mostre quão vasto é seu cabedal de conhecimentos, cite e declame estes deliciosos versos de Affonso Manta, irreverente bardo soteropolitano, falecido em 2003:
Lá vai Affonso Manta
Com estrelas na testa de rapaz,
Com uma sede enorme na garganta,
Lá vai, lá vai, lá vai Affonso Manta
Pela rua lilás.
Coroa de alumínio sobre o crânio,
Lapelas enfeitadas de gerânios
E flechas no carcás.
Manto florido de madapolão,
Bengala marchetada de latão,
Desfila o marechal,
O rei da extravagância, o sem maldade,
O campeão de originalidade,
O peregrino astral.

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