29 setembro 2016

Paulo Caruso, tenor da caricatura/ Pintando o Set 4


É só Paulo Caruso chegar para a monotonia e a tristeza saírem de fininho. É imensa fortuna ser seu amigo posto que Paulo é uma festa. Sua catadura de paulistano taciturno oculta um ser humano amabilíssimo de riso aberto e franco e um fino causeur que sabe falar e ouvir na hora certa. Se as coisas estão paradas, toca um instrumento e solta a voz alegrando o ambiente. Eis que um dia perdido no tempo, num bar em Recife, enquanto traçávamos uns conhaques Paulo fez esta carica minha. Eram os anos 80 e o cartum e a caricatura ainda não haviam me dado fama e fortuna. Em verdade não deram até hoje. Mas Manoel de Barros e Cora Coralina, gente da mais elevada estirpe, também tiveram dissabores que tais antes do devido reconhecimento. Olhando esta caricatura, notam os mais argutos que meu charme másculo e minha beleza apolínea só fizeram aumentar em muito com o tempo que passou. Pelo menos uns 20 quilos.
(Publicado originalmente em 27/04/12)